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PARADA DURA

O Brasil está pegando fogo, quer dizer, só não está pegando fogo porque não tem mais gasolina. Nem pneu pros caminhoneiros incendiarem tem mais. Está faltando tudo: combustível, comida, remédio e, principalmente, vergonha na cara. Por conta dessa greve, podemos dizer que o governo do presidente Michê Temer morreu por falta de gás e oxigênio. Michê Temer começou sua carreira política em filmes B de terror, sempre no papel de mordomo ou vampiro. Graças a esse currículo horripilante, Temer faz um governo B e, agora, realizou seu sonho: tacou terror na já assustada e ansiolítica população brasileira.

Apavorados, os brasileiros correram pros supermercados pra estocar alimentos, água e, principalmente, papel higiênico para limpar mais uma c*#!*!agada dos nossos líderes políticos. Mas não adiantou nada. Está faltando tudo e até os ovos acabaram, o que é não é nenhum problema, mesmo porque ninguém tem mais saco pra tanta incompetência.

Em mais um “golpe de mestre”, o “presidente” chamou mais uma vez as “Forças Armadas”, mas os militares não conseguem encher o tanque dos tanques e, assim, acabar com essa bagunça baderneira. Os caminhoneiros, criaturas românticas imortalizadas em canções da Sula Miranda e do Roberto Carlos, hoje são vistos como vilões pela maioria da população. Na verdade, os líderes caminhonistas querem que o povo brasileiro fique igual aos políticos em Brasília, que não precisam ir todo dia ao trabalho.

O Brasil, em apenas uma semana, acabou virando a Venezuela, e o que é pior: não dá pra gente fugir pra Roraima – o Brasil não cabe todo lá dentro. O problema disso tudo é que o país é muito dependente do sistema automotivo-gasolinístico. Se pegássemos nossas autoridades, sindicalistas, políticos e, numa volta ao passado rural, colocássemos essa galera toda para puxar carroças na condição de cavalgaduras que são, nada disso estaria acontecendo agora.

Eu, se fosse o presidente Michê Temer, seguiria o exemplo do grande Getúlio Vargas e cometeria o subsídio. Aliás, subsídio é o que ele mais faz.

O governo de Michê Temer foi à lona depois de um nocaute, quer dizer, locaute.

Agamenon Mendes Pedreira não precisa abastecer o Dodge Dart 73 enferrujado, onde vive com Isaura, sua patroa, mesmo porque a viatura não anda, é um imóvel.

 

 

 

 

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SAQUEANDO E ANDANDO

Hoje em dia no Brasil, tá ruim pra todo mundo. Mas, felizmente, para alguns está muito pior do que pros outros. Ninguém escapa da crise, nem mesmo a Santíssima Trindade: o Pai está envolvido na Lava Jato, o Filho está desempregado e o Espírito Santo passa o maior sufoco.

No Espírito Santo (estado que serve para separar a Axé Music do Rio de Janeiro), a violência é tão violenta que até a Polícia Militar tem medo de sair na rua. Os familiares dos meganhas, apavorados, fazem um cordão de isolamento em volta do quartel para evitar que a bandidagem ensandecida entre pelo batalhão adentro saqueando as instalações.

Se tem uma categoria que não entra em greve no Brasil é a bandidagem. Empreendedores, adeptos da livre iniciativa, os assaltantes movimentam o comércio capixaba, que, depois do sumiço da polícia, entrou em liquidação. Usando cartões de crédito de todos os calibres e de uso exclusivo das Forças Armadas, a bandidagem vai saqueando tudo o que vê pela frente. Até mesmo caixões de defunto, artigo de última necessidade, são levados pela multidão enfurecida.

No Brasil, só mesmo o caos funciona direito. Os bandidos só exercem a sua atividade saqueante em horário comercial, das 9 às 17 horas, de segunda a sexta. Sábado, só até o meio-dia. Liberada para o saque, a cidade de Vitória virou uma espécie de Miami, onde os brasileiros, nos bons tempos do PT, saíam levando tudo sem se preocupar com o pagamento.

Na verdade, o saque é uma forma de comércio muito praticada no Brasil: Petrobras, Eletrobrás, Fundos de Pensão, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil funcionaram como uma espécie de shopping center dos políticos, que lavaram tudo à vista ou em 12 vezes parceladas no cartão.

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O IBGE já está estudando uma fórmula para que os saques entrem para estatísticas públicas e, assim, possam ser contabilizados no cálculo do PIB, Produto Interno Bandidal.

Agamenon Mendes Pedreira tentou fazer um saque, mas não conseguiu por falta de fundos.

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A COPA DA INTOLERÂNCIA

Além dos linchamentos, depredações, quebra-quebras e incêndios em ônibus que vão esquentar a Copa, o Brasil também vai dar um show de preconceitos durante o Mundial. E começou pelo juiz que resolveu que a umbanda e o candomblé não são religiões. Como não são? Perguntem a qualquer galinha preta que ela confirma na hora! Todo mundo sabe que a ave afrodescendente representa para os orixás o mesmo que o cordeiro para os cristãos, o porco para os judeus e o peru para os presbiterianos.

Os cultos de origem afro-negona são uma tradição da cultura brasileira! Nosso povo inzoneiro e malemolente é tão religioso que, pra se garantir com a galera do além, pratica várias religiões ao mesmo tempo. O brasileiro acredita em qualquer coisa. É muito comum um brazuca ser católico apostólico macumbeiro e espírita ortodoxo, tudo junto e misturado em perfeita sincronia e sincretismo religioso. Por isso mesmo, só a hiper religiosidade e a fé infinita do nosso povão explicam a crença de que as obras da Copa vão ficar prontas a tempo.

Felizmente, o juiz umbandofóbico resolveu voltar atrás (no bom sentido, é claro) e disse que pisou na bola por causa do clima futebolo-cêntrico que o país vive atualmente. Esse episódio mostrou mais uma vez que não existe racismo no Brasil, só preconceito de cor. Por causa disso, nossa população afro-negona não vai conseguir ver os jogos nem pelo sistema de cotas. Só se pagar uma grana preta, quer dizer, uma grana afrodescendente na mão dos cambistas.

Outra manifestação deslavada de intolerância é o carimbo que estão dando no ingresso do filme Praia do Futuro, estrelado por Wagner Moura. Antes de vender o ingresso, o bilheteiro explica que o filme tem cenas de homossexualismo entre dois homens do mesmo sexo e carimba: AVISADO. Ora, se era pra prevenir o público careta e conservador deveriam botar HÁ VIADO no ticket. Isso é um absurdo homofóbico e anacrônico, justamente num país que tem uma presidenta cross-dresser no poder. Já o público GLS, também insatisfeito, reivindica o direito de pagar meia e fazer meia no meio da sessão. Ora, se o Capitão Nascimento quer salvar um bofe alemão do afogamento de ganso praticando a respiração boca-a-boca, isso é problema dele e ninguém tem nada a ver com isso!

Ao contrário dos estádios brasileiros, os brasileiros já estão prontos para extorquir os turistas durante a Copa.

Ao contrário dos estádios brasileiros, os brasileiros já estão prontos para extorquir os turistas durante a Copa.

 

AGAAgamenon Mendes Pedreira é ateu apostólico agnóstico romano praticante.

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