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ISAURA SEBENTA DE SEXO

No Rio de Janeiro faz um calor infernal. Até mesmo o Diabo, suando em bicas, resolveu pegar o seu tridente e se mandar para África onde o clima é mais ameno.

Nesta canícula medonha, eu a Isaura, a minha patroa, passamos os dias escornados na cama, completamente nus e pelados já que no meu Dodge 73, enferrujado, (agora estacionado na Rua da Amargura depois de minha inexplicável demissão de O Globo) faz um calor dos diabos e não tem ar condicionado.

O calor endiabrado faz aflorar a lascívia erótica nas criaturas e o ambiente é de puro sexo. Assim, Isaura e eu passamos o dia (e a noite também) a fornicar initerruptamente, já que sempre gostamos de nos revezar durante as nossas contendas eroto-sexuais.

Tive que obrigar o Anastácio fazer muita musculação e tomar caracu com ovo para ver se consegue a abanar direito.

Às vezes eu fico por cima, nas outras também. A única engenhoca disponível para aplacar a fúria do verão é um antigo ventilador de teto. Como vocês devem estar imaginando, o pé direito da minha moto-residência é muito baixo. Assim sendo, sou obrigado a coordenar os movimentos de vai e vem ritmados peculiares do sexo, com a rotação das pás do ventilador. Caso contrário, a hélice, em giro frenético, pode acabar tirando um bife da minha bunda calipígea. Isso me deixa muito neurótico!

Confesso que, com essa paranoia do ventilador, acabo sempre perdendo a ereção, coisa que aliás, também acontece com o ventilador desligado. O fato é que na idade avantajada em que me encontro, a memória falha e é muito difícil encontrar o que se perdeu seja um guarda-chuva, uma carteira ou uma ereção.

Insaciável criatura, Isaura sugeriu que contratássemos um rapaz negro, de cor, e bem dotado para ficar nos abanando enquanto praticamos o sexo e assim poderíamos desligar o perigoso ventilador. Dito e feito, enquanto o núbio nos abanava, eu possuía a minha a patroa, a Isaura que, infelizmente, não sentia nenhum prazer.

Exausta e suada, Isaura interrompeu o coito e sugeriu:

-Sabe o que é, Agamenon, meu amor. É que faz muito calor e esse rapaz não sabe abanar direito. Vamos fazer uma coisa, troca de lugar com ele: você fica abanando e o negão fica na cama comigo.

Dito e feito. Não deu outra. Enquanto eu abanava furiosamente, com muito vigor e disposição, Isaura, a minha patroa urrava de prazer embaixo do afrodescendente.

É o que eu digo: essa rapaziada jovem não sabe abanar direito.

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