MAS SARARÁ POSSÍVEL?

Graças a Deus, não existe racismo no Brasil. Só preconceito de cor. Fui convidado para fazer o papel de Sivuca, o sanfoneiro albino, num musical. Mas, infelizmente, devido ao protesto dos militantes do Movimento da Consciência Albina, fui desconvidado porque, segundo os militantes, não sou suficientemente branco para o papel. Segundo o presidente do MCA, Albino Branco, um afrocaucasiano como eu não pode tirar o emprego de um ator albino sarará, uma vez que existem milhares de atores albinos e a mídia capitalista preconceituosa não oferece papéis suficientes para essa minoria discriminada e perseguida que são os albinos.

Os albinos são uma categoria epidérmico-racial muito unida e atuante. Estão, inclusive, encaminhando para o Congresso Nacional um projeto de lei que adota a política de cota para albino-descendentes em todas as produções nacionais.

Os albinos têm toda razão: desde quando se viu um mordomo albino em uma novela da Globo? Galã ou mocinha, então, nem pensar. Alguém já viu um super- herói da Marvel albino? Por que o Incrível Hulk é verde? Ele bem que poderia ter ficado albino por conta dos efeitos dos raios gama. Por que o Homem de Ferro não é interpretado por um ator albino? Era só trocar o nome do herói para Homem de Ferro Oxidado.

Infelizmente, a discriminação e o preconceito não param por aí. O consagrado ator Lázaro Ramos fez um teste para interpretar o papel da Mart’nália num musical, mas foi vetado: acharam que o Lázaro não é macho o suficiente.

E não é apenas só isso: o cantor Agnaldo Timóteo não vai poder fazer o papel de Dona Ivone Lara em outra produção musical. Logo o Agnaldo Timóteo, que havia sido escolhido pessoalmente pela Dona Ivone antes de morrer para representá-la no show. Artista dedicado e profissional, Agnaldo há meses vinha fazendo laboratório para encarnar melhor a personagem. Fez até um estágio como enfermeira num hospital público no setor de urologia.

Preta Gil foi escolhida para fazer o papel de Dona Ivone Lara porque, segundo o Movimento Afro-Black, é Preta até no nome .

Agamenon Mendes Pedreira é discriminado por não ser negra, mulher e favelada.

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