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UMA DELEGACIA ESPECIALIZADA (3)

detetive

Mais um encontro com o delegado Soares da Delegacia Especializada em Crimes do Humorismo.

 Eu estava assistindo ao show de stand up. Foi chocante. Assim que subiu ao palco , o humorista começou a passar mal. Algumas pessoas ainda riram ,achando que mais uma presepada vinha por ali, mas quando o cara desabou no chão, estrebuchando, todos perceberam que a graça tinha acabado. O agente da Delegacia de Humor, delegado Soares, não demorou a chegar. O policial com barba por fazer e cara de sono, jeito de quem não dormia há vários dias,  logo me abordou:

– Você é humorista?

– Sou, mas estava só assistindo…

– Assistindo? Pra que? Estava atrás de piadas novas para roubar?

– Eu não roubo piadas…

– Eu sei… é o que todos vocês humoristas dizem… isso cansa , sabia? E antes do show , você estava onde?

– Estava em casa, posso provar… cheguei em cima da hora do show…

– Ok, você parece inocente… mas não fica tranqüilo não que eu tô de olho!

– Por que esse tratamento, Você tem algo contra o humor?

– Não contra o humor, contra os humoristas. Bons tempos da vida tranqüila na delegacia de roubos e furtos. Casos de assalto, roubo de carga, só moleza… depois que fui transferido para a delegacia de crimes do humor, a vida ficou muito dura… perdi totalmente o humor…

– Não acredito, lidar com humoristas todo o tempo, deve ser muito bom…

– Bom pra quem? Uns acusando os outros de roubarem suas piadas, o tempo todo, e a polícia do humor tendo que intervir em cada caso de roubo de piada, assalto de twittes engraçados, textos copiados, nenhum escrúpulo!  E agora esse assassinato…

– Que assassinato? O cara passou mal no palco…

– Será? – o policial, cético, partiu para conversar com os  humoristas que se apresentavam naquele show.

O primeiro  depoimento foi o de um comediante  gordinho que em seu show se dedicava a fazer piadas sobre a sua gordura.

– Você conhecia o morto?

– Conhecia há pouco tempo, ele começou a fazer shows aqui há um mês.

– E o show dele era bom?

– Pra falar a verdade , não muito…

– Ele roubava piadas suas?

– Não… ele era magro, eu trabalho mais com piadas de gordo.

O segundo interrogatório foi com um humorista que fazia mais o gênero  nerd.

– Ele roubou piadas suas?

– Não.

– Você roubou piadas dele?

– De jeito nenhum! Pra falar a verdade ele era meio ruinzinho…

– O público vaiava?

– Não, acho que não, na verdade…

– Na verdade o quê?

– Bom… na verdade, as pessoas gostavam… quer dizer algumas  meninas… elas achavam ele bonito…

Mais um interrogatório, outro comediante , esse feio.

– Ele era bonito?

– É… as meninas achavam.

– Elas gostavam do show dele?

– Não sei … eu só ouvia elas gritando “lindo” pra ele durante os shows…

– Soube que vocês pensaram em tirar o morto do show?

– È… nós pensamos…

– E por que não tiraram?

– Chegamos a anunciar isso , mas houve reclamações…

– Quem?

– Algumas… – o sujeito titubeou, mas diante do olhar duro do policial , completou a frase –  algumas meninas…

O agente encerrou os interrogatórios. Fui ao seu encontro e perguntei, irônico:

– E aí, mais um caso de roubo de piadas?

– Você ta brincando não é? Mas a coisa é séria! Caso complicado, mas acho que já sei o que aconteceu.

Pois é, dois dias depois soube do desfecho do caso. O detetive Soares tinha razão, o caso era sério e complicado. O humorista não foi vítima de um mal súbito no palco. Ele foi envenenado. Assim que acabou os depoimentos , o detetive Soares, desconfiado,  mandou revirar o camarim dos humoristas. Uma empada encontrada no lixo revelou a artimanha: o humorista morreu ao ingerir a empadinha, que estava recheada com galinha e veneno de rato. Uma prensa nos stand ups e logo eles confessaram: acertou quem disse que foi o gordinho que ofereceu a empadinha, mas quem apostou nos outros dois nerds também ganhou. Os três se associaram para acabar com o humorista bonitão. Humoristas profissionais , mas assassinos amadores. Não contavam com a experiência do delegado Soares, titular da Delegacia Especializada em Crimes do Humorismo. Soares suspeitou desde o primeiro minuto, e os depoimentos só vieram a confirmar. Foi o que ele me explicou quando voltei a encontrá-lo:

– Você acha mesmo que eles mataram o sujeito só porque era bonito? – perguntei.

