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DATA VENIA

Outro dia estava em casa de bobeira assistindo a GloboNews que estava transmitindo um julgamento direto do STF. Um dos juízes começou a proferir o seu voto. Ele disse que seria breve, mas não cheguei a escutá-lo pois desliguei a TV porque já estava na hora de ir para a academia para fazer a minha esteira básica.

Saí de casa e caminhei por quinze minutos até a academia. Cheguei lá, comecei o meu exercício e olhei para a tela de TV que fica em frente a esteira. A TV estava sintonizada na GloboNews. O mesmo juiz continuava a proferir o seu voto breve, mas eu não o escutei porque graças a Deus, a TV estava sem som.

Fiz o meu exercício, olhando de vez em quando para a tela. O juiz continuava lá, falando, firme e forte.

Trinta minutos depois, acabei o meu exercício e o sujeito ainda estava falando. Fui para casa, tomei um banho, liguei a TV e o juizão ainda não havia acabado de proferir o seu voto.

Fiquei pensando sobre o assunto e várias perguntas surgiram:

– Por que o sujeito precisa de tanto tempo para proferir um voto?
– Ele não consegue justificar a parada em dez minutos?
– Depois que o juiz profere o seu voto, ele é obrigado a prestar atenção aos votos dos outros juízes?
– Como é que o sujeito consegue assistir a todos os votos dos outros juízes sem cochilar?
– Pega mal se ele bocejar durante a fala do outro?
– Quantos posts ele publica no Face e quantas tuitadas ele dá durante os outros discursos?
– Se o sujeito gasta quase duas horas para dar o seu voto e existem mais dez juízes que gastam o mesmo tempo, como ele arranja tempo para escrever o seu discurso?
– Será que ele faz isso enquanto finge que escuta os votos dos outros juízes?
– Alguém no Brasil consegue acompanhar algum desses discursos inteiro?
– Alguém entende aquelas falas cheias de latinismos e citações a artigos e leis que ninguém conhece de cor?
– Por que a GloboNews passa isso?
– Será que a Globonews precisa mostrar esses julgamentos intermináveis do STF para dar uma folga a sua equipe ou cobrir as férias de algum jornalista?
– Para falar por tanto tempo e conseguir escutar a tantos outros discursos, só mesmo tendo super poderes. É por isso que os juízes do STF usam capas?
– E quando é que eles vão vestir a sunga em cima das calças?

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Carioca está com alergia à Alerj

Há muito tempo se sabe que para combater a corrupção no Rio, os médicos prescrevem anti-Alerj. Mas a ministra Carmen Lucia com o seu voto de minerva, instaurou a epidemia de assembleias passando por cima do justiça no Brasil. Uma prova de que piadas são sempre mais sérias do que aparentam.

A velha piadinha do voto de “me enerva” nunca foi tão verdadeira. Me enervando cada dia mais.
Para livrar a cara de seus chefões, os deputados da Alerj fariam de tudo. Foram capazes até de trabalhar numa sexta-feira!

Durante a votação, na porta da Alerj, a polícia usou bombas de efeito moral. Lá dentro, os deputados usaram votos de efeito imoral.

E o deputado Andre Lazaroni, num discurso para justificar o seu voto, confundiu Bertold Brecht com Bertoldo Brecha. Esse deputado é apenas o atual secretário de Cultura do Rio de janeiro. É bom saber que ele é um profundo conhecedor da obra do dramaturgo Bertoldo Brecha.

Todos sabem que Bertold Brecht foi um dramaturgo alemão, que influenciou toda uma geração. Brecht empolgava-se bastante quando discutia política, e nervoso, ficava com o rosto vermelho como um camarão. A partir dessa sua característica , o genial Brecht escreveu a sua obra-prima, o drama “Camarão é a mãe!” ( no original: “Garnelen ist die Mutter!”)

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República da Odebrecht

A gente achava que morava no Brasil, mas descobriu que mora na República da Odebrecht ou Odebrechtia ou Odebrechtania.

E fica a dúvida: Quem nasce na República da Odebrecht é o que?

A – odebrechtiano
B – odebrechtiense
C – odebrechtieiro
D – otário

(A charge é do Aliedo)

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Sobre a ida do Bolsonaro na Hebraica

Quando era garoto eu frequentei muito a Hebraica. Quando adolescente, fui atleta de futebol de salão e disputei vários campeonatos cariocas pelo clube (chegamos a ficar em terceiro lugar!). Não sou mais sócio há muito tempo, não vou lá há mais de trinta anos, mas tenho uma ligação afetiva com o clube. Hoje, ao que parece, a Hebraica decaiu bastante e é sombra do que já foi.

Mas a decadência desse clube chegou ao ápice quando oportunisticamente resolveu chamar o Bolsonaro para proferir os seus preconceitos por lá. Postei nas redes sociais um filme e um texto que achei que falavam bem (e melhor do que eu seria capaz) da minha indignação com esse convite. E lá nos comentários , alguns soldados do Bolsonaro berraram contra mim (eles berram mesmo quando escrevem). Então, a essas pessoas, e, particularmente aos judeus que apoiam o Bolsominto, quero dizer que:

– Quem por milênios foi imigrante em vários países não devia convidar um sujeito que é contra imigrantes.
– Quem já foi expulso de vários países por ser diferente não devia convidar um xenófobo.
– Quem sofreu com o antissemitismo por toda a história, não devia convidar um sujeito racista.
– Quem é a favor da democracia (e lembrando que Israel é a única democracia no Oriente Médio), não devia convidar um sujeito que prega a volta da ditadura.
– Quem respeita as mulheres não devia convidar um sujeito que, por exemplo, diz que fraquejou porque nasceu uma filha.

Não entendo um ciclo de palestras que tenha apenas uma palestra, a do tal sujeito. Ninguém sabe quais serão as outras. Não estamos em período eleitoral, quando se justificaria chamar todos os candidatos. E pelo vídeo que vi a palestra estava mais para comício.
Bom, essa é a minha opinião.

Se os neo-galinhas-verdes quiserem vociferar nos comentários fiquem a vontade. Bloquearei um a um de minha timeline.

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Crítica de seriado

O roteirista desta serie Brasil 2016/2017 é competente, disso não há dúvida. Criatividade não falta as suas histórias, mas por vezes ele se mostra apressado, abusa da quantidade de tramas que coloca no mesmo episódio. O espectador acaba perdendo o interesse por histórias que são boas e que, se o roteirista não fosse tão afoito poderiam ser trabalhadas com mais calma em episódios posteriores.

Qual é a necessidade de tantas tramas no mesmo dia, muitas delas se perdendo e ficando sem final? Ninguém lembra mais, por exemplo, das histórias de personagens como Eduardo Cunha ou até mesmo de Renan Calheiros, ficaram perdidas em meio a tantas outras tramas. Fios soltos.

A quantidade exagerada de viradas na trama também chama a atenção. Pra que tantas viradas? Roteiros com viradas todos os dias mostram apenas uma certa imaturidade do roteirista dessa série, uma necessidade de mostrar que é criativo, o que certamente não contribui para a qualidade final do programa.

Enfim, apesar de todas essas questões, Brasil 2016/2017 é bom entretenimento. Quer dizer, menos para quem mora aqui.

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