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Eu sou brasileiro! Com muito orgulho! Com muito amor!

Cada vez dá mais gosto ser brasileiro! Como é bom viver neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza!

O Brasil é assim: se melhorar, estraga.

Qualquer coisa que possa facilitar a vida do cidadão logo, logo alguém vai dar um jeito de acabar ou, se não der para acabar, cobrar imposto. Para que melhorar alguma coisa se quando é ruim já está muito bom?

Logo agora que eu dei um “tapa” no meu Dodge Dart 73, enferrujado, estacionando na Rua da Amargura s/n, vieram com essa ideia de acabar com o Uber, Cabify, 99 ou qualquer outra coisa que o governo não possa achacar algum qualquer do cidadão.

É o lobby dos burros que têm uma bancada grande no Congresso. Os muares quadrúpedes não querem perder o monopólio dos transportes públicos no Brasil.

Desempregado crônico, estava preparando o meu bólido residencial para fazer um bico de Uber e assim descolar uma graninha. Cheguei a comprar um saco de alvaiade para pintar a cara de preto e cobrar como “uber black”. Isaura, a minha patroa, e eu planejávamos oferecer um serviço diferenciado. Além da tradicional balinha e da água gelada, o(a) passageiro(a) poderia desfrutar dos favores sexuais da Isaura sem nenhum acréscimo na tarifa. Assim, no caso de ficar preso num engarrafamento, o(a) passageiro(a) poderia se distrair com um dos vários “aplicativos” baixados pela insaciável criatura. O Zé Mayer iria virar freguês.

 

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Qualquer mudança constitucional no Brasil só pode ser feita por parlamentares autorizados pelo DETRAN.

Agamenon Mendes Pedreira é motorista de Uber concursado.

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A COPA DA INTOLERÂNCIA

Além dos linchamentos, depredações, quebra-quebras e incêndios em ônibus que vão esquentar a Copa, o Brasil também vai dar um show de preconceitos durante o Mundial. E começou pelo juiz que resolveu que a umbanda e o candomblé não são religiões. Como não são? Perguntem a qualquer galinha preta que ela confirma na hora! Todo mundo sabe que a ave afrodescendente representa para os orixás o mesmo que o cordeiro para os cristãos, o porco para os judeus e o peru para os presbiterianos.

Os cultos de origem afro-negona são uma tradição da cultura brasileira! Nosso povo inzoneiro e malemolente é tão religioso que, pra se garantir com a galera do além, pratica várias religiões ao mesmo tempo. O brasileiro acredita em qualquer coisa. É muito comum um brazuca ser católico apostólico macumbeiro e espírita ortodoxo, tudo junto e misturado em perfeita sincronia e sincretismo religioso. Por isso mesmo, só a hiper religiosidade e a fé infinita do nosso povão explicam a crença de que as obras da Copa vão ficar prontas a tempo.

Felizmente, o juiz umbandofóbico resolveu voltar atrás (no bom sentido, é claro) e disse que pisou na bola por causa do clima futebolo-cêntrico que o país vive atualmente. Esse episódio mostrou mais uma vez que não existe racismo no Brasil, só preconceito de cor. Por causa disso, nossa população afro-negona não vai conseguir ver os jogos nem pelo sistema de cotas. Só se pagar uma grana preta, quer dizer, uma grana afrodescendente na mão dos cambistas.

Outra manifestação deslavada de intolerância é o carimbo que estão dando no ingresso do filme Praia do Futuro, estrelado por Wagner Moura. Antes de vender o ingresso, o bilheteiro explica que o filme tem cenas de homossexualismo entre dois homens do mesmo sexo e carimba: AVISADO. Ora, se era pra prevenir o público careta e conservador deveriam botar HÁ VIADO no ticket. Isso é um absurdo homofóbico e anacrônico, justamente num país que tem uma presidenta cross-dresser no poder. Já o público GLS, também insatisfeito, reivindica o direito de pagar meia e fazer meia no meio da sessão. Ora, se o Capitão Nascimento quer salvar um bofe alemão do afogamento de ganso praticando a respiração boca-a-boca, isso é problema dele e ninguém tem nada a ver com isso!

Ao contrário dos estádios brasileiros, os brasileiros já estão prontos para extorquir os turistas durante a Copa.

Ao contrário dos estádios brasileiros, os brasileiros já estão prontos para extorquir os turistas durante a Copa.

 

AGAAgamenon Mendes Pedreira é ateu apostólico agnóstico romano praticante.

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