– Claro! O humorismo está ficando muito perigoso, meu filho. Imagina a cena: as mulheres iam ao show e  não olhavam mais para os outros stand ups, nem ligavam mais para as piadas, só tinham olhos pro bonitão, e nem importava o que ele falasse… Os humoristas  gordinhos, nerds, feios, não puderam suportar. Por que um cara bonito estava fazendo show de stand up? Por que não foi ser galã ou modelo? Um sujeito sem graça deixando as meninas loucas num show de humor por conta da sua beleza?  Estava pedindo pra morrer!

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NOVOS BOTÕES PARA O FACEBOOK

facebook

Dizem que o Facebook está testando um novo botão . Seria o “quero” , que as pessoas clicariam quando quisessem algo que fosse postado.  Parece que o botão original era “quero morrer numa grana” , mas ficou muito explícito que era uma jogada pra ver se o Zuckerberg conseguia embolsar mais um bilhãozinho de dólares pra comprar mais uma camiseta cinza.

O que fica evidente para mim é que existem vários novos botões que deveriam ser criados e não sei por que ainda não apareceram.

Além das existentes “curtir” e “cutucar”, outras palavras que não se falava mais desde a década de setenta concorrem para virar novos botões do facebook. Que tal “bocomoco” ou “barra limpa”?

Olha só alguns novos botões que certamente  seriam muito bem recebidos:

O botão “foda-se” , um dos mais pedidos e desejado por todos.

O botão “peteleco na orelha” para acompanhar as cutucadas, já que é provado que o cara que fica cutucando é o mesmo chato que dá petelecos na orelha dos outros.

O botão “enfia”, que funcionaria como o oposto do “quero”.

O botão “chupa”, que seria uma ótima ferramenta pra gente sacanear os torcedores do time adversário.

O botão “solta o cachorro nele” pra gente tentar espantar as milhares de postagens com fotos de gatinhos fofinhos que enchem a nossa timeline.

O botão “não concordo”, simples e objetivo,  pra gente não perder muito tempo tentando responder as elaboradas teorias políticas dos nossos amigos que acham que a opinião deles é tão boa que a gente vai mesmo ler aqueles parágrafos enormes que eles postaram.

O botão “adoraria, mas nem fudendo” pra gente responder aos trocentos convites que nos mandam por dia no face.

O botão “E o Kiko?” pra você poder responder “E o que que eu tenho a ver com isso?”

E aí, alguma outra sugestão?

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PELADEIROS

5155bola

Os peladeiros vão chegando. Ainda são poucos.

– Pouca gente pra caramba! Assim não vai ter pelada!

– É a chuva… só parou de chover agora! Eu quase que não venho também…

– Pô, jogar com cinco de cada lado é um saco! O campo fica muito grande… tem que ter seis de cada lado!

– Ai, vamos chamar o Vandeco. – o peladeiro aponta pro travesti que mora ao lado da quadra e está sempre por ali. O outro peladeiro faz cara feia.

– Qual é o problema? Eu já vi ele jogar, ele joga bem.

– Mas o Vandeco é um traveco, pô!

– Mas joga bem, eu já vi, ele é craque.

– Tu viu o Vandeco jogar aonde?

– Aqui mesmo. Eu passei aqui num dia de semana e vi ele batendo uma bola…

– Aí, que bola é essa que tu viu o Vandeco brincando?

– Eu não vou jogar com travesti não! É esquisito! – mandou logo outro peladeiro.

– Tá com medo de levar uma entrada mais dura e apaixonar?

– Vou ali chamar o pipoqueiro!

O jogador se aproxima do pipoqueiro da esquina.

– Ai, tá a fim de jogar uma bolinha ali? É pra completar o time…

– Ih, rapaz, não vai dar não…

– Bora, vamos nessa… faz esse favor, senão talvez nem role a pelada

– Não é nem por causa do serviço, que hoje o movimento tá fraco… é que…  eu não jogo muito bem…

– Não tem nada não… tem um monte de pereba ali… é só pra completar a pelada… é só uma brincadeira…

– Bom, se é só pra brincar… tudo bem…

O pipoqueiro fecha a sua máquina de pipoca e tira o avental. O jogo começa. E rapidamente se percebe que o cara tinha falaso a verdade, não joga nada mesmo. O jogador que o chamou para a pelada vai se irritando.

– Pô! Não consegue passar uma bola direito!

O pipoqueiro entrega uma bola pro adversário que faz o gol.

– Caraca! Tu entregou o gol!

O pipoqueiro fura uma bola cara a cara com o gol.

– Eu não acredito! Tu tá de sacanagem?

– Mas eu avisei que não jogava nada!

O jogador não quer sabe, parte pra cima do pipoqueiro.

– Não é possível! Tu tá fazendo isso pra gozar com a minha cara!

– Eu falei que não sabia jogar! – o pipoqueiro pereba tira o colete – Eu não vou mais jogar! Tava fazendo um favor , pô!

– Calma, não vai embora não , fica aí, vai desfalcar a pelada! – outro jogador tenta esfriar os ânimos. –  Porra, galera o cara  não tem culpa de ser é ruim, pô!

