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DEPOIS DA TEMPESTADE, VEM A BAGUNÇA!

Felizmente, no Brasil nem tudo é desgraça; existem as tragédias também. O Rio de Janeiro não quis ficar por trás de Brumadinho e, por isso, aproveitou a tempestade para ficar embaixo d’água.

Ávido leitor das Escrituras Sagradas, o prefeito Marcelo Crivella sabia que vinha um dilúvio e, tal e qual Noé, tratou de construir uma arca onde colocou um casal de cada espécie de habitante do Rio de Janeiro para repovoar a cidade depois da hecatombe: um casal de traficantes, um casal de assaltantes, um casal do CV, um casal do Terceiro Comando, um casal dos Amigos dos Amigos, um casal de deputados da Alerj, um casal de funcionários do DETRAN, um casal de PMs, um casal de funkeiros, um casal de pagodeiros, um casal de crossfiteiros… mas não adiantou nada. O pessoal da milícia organizou um arrastão e a arca ficou toda dominada.

Isso é que dá ter prefeito evangélico: a população depende da Providência Divina. E como todo mundo sabe devido de que o déficit da economia neoliberal assassina, o mundo espiritual atravessa uma grave crise financeira.

E o pior de tudo é que o mundo celestial já foi privatizado para poderosos conglomerados dízimo-financeiros. Hoje em dia, Deus, o Criador de Todas as Coisas e ex-Todo-Poderoso, desempenha um papel meramente decorativo no organograma da Fé. Quem manda mesmo é o Edir Macedo e o Malafaia. O próprio Jesus Cristo é apenas figura de marketing, uma espécie de Che Guevara pregado na cruz, para vender camisetas, estampas, pacotes turísticos para a Terra Santa e outras mercadorias de fundo religioso.

Tudo isso leva o povo brasileiro a um grande desamparo espiritual. O brasileiro é um povo muito religioso, acredita em qualquer coisa. O brasileiro é tão crente que em Alagoas tem gente que ainda acredita no Renan Calheiros e no Collor de Mello.

A queda definitiva da ciclovia Tim Maia foi um sinal divino previsto e interpretado pelo Profeta Safadeza. Segundo o Profeta Safadeza, o Rio não vai mais do Leme ao Pontal, mas sim do Leme ao Fim. Ao Fim da Picada.

Agamenon Mendes Pedreira é crente que é gente.

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