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Casseta & Planeta na mídia impressa

A formação do grupo Casseta e Planeta está ligada à mídia impressa, com os extintos Planeta Diário Casseta Popular. Esses jornais ganharam as ruas do Rio na década de 1980 e logo chamaram a atenção da sociedade, uma vez que o estilo irônico e o escárnio nas matérias estava ganhando força justamente por ser um período de fim da ditadura. O clima era propício para abusar, tanto que a circulação desses jornais era mais uma forma de demonstrar essa mudança de postura, já que agora não havia mais a censura. O ambiente de abertura ajudou na exploração dos limites da liberdade e o besteirol ganhou força no teatro e a mídia impressa com dois representantes dignos para a época.

Casseta Popular e Planeta Diário

O Casseta Popular, “jornalzinho” irreverente dos estudantes de Engenharia da Universidade Federal do Rio (UFRJ), surgiu em 1978 com o propósito de um política estudantil. Com o passar do tempo, o impresso de baixa qualidade, mas cheio de bobagens, conquistou os colegas da época, mas tudo era muito artesanal. A Casseta Popular tinha como componentes o Beto Silva, Marcelo Madureira e Helio de La Peña, todos colegas de classe. Cláudio Manoel Bussunda se uniram mais tarde para amadurecer o projeto, mas as dificuldades eram muitas. Para tristeza dos cinco, em 1984, chegaou às bancas o Planeta Diário, criado pelos cartunistas Cláudio Paiva, Reinaldo Hubert, com um formato muito parecido com o promovido pela Casseta. No final das contas, a Casseta Popular, mesmo sendo mais antigo, passou a ser tratado como cópia do Planeta Diário.

O destino passou a conspirar a favor dessas duas turmas. O fato de ambas serem oriundas do Rio de Janeiro foi o primeiro fator favorável para a consolidação da parceria. Marcelo Madureira foi o primeiro elo entre os dois grupos, já que desde o início colaborava no Planeta Diário. Nesse momento, acontecem também afinidades de criação entre Madureira e Hubert, parceria responsável pelo texto no Agamenon. A cumplicidade fica ainda maior quando a Casseta Popular passa a ser distribuído pela mesma editora do Planeta, a Editora Núcleo 3, ao ponto das primeiras edições virem com o seguinte destaque: “O Planeta Diário apresenta: Casseta Popular”. Os dois tinham formatos parecidos, mas com sutis diferenças de tratamento. A Casseta era mais escrachado, sem papas na língua, debochava de tudo e de todos sem pensar nas consequências. Já o Planeta era mais trocadilhista e mais literal, usando as piadas de duplo sentindo numa maneira mais branda. Essa mistura de estilos é considerada o diferencial do Casseta e Planeta e característica determinante na coluna do Agamenon.

O fenômeno Agamenon no Jornal O Globo

Agamenon Mendes Pedreira, criado e escrito pela dupla Marcelo Madureira e Hubert, é um personagem com alma própria, na qual o pseudônimo ajudou no mistério de quem estava por trás de tanto deboche. A coluna mantém intacto o espírito inovador dos veículos originais.  Apesar de ser escrito por apenas dois membros do Casseta e Planeta, durante a permanência do Casseta e Planeta Urgente! no ar, a organização dos assuntos tratados na coluna partia das reuniões de pauta do programa (que eram realizadas nas quartas). Madureira e Hubert chegam a brincar falando que a coluna do Agamenon é escrito de forma mediúnica, a quatro mãos simultâneas, como se o espírito do personagem os incorporassem e eles fossem meros instrumentos. A coluna do Agamenon é sucessora de Perry White, personagem intitulado como “o dono” do Planeta Diário, uma brincadeira com o nome e o proprietário do Daily Planet, que aparece nas histórias do Super-Homem. Acontece que a detentora das imagens do Super-Homem, a DC Comics, conseguiu na justiça que não fossem mais usadas no jornal os nomes de Perry e de Clark Kent, que apareciam no Planeta brasileiro como “dono” e “foca”, respectivamente. Com a proibição amadureceu a ideia de criar um outro “grande homem da imprensa”, que veio a ser o Agamenon.

O convite do diretor do jornal “O Globo”, Evandro Carlos de Andrade, em 1989, para que Marcelo Madureira e Hubert Aranha fizessem a coluna humorística, representou uma mudança de postura. Três livros resultaram das colunas e as histórias desse personagem. O mistério nos primeiros anos era tão grande que a dúvida do verdadeiro escritor da coluna do Agamenon resultou em histórias curiosas. O folclore em cima desse “colunista” repercutiu a ponto de acharem que o empresário Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, era o verdadeiro escritor.