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CRISE NA MPB

A MPB (Muito Pouca Biografia) está em polvorosa. A polêmica das abreugrafias não autorizadas provocou um abalo sísmico (e rítmico) entre os decanos da canção popular. De um lado do ringue está a galera do Procure Sabesta e do outro, o Errei Roberto Carlos.

Os medalhões da MPB (Música Pompoir Biografada) defendem o seu direito à privacidade porque não querem, de jeito nenhum, que suas vidas púbicas caiam na privada. Caetano Velhoso, por exemplo, é radical na defesa de sua intimidade e do seu direito de continuar a escrever seus artigos no Globo sem ninguém entender nada. Já o recluso e misterioso Chico Barraco de Hollanda defende o seu direito de continuar publicando os seus soporíferos romances que a Isaura, a minha patroa, compra, mas não lê.

Já Roberto Carlos deu mais uma mancada (com trocadilho, por favor) ao contratar o caríssimo advogado Kagay (o maior especialista brasileiro em causas profundas) para defender a sua intimidade. Se era só pra proteger a sua intimidade, ia sair mais barato se Roberto Carlos colocasse uma rolha.

Essa obsessão compulsiva que as celebridades musicais têm pelo anonimato é porque no fundo, no fundo, elas querem mesmo é aparecer. Quem viu o meu filme, As Aventuras de Agamenon, o Repórter, sabe que eu mesmo, Agamenon Mendes Pedreira, fui autobiografado sem a minha autorização pelo grande Ruy Mastro. Revoltado com aquela invasão de minha intimidade, processei-me a mim mesmo,exigindo uma indenização milionária. Como ganhei a causa, acabei na miséria porque arranquei-me de mim mesmo,até o último centavo.

EDITORIAL

 O ERREI ROBERTO CARLOS

Apesar de ser um grande fã do autor de Ereções e astro do filme Roberto Carlos em Ritmo de Censura, não concordei com a apreensão do livro de Paulo Cesar de Araújo, o Caju. Além de proibir a obra, o maior censor romântico do Brasil apreendeu todos os exemplares, recicloue transformou em livros do Paulo Coelho. Segundo a imprensa, o Rei não gostou de algumas passagens da biografia não autorizada, principalmente dos tempos da Jovem Guarda. Segundo o autor do livro proibido, naquela época o jovem e fogoso Erroberto Carlos teria comido muitas mulheres e, por causa disso, acabou pegando uma Wanderléia. Mas o que deixou o cantor de MamadaMamantemuito injuriado da vida foi a insinuação de que ele não sabe jogar futebol e sempre foi um perna-de-pau. Eu vou dar um TOC no Rei: olha, bicho, eu sei que tu não gosta de marrom, mas esse lance de censurar as biografias foi a maior c*!#$%¨&!*#agada!

 

O FBI é a favor da espionagem não autorizada e mandou seus agentes secretos descobrirem onde está o dedo de Lula e a perna de Roberto Carlos.

 

PENSAMENTO DO DIA, QUER DIZER, DO BLOG

“Biografia é igual revisão de automóvel: só pode ir na autorizada.”

                  Roberto Carlos

 

                                              

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista não autorizado.

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PROCURE SABESTA

E continua o debate-boca entre a tropa de elite da MPB (Muito Pouca Biografia) e os defensores da liberdade de expressão. Agora quem entrou na polêmica foi o decano Chico Barraco de Hollanda. ChicoBura que juntou-se ao Rei Rouberto Carlos que não quer exibir ao público o que tem na sua privada, quer dizer, na sua vida privada. Eu preferia o tempo em que o genial compositor de “Apesar do PT”, “Quem Te Viu, Quem Te Vê” e “Cale-se” só pisava na bola quando jogava pelo seu personal time, o Politheama.

Alguma coisa existe por trás destes artistas que não querem expor suas vidas privadas. Será que eles têm o rabo preso? Ou será o contrário: será que eles têm o rabo solto? O que foi que aconteceu nos anos loucos da Tropicália, na década de Se Senta? O que esses artistas querem esconder? Será que é a mesma coisa que eles escondiam na época?

Me lembro como se fosse hoje do famoso Solar Fossa onde moravam Caetano, Gal, Gil e outros baianos que tinham chegado há pouco de fora (com trocadilho, por favor). Eu morei lá e dividia um minúsculo apartamento com o escritor especializado em autobiografias, Ruy Mastro. Por causa de seu sobrenome avantajado, os baianos faziam fila no nosso apê para expor suas intimidades cabeludas ao Ruy que anotava tudo num caderninho. Eu lembro de tudo em detalhes, de Roberto e Erasmo Carlos. E estou disposto a cercear a minha liberdade de expressão caso os artistas do Procure Sabesta façam um generoso depósito de direitos autorais na minha conta bancária.

Segundo os ativistas do Procure Sabesta, os escritores, editores e livreiro ficaram milionários escrevendo biografias caluniosas dos artistas. Mas a verdade é que o Drummond está ganhando mais dinheiro como estátua de rua do que quando era escritor.

FIGURAÇA DA SEMANA

 Vinícius de Moraes – no dia 19, o meu personal amigo, o Punhetinha, estaria completando 100 anos. Vinícius não ia gostar muito de completar 100 anos porque, como todo mundo sabe, sempre preferiu 12 anos. Revelarei aqui aos meus 17 seguidores e meio as fofocas autobiográficas sensacionalistas que vivi ao lado do grande poeta e compositor. Revolucionário, Vinícius foi o único diplomata macho que houve no Brasil. Sempre atrás de um rabo de saia (e sem saia também), Vinícus Imorais casou-se mais vezes que o Chico Anysio e bebeu mais que o Carlos Cachaça, um sambista que fazia jus ao seu sobrenome. Uma vez eu, o Vinicius, o Niemeyer, o Antonio Maria e a Eliseth Cardoso nos reunimos na garçonniére do Juscelino para fazermos uma suruba em homenagem ao Pixinguinha. Infelizmente não poderei revelar aqui os detalhes picantes (e bucetantes!) desta bacanal histórica porque posso ser processado pela galera do Procure Sabesta. Para homenagear o grande poeta e letrista da Bossa Nova, a prefeitura da cidade mudou o nome da Rua Montenegro (que era uma homenagem ao IBOPE) que passou a se chamar Vinicius de Moraes. É uma pena que o grande Vinicius não teve a mesma sorte de Drummond, Zózimo e Millôr Fernandes, que viraram estátua de rua em Ipanema e hoje ganham a vida tirando fotos com turistas.

PENSAMENTO DO DIA , QUER DIZER, DO BLOG

“Todo homem tem seu preço. E aproveitem que eu estou em promoção!”

Agamenon Mendes Pedreira

Agamenon Mendes Pedreira é auto-biógrafo de si mesmo.

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