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O ROLEZINHO DA DILMA

Enquanto as obras do estádio Itaquenão, quer dizer, do Itaquenão Fica Pronto e o BBB 14 (Big BlockBrasil 14) não acabarem, nada vai acontecer no Brasil. Com exceção é, claro, dos acidentes terríveis, homicídios atrozes, roubalheira generalizada, enchentes torrenciais, seca inclemente e outros fenômenos perpétuos da natureza brasileira. Mas aí, como quem não queria nada, surgiu uma nova manifestação popular das classes C, D e E que chamou a atenção dos comentaristas da Globonews. Pra quem não sabe, os comentaristas da Globonews são aqueles caras que sempre sabem explicar o porquê de tudo, mas só depois que as coisas acontecem.
Através das redes sociais e das redes anti sociais também, um grupo de jovens da periferia de São Paulo marcou um encontro no Shopping Metrô Itaquenão para zoarem, fazer algazarra e ouvir funk–ostentação. Não necessariamente nesta ordem. Ao verem um monte de afro-neguinhos juntos e fazendo a maior zona, os seguranças do shopping seguiram o manual da PM brasileira e, imediatamente, começaram a baixar o pau na galera. Como um viral na Internet, o modismo rebelde se alastrou pelo país e outros rolezinhos em ambientes com ar refrigerado foram convocados pelo Facebuça, Twiterson e Instagrana. Alguns shoppings mais elitizados, que só deixam pobre entrar depois de mostrar o passaporte, fecharam as suas portas, horrorizados com a baderna dos jovens emergentes. O über elitizado shopping Leblon chamou a polícia e ameaçou jogar a garotada da periferia dentro das obras do metrô do Leblon que, como todo mundo sabe, é o buraco quadrado mais caro do Brasil.

O pior é o exemplo que vem de cima, a mais de 10.000 pés de altura, como foi o caso do Aerolula. O potente jato presidencial que bebe mais que o ex-atual-presidente em exercício, está fazendo uma verdadeira excursão da CVC de volta ao mundo com a presidenta DilmaRoskoff e seus ministros amestrados. No começo da viagem a primeira presidente cross–dresser da América Latina foi até a Suíça dizer pros banqueiros louros de olho azul que o Brasil vai continuar mentindo sobre os Davos da economia, quer dizer, os dados da economia. Estafada com a suaperformance dramática diante da elite neoliberal da humanidade, a presidenta resolveu dar uma esticada em Lisboa, onde aproveitou que ninguém estava olhando para se hospedar na suíte presidencial de um hotel 5 estrelas e jantar num restaurante caríssimo da capital lusitana. Sempre irritada com a imprensa golpista e a espionagem dos EUA, a presidenta disse que pagou a conta do rega-bofe com o seu próprio dinheiro. Mas que dinheiro dela é esse? O que foi roubado do cofre do Ademar de Barros quando ela era terrorista ou da loja de tudo a 1,99 que a Dilma tinha em Porto Alegre e que faliu? Além do mais, a “salária da presidenta” é pago com a “dinheira da contribuinta”. O que não é o meu caso, é claro, porque todos sabem que depois de minha demissão sumária de O Globo, entrei para as estatísticas do desemprego.

Tem gente que reclama do funk ostentação, mas pra mim, muito pior, é o governo ostentação. Assim como o funk dos rolezinhos, o governo vive gastando em grifes de marca, champagnes caríssimos e isenção de imposto para automóveis importados. Além de torrar dinheiro na campanha presidencial que ainda nem começou, a Dilma vive se mostrando para os países companheiros miseráveis do Terceiro Mundo. É engraçado: o governo resolveu punir os turistas brasileiros que gastam uma nota no exterior mas deixa a Dilma torrar a maior grana num porto construído em Cuba. Construído com dinheiro do BBBNDES, esse porco, quer dizer, esse porto servirá para melhorar as finanças da ilha de Fidel. Sigam-me o meu raciocínio: com esse novo porto, chegarão mais marinheiros em Havana. Sebentos de sexo, os velhos lobos do mar vão gastar suas diárias com as prostitutas cubanas movimentando assim os quadris da combalida economia da olhota caribenha, quer dizer, da ilhota caribenha.

Para se proteger dos ataques da imprensa golpista, o jato presidencial carrega carga muitas bomba e um canhão: a presidenta Dilma Roskoff.

Para se proteger dos ataques da imprensa golpista, o jato presidencial carrega carga muitas bombas e um canhão: a presidenta Dilma Roskoff.

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista de Cristo .

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ROLEXINHO NO SHOPPING

O bom de quando tudo está ruim é que sempre existe a esperança de que tudo ainda pode piorar. Desde que fui demitido sumariamente de O Globo vivo da caridade alheia que, no caso, é a caridade da Isaura, a minha patroa. Isaura, criatura empreendedora, por qualquer trocado franqueia o acesso a partes remotas de sua anatomia para batizados, aniversários, bodas e surubas de firma. Mesmo assim não tem sido fácil mastigar o pão nosso de cada dia que o diabo amassou.

Felizmente apareceram os rolézinhos de shopping, esta nova modalidade de recreação urbana, muita mais agradável que os arrastões da praia. Nos shopping centers tem ar condicionado e não tem areia grudando no corpo. Os rolézinhos são ótimos para conhecer pessoas e aprender novas coreografias de “passinho”. Esta semana fiz um rolézinho com os meus amigos Regina Casé, Caetano Velloso e o Waltinho Moreira Salles pelo Shopping Leblon.

Para tirar uma onda com a rapaziada e correr dos seguranças, coloquei o meu tênis Mizuno de oito molas que ganhei de um diretor de novelas em troca de favores sexuais. Para ficar nos conformes não se pode ir vestido de mané. Tem que usar roupa de grife: boné do MST, camiseta da CUT e bermuda Vilebrequin. Para completar o visual, óculos escuros Ray-ban das Óticas do Povo (morô?), um brinco de diamante do Neymar e um colar de ouro maciço que um amigo meu, bicheiro, emprestou.

Assim que chegamos na praça de alimentação começou a zoação, Waltinho e Caetano Velloso (mascarado do Black Block) organizaram um bonde na escada rolante. Enquanto isso a Regina Casé, sozinha, lotava um elevador para 15 pessoas. Peruas em pânico se trancaram na H Stern, único lugar em que poderiam sobreviver algumas semanas à base de solitários e cartão de crédito. Os seguranças, atarantados, não sabiam em quem bater primeiro, tinha muita gente e era difícil escolher. Aquela arrasadora liquidação de verão estava ficando animada quando sugeri: Aí rapaziada vamos dar um rolézinho na Agência do Unibanco! Mas o Waltinho Moreira Salles peidou.

 – Pô Agamenon, peraí, no meu banco, não. É sacanagem! Vão cortar a minha mesada…

Contrariado com a negativa do Walter, resolvi ir até a Praça de Alimentação para descolar um combo do Mac Donalds, mas aí a chapa esquentou. Alguém avisou que a PM estava chegando cheia de disposição sabendo que o shopping estava fazendo promoção: prenda um e bata em cinco em até dez vezes no cartão!

 Mas eu não me abalei, saí de esguelha, no sapatinho, e me escondi na Livraria da Travessa. PM carioca não entra em livraria, de jeito nenhum.

 

Agamenon Mendes Pedreira é desempregado da periferia, mas periferia estar trabalhando.

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