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FUTEBOL, ALERGIA DO POVO

A Copa do Mundo é igual ao sexo no meu casamento: só acontece de quatro em quatro anos. Além de tudo, faz algum tempo que eu não consigo passar das quartas-de-final com a Isaura, a minha patroa. E todos os meu 17 leitores e meio (não esqueçam do anão) sabem que, na vida como no futebol, quem não faz, leva! Na minha idade avantajada, o empate é sempre um bom resultado.

Já entrei de cabeça no clima da Copa e até pintei o meu Dodge Dart 73, enferrujado, de verde amarelo! Minha residência de quatro rodas, que estava estacionada na Rua da Amargura, agora se mudou pra frente do prédio da editora Abril na Rua do Sumidouro, travessa da Marginal. Só não sei direito se é a Marginal Pinheiros ou algum Marginal que foi prefeito de São Paulo. Para a alegria do meu gerente de banco, no próximo domingo, começo a cobrir para Veja mais uma Copa do Mundo. Mas, na verdade, eu fui contratado secretamente como blogueiro puxa-saco do governo para me infiltrar na revista e destruir este combativo órgão da mídia golpista por dentro.

Como em todas as Copas, comentarei com acurado rigor jornalístico o Mundial no Brasil. Por isso mesmo, não pretendo assistir a nenhuma partida para que minhas críticas isentas e imparciais não sejam influenciadas pela atuação dos jogadores. O meu interesse na Copa é o mesmo dos empreiteiros que construíram os nossos estádios inacabados: quero ganhar uma bolada ! E para descolar um “por fora”, pretendo trabalhar de cambista na porta dos estádios e, até mesmo, como passeador de cachorras de algum jogador brasileiro.

Lembro com lágrimas nos olhos da fatídica Copa de 50. Aliás, o Maracanã, que foi construído para aquela Copa, não ficou pronto até hoje! Também me recordo bem da Copa da Suécia, onde eu e o Garrincha disputávamos pra ver quem engravidava mais torcedoras. Marquei presença na Copa do México, na Copa nos EUA e, principalmente, na Copa na França em 98. No país dos queijos e das mulheres fedorentas, o Brasil perdeu a final porque Ronaldinho foi pego com três travestis em pleno Stade de France enquanto Zidane entrava com bola e tudo.

Poucos jornalistas vivos chegaram à minha marca histórica nos Mundiais, o que me coloca no panteão dos grandes cronistas esportivos do Brasil ao lado de Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, João Saldanha e o Reinaldo Azevedo. E isso sem entender nada de futebol, o que, aliás, muito me orgulha. Não saber nada sobre o rude e viril esporte bretão num país de 270 milhões de técnicos da seleção só mostra o tamanho avantajado da minha mente diferenciada!

O futebol mudou muito ao longo dos anos. Antigamente, o jogador era um sujeito macho e casca grossa. Hoje, ao contrário, os craques são todos metrossexuais assumidos. Fazem a sobrancelha, depilam o corpo (inclusive virilha e contorno), fazem chapinha e alisamento progressivo usando penteados cada vez mais originais. E mais: todos, rigorosamente todos os jogadores brasileiros, se chamam Maicon ou qualquer outra coisa com “son” ou “uel ”no fim.

O brasileiro é guerreiro e não desiste nunca! O momento é de otimismo exagerado e apreensão irresponsável! O país inteiro já está no clima de Rumo ao Hexa e, mesmo os mais pessimistas, não podem negar que a nossa seleção, até agora, fez uma bela campanha: Neymar fez campanha de cerveja, automóvel e cueca, Daniel Alves fez campanha de tênis, David Luiz fez campanha de refrigerante e o Felipão, então, fez campanha de tudo.

A presidenta-gerenta Dilma Roskoff, com medo dos quebra-quebras durante a Copa do Mundo, resolveu se antecipar e quebrou a Petrobrás antes.

A presidenta-gerenta Dilma Roskoff, com medo dos quebra-quebras durante a Copa do Mundo, resolveu se antecipar e quebrou a Petrobrás antes.

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista porque não sabia jogar bola quando era garoto.

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