A MÁQUINA

– Chefe, dá licença… eu precisava falar com o senhor… É sobre a máquina.
– A máquina, é claro! Eu estou precisando muito dela! A Copa está chegando e eu estou sendo muito pressionado. Preciso da máquina. Quando é que ela vai ficar pronta?
– Pois é… esse é o problema.
– Não me venha com problemas, já bastam os aeroportos que não vão ficar prontos , os estádios inacabados, o wifi que não vai funcionar, as greves , as manifestações…
– É que nós estamos com um probleminha com a máquina também.
– Que probleminha?
– A máquina de desculpas não vai ficar pronta a tempo.
– Não é possível! A máquina de desculpas é o equipamento mais importante da Copa!
– É, eu sei , chefe, mas infelizmente…
– Eu não quero saber! É muita desculpa para dar, como é que eu vou dar tanta desculpa sem uma máquina de desculpas? Ela tem que ficar pronta! Cadê os técnicos japoneses e alemães que eu mandei contratar?
– Eles não toparam. Disseram que já fizeram todo tipo de máquina, mas não tem experiência com máquina de desculpas. Que nos brasileiros é que somos bons nisso.
– E por que os técnicos brasileiros não conseguem terminar a máquina?
– Ah, eles deram um monte de desculpas…
– Pois você se vire, mas a máquina de desculpas tem que ficar pronta! O que você quer que eu diga quando nada estiver pronto na Copa? Que nos somos incompetentes? Que não sabemos planejar? De jeito nenhum! Precisamos de boas desculpas! E sem a máquina de desculpas eu não vou conseguir dar todas as desculpas necessárias. Não dá pra fazer Copa no Brasil sem a máquina de desculpas!
– Bom, chefe , eu não sei o que dizer , mas a máquina de desculpas também não vai ficar pronta a tempo…
– Faz o seguinte: pega todos os técnicos e operários que ainda estão trabalhando nos estádios e aeroportos e desloca para a máquina de desculpas! Se alguma coisa tem que ficar pronta nessa copa é essa máquina!
– Tá bom, chefe, tá bom…

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2 Comentários

  1. Luiz Rodrigues   •  

    Pede emprestada a máquina do Lulla. O problema é que a máquina dele já está pré-programada para as frases padronizadas: “eu não sabia”; “fui enganado” e mais recente “tô por fora”.

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