MATA O VÉIO!

Vamos deixar o doutor Bumbum para trás! O IBGE (Instituto Brasileiro de Geriatria e Estatística) revelou que o Brasil vai ficar cada vez mais parecido comigo, Agamenon Mendes Pedreira: mais velho, mais desempregado e como (quer dizer, nem como mais…) a Isaura, a minha patroa, vive reclamando: não cresce de jeito nenhum. Em 2060, um em cada quatro brasileiros será idoso. E se esse “um” for a minha pessoa, muito provavelmente estarei comendo capim orgânico pela raiz, o que vai diminuir em muito a minha despesa no supermercado.

Além de dinheiro, era só isso que me faltava! O Brasil vai virar um enorme asilo e será o maior consumidor de fraldas geriátrica do mundo! Segundo o IBGE, os velhotes, que hoje vivem à margem da sociedade jogando damas na pracinha, vão ser a maioria da população no futuro. Seremos um país de aposentados, onde todo mundo vai andar na rua de pijama. Os jovens serão desbancados pelos coroas, que vão voltar ao phoder. O problema é que, com mais de 65 anos, vai ficando cada dia mais difícil o exercício do phoder, apesar do advento do Tinder, do Cialis e do XVídeos.

E o que o governo vai fazer para enfrentar a decrepitude iminente do país? Ora, vai continuar fazendo o que não fez até agora: nada. Ao contrário do que dizia o Stefan Zweig, o Brasil não é o País do Futuro. O Brasil é o País do Faturo. Talvez aumentem as vagas para idosos nos estacionamentos de shopping, o que pra mim não adianta nada, já que meu Dodge Dart 73, enferrujado, o imóvel automotivo onde resido, não anda faz tempo por falta de combustível. Além do mais, em 2060 ninguém mais irá ao shopping, tudo vai ser comprado pela internet.

Talvez inventem um novo (quer dizer, velho) programa assistencialista: o Bolsa Dentadura ou, quem sabe, um Minha Bengala, Minha Vida. E como todo mundo vai ficar idoso no futuro, não vai ter mais nenhuma gatinha para nós, velhos safados, ficarmos mexendo na rua.

No futuro, os velhotes vão ser a maioria da população, ao contrário de hoje em dia, em que a maioria é composta de velhacos.id

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista da “melhor idade”.

 

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