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CORNIDÃO COERCITIVA

Estava eu dormindo na casa do meu amigo Serginho Cobral. Não me perguntem nem como nem por quê. Só posso dizer que cochilava no armário do quarto. E, na cama, o casal cabralino ressonava o sono dos justos nos braços de Morfeu.

Enquanto amigo íntimo do casal caprino, posso testemunhar que, nos últimos tempos, Serginho andava muito estressado, muito tenso mesmo, chegando mesmo a deixar de cumprir com as suas obrigações conjugais.

Assim sendo, a ex-primeira mulher dama, angustiada e subindo pelas paredes como uma barata profissional, de quando em vez, diariamente, convocava a minha presença na alcova em busca de um consolo. Consolo de carne e osso.

Pois desta feita não foi que o Sérgio chegou mais cedo do serviço? Isto posto (e retirado) tive que passar a noite escondido no closet do casal entre bolsas Vuitton, roupas de grife, sapatos caríssimos e joias mais caras que muitas obras públicas. Ao fundo, um baú enorme trancado com cadeado onde estava escrito: oxigênio.

Percebi que Serginho estava desconfiado de alguma coisa. Homem prevenido, há tempos faz questão de dormir sempre com o mesmo pijama listrado e ainda amarrou uma corrente com uma bola de ferro na perna. Ele dizia que era por causa da dieta. Com a bola de ferro, Serginho não conseguia levantar de noite para “assaltar” a geladeira. É a força do hábito.

Pois muito bem: dormíamos os três quando, subitamente, o quarto foi invadido às seis horas da manhã por um monte de policiais. Apavorado, saí fora do armário inteiramente pelado e gritei:

– Calma, Sérgio Cabral! Não é nada disso que você está pensando!!! Sua esposa pode explicar tudo!!!

Mas a bronca não era comigo. O Serginho não tinha chamado a polícia para um flagrante de adultério. Muito pelo contrário, eram os Federais, que estavam na captura do ex-governador por uso indevido de guardanapo na cabeça e verbas públicas, não necessariamente nesta ordem.

Ao saber que seria levado para o Complexo de Bangu e que não ficaria numa solitária exclusiva, Serginho começou a passar mal com falta de ar. Corri até o armário para pegar o oxigênio que estava no baú, mas não tinha nenhum balão de oxigênio lá dentro.

Enquanto isso, em Bangu 1, os presos, no maior atraso, já estão preparando a cerimônia de inauguração de mais uma obra pública: o pavilhão reto-furicular do ex-governador Sérgio Cabral. Mas será que esse túnel já não foi inaugurado?

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Quando o ex-governador Garotinho foi preso por corrupção, também passou mal. O ex-governador “de menor” foi levado imediatamente para a emergência do Hospital Municipal Souza Aguiar. Não resta a menor dúvida: querem matar o Garotinho.

Agamenon Mendes Pedreira é conselheiro matrimonial.

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TÁ RUIM PRA TODO MUNDO!

Mas pra mim tá pior. Demitido por tudo e por todos, é cada vez mais negra, quer dizer, cada vez mais afrodescendente a minha situação financeira. Para meu consolo (na verdade, o consolo é da Isaura, a minha patroa), estou no mesmo barco que os 8,3 % dos brasileiros desempregados que foram pra rua. Uma das poucas leis que pegaram no Brasil, a Lei de Murphy, diz o seguinte: nada está tão mal que não possa piorar. O país está na m*#!!*erda e, o que é pior: a merda não vai dar pra todo mundo. Quem me afirmou isso foi a afro-meteorologista Maju do Jornal Nacional, para quem nossos reservatórios de bosta estão no volume morto, apesar de todas as cagadas do governo Dilma… Nem o PAC, Programa de Aceleração de Cocôs, está dando certo.

O problema é que agora se aproxima velozmente uma nova crise do capitalismo neoliberal na China comunista. Eu torço para que o autoritário regime sino-ditatorial de esquerda tome as medidas necessárias para evitar esse desastre, entre elas a flexibilização da mão de obra escrava e a terceirização na produção de brinquedos vagabundos de camelô. Só assim o mundo não vai mergulhar numa crise pior que a da novela Babilônia, que está chegando aos seus capítulos finais sem ninguém ter visto nem os primeiros.

Para esquecer um pouco a crise brasileira, a presidenta Dilma Youssef resolveu dar uma força para as autoridades chinesas e está aprendendo mandarim. Mas nem precisava: a Dilma pode falar em qualquer língua porque ninguém entende o que ela está dizendo mesmo.

E pensar que eu, o grande Agamenon Mendes Pedreira, já tive os meus dias de glória… Glória Maria, é claro. Quando exercia o jornalismo marrom de imprensa, eu era cortejado pelos poderosos. Durante um século, convivi com reis (do Bacalhau), príncipes (das Peixadas), mulheres de vida fácil e políticos idem. Provei as mais finas iguarias, os vinhos mais caros, vivi uma vida nababesca de luxos supérfluos e hoje estou aqui no maior miserê, achando o Restaurante a 1 real do Garotinho muito caro pro meu bolso. Se não fosse o auxílio dos meus 17 seguidores e meio (não esqueçam do anão), já teria passado desta para pior. Também não posso negar o esforço abnegado da Isaura, a minha patroa, que virou modelo book rosa para ajudar nas despesas. Em nossa combalida economia doméstica, Isaura, a minha patroa, é a única pessoa aqui em casa que ainda consegue levar algum por fora. E por dentro também.

Os sanguinários terroristas do ISIS planejam fazer seu próximo ataque no Brasil para dinamitar as ruínas da economia brasileira, tombadas pela UNESCO e pela Dilma.

Os sanguinários terroristas do ISIS planejam fazer seu próximo ataque no Brasil para dinamitar as ruínas da economia brasileira, tombadas pela UNESCO e pela Dilma.

Agamenon Mendes Pedreira é catastrofista de fim de semana.

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