APERTEM OS CINTOS, O DÓLAR SUBIU!

Ao contrário do meu bilau, que está em viés de baixa, o dólar continua subindo. Desesperado, o ministro Joaquim Levey pediu uma mãozinha pras garotas de programa de Brasília para segurar a ereção interminável da moeda norte-americana. As acompanhantes da Capital Foderal e as piranhas funcionárias do Ministério da Pesca fizeram de tudo para derrubar o dólar aviagrado e acabaram torrando bilhões de dólares de nossas reservas em Lagosta ao Thermidor e coquetel de camarão, que constituem a base da alimentação das GPs do Planalto.

Quando o dólar sobe, imediatamente tudo aumenta de preço: o tomate sobe, a gasolina fica mais cara e o preço dos serviços dispara! Pra vocês terem uma ideia, na casa de swing Spettu’s (que eu frequento acompanhado da Isaura, a minha patroa) o boquete aumentou 69%! E o pãozinho, que já está custando mais caro?! Esse aumento abusivo do pão francês me faz recordar a Imperatriz Maria Antonieta que, às vésperas da Revolução Francesa, sugeriu ao povão faminto: “Não tem pão, comam brioco!”.

Essa alta do dólar me enche de pavor, pânico e terror! Sigam-me o meu raciocínio: o Socialismo acabou, o Muro de Berlim ruiu, a União Soviética se despedaçou em milhares de republiquetas de nomes impronunciáveis. E agora quem está entrando pelo cano é o Capitalismo no Brasil! O Capitalismo no Brasil está acabando e começou justamente pela geladeira lá de casa. E o que é pior: nem me matar asfixiado eu posso mais, com o aumento do gás de cozinha!

E como vai ser o Brasil sem o Capitalismo? Sem o livre-mercado, sem a livre iniciativa privada? Sem os grandes monopólios internacionais? Sem a Microsoft? Sem a Volkswagen? Sem a Nike, a Adidas e a Olympikus? Me digam: como é que eu vou ficar sem a Casa & Vídeo? Onde é que eu vou comprar ventiladores de teto, caixas de ferramentas e armação para pendurar a minha TV na parede?

Se o consumismo desvairado acabar, o brasileiro vai ter que voltar aos tempos das cavernas, quando os homens eram obrigados a caçar animais e coletar impostos silvestres. Vamos voltar aos tempos do escambo da era pré-mercantil. Para sobreviver, serei obrigado a trocar a minha patroa, a Isaura, por um saco de feijão. Vai ser um pega pra capar! A única Lei existente vai ser a Lei da Selva! O cidadão vai viver aterrorizado, os assaltantes vão agir à luz do dia acobertados pela PM! Sequestros relâmpagos e assassinatos vão virar coisas corriqueiras e os arrastões vão tomar conta das cidades! Tudo mais ou menos como hoje em dia. Só que um pouco mais tranquilo…

 

24-09

Depois dos arrastões do último fim de semana, os afro-favelados cariocas vão ter que ir à praia de casaca para não levar uma dura da PM.

 

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista marginal. Aliás, mais marginal que jornalista.

banner_arte_02

5 Comentários

  1. Pingback: Leia a nova coluna do Agamenon | Marcelo Madureira | VEJA.com

  2. nunes   •  

    Sensacional….. “Não tem pão, comam brioco!”….. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Ricardo de Miranda   •  

    “…o boquete aumentou 69%!” Morri… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *