ENTREVISTA

– Boa tarde, estamos aqui com o presidente da Associação dos Gordos… Presidente, quais são as questões mais relevantes atualmente para os gordos?
– Nós achamos que as pessoas tem o direito de ser gordas sem que isso seja motivo de chacota. Ser gordo é uma opção estética da pessoa e ninguém tem nada a ver com isso. A gordofobia deve ser criminalizada!
– Então o senhor é um gordo assumido?
– Claro. Eu sempre fui gordo, desde criancinha. Por que as pessoas não podem me aceitar como eu sou sem fazer piadinhas? Por que as pessoas podem continuar chamando os gordos por apelidos horríveis?
– Tipo elefante ou baleia?
– Justamente.
– Ou rolha de poço, pudim de banha, cintura de ovo?
– Exatamente.
– Ou bolão, barril, jamanta, lona de circo, tonelada, fofão, montanha…
– Tá bom! Já vi que você entendeu o meu ponto de vista. O que eu estou dizendo é que na sociedade de hoje em dia parece ser normal que os gordos sejam sacaneados, diminuídos!
– Desculpa, mas, no caso, diminuir gordo só fazendo dieta!
– Isso foi uma piadinha?
– Desculpa, eu não consegui evitar.
– Se eu fosse negro ou gay, você fazia piadinha?
– Claro que não, não sou maluco! Mas gordo, pode! E o senhor é um gordo simpático, vai entender… Bom, continuando… Qual é o próximo passo na luta pelo direito dos gordos?
– Nós estamos conclamando todos os gordos a participar de uma grande passeata contra a gordofobia que vai acontecer no próximo sábado.
– Não seria melhor se vocês fizessem apenas uma manifestação, parados, sem andar muito?
– Qual é o problema de fazer uma passeata?
– É que gordo tá sempre fora de forma… não sei vão conseguir andar muito, não é?
– Isso é um absurdo! Você está me desrespeitando! Eu vou embora!
– Calma! Fica aqui. Tudo bem… eu vou mudar a minha atitude, vou ser politicamente correto com o senhor.
– Acho bom!
– Então, nem vou lhe chamar mais de presidente.
– Vai me chamar de quê?
– Se uma mulher presidente quer ser chamada de presidenta, então o senhor, que tem um tamanho avantajado, também tem que ser chamado da maneira correta.
– E qual é a maneira correta?
– Presidentão.
– Eu vou embora!
– Calma, presidentão! Volta aqui! Eu estava só brincando… bom, voltamos amanhã com uma entrevista com a representante do sindicato das louras. Quer dizer, se ela conseguir entender alguma pergunta, né?

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