– Tu fala isso porque ele não tá no seu time!

– Tá bom! O pipoqueiro grosso troca de time!

– Pô, pipoqueiro grosso é sacanagem! – reclama o pipoqueiro grosso.

– Deixa de frescura, meu irmão, joga aí, fura as suas bolas aqui no meu time!

A pelada recomeça. Mas um dos jogadores está nervoso. Ele caça um adversário, entra cada vez mais duro no adversário. Em um lance perto da área,  leva um drible desconcertante e não titubeia, senta o sarrafo no cara, que cai sentindo a perna.

– Calma ! Isso não é final de campeonato não!

– Pelada é pra macho!

– Tu tá maluco? Quase quebrou o cara!

– Entrei normal, o cara é que é frouxo!

– Pô, tu tá batendo no cara desde que a pelada começou!

– É, tá misturando a pelada com coisa que tá acontecendo fora de campo!

– Não tem nada a ver! Não tô misturando nada!

– Todo mundo tá sabendo que o cara tá namorando a tua filha…

– Quem tá namorando quem? – ele parte pra cima do outro e começa uma confusão que só acaba com o grito do contundido que continua estatelado no chão.

– Para com essa briga que eu quebrei a perna , pô!

Confusão geral, ninguém quer levar o cara pro hospital,  até que alguém diz que chamou uma ambulância. A ambulância chega. Os jogadores se aproximam do médico e ficam trocando umas ideias. O coitado com a perna quebrada continua lá, deitado no chão. Até que um dos peladeiros se aproxima dele.

–  E aí,  como é que tá isso aí?

– Pô, tá doendo pra cacete!

– Aí, tu consegue agüentar essa dor aí?

– Até o hospital eu aguento, né?

– Não, eu tô dizendo, agüentar uma horinha aí… sabe o que é, é que o médico e o motorista  da ambulância toparam completar a pelada no seu lugar e no lugar do pipoqueiro grosso!

– Mas eu vou ficar aqui sozinho?

– Não! DE jeito nenhum! – o cara grita pro traveco que ainda estava por ali – Vandeco! Cuida aqui dele!

E a pelada assim rolou numa boa!

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After Hours

POST_BLOG_DO_BETO_AFTER_2012_09_28

Chegar em casa e encarar a gorda da sua mulher era um castigo para o sujeito! Por isso, ele ficava no trabalho fazendo hora até mais tarde. Até o dia que pintou um gerente novo na área, que resolveu que não dava pra ninguém ficar de papo depois da hora. Se ele quisesse ficar, tinha que trabalhar.

Trabalhar depois do expediente era um suplício para o cara! Quando  acabava o seu horário, ia até o bar da esquina jogar conversa fora com o seu Manoel, o dono do estabelecimento. Apesar de vascaíno, o portuga não era um energúmeno completo. Até que o filho da puta do filho do galego buzinou nos ouvidos dele que não dava pra ficar aceitando fiado de marmanjo. Se ele quisesse beber, tinha que pagar antes.

Agüentar papo de lusitano vascaíno, e com a garganta seca, era uma merda para o cara! Passou a fazer hora numa pracinha que ficava a uns 2 quarteirões da sua casa. Ficava fazendo palavras cruzadas até o dia que cruzou por ele a mãe da sua mulher. Passou por ali e cismou que ele estava traindo a filha!

Passar por conquistador sem estar comendo ninguém era um vexame para o cara! Resolveu dar em cima de uma telefonista engraçadinha lá da sua seção. Ficavam dando uns arrochos espertos na porta do trabalho, depois do expediente. Mas o tesão era grande e a menina não era a fim de chegar aos finalmente.

Ficar só no roça-roça e no cinco contra um era um inferno para o cara! Aquilo estava deixando o sujeito com o diabo no corpo. Resolveu tratar disso num culto que ficava perto do trabalho. Mas lá só se falava em demo, satanás, cão, lúcifer e belzebu. E o tal do pastor que comandava a igreja cobrava uma taxa de administração pra salvar a galera daquela corja toda.

Pagar caro pra acabar com a sacanagem na terra era uma besteira para o cara! Ele se amarrava numa sacanagem! Fez amizade com o porteiro de um cinema que só passava filme pornô. Via duas sessões e quando chegava em casa a mulher já tava dormindo.

Ter que olhar pra a bruaca da sua mulher depois de ver aquelas gostosas todas no cinema era uma sacanagem pra o cara! Ele já estava ficando doente. Parou de ir ao cinema. Resolveu aceitar o convite de um colega de trabalho e foi numas reuniões do sindicato. Falavam as pampas de um sujeito chamado Lênin, que nunca apareceu por lá. E era um tal de socialismo pra cá, socialismo pra lá…

Ficar fazendo social com uma porção de barbudo desocupado era um saco para o cara! Passou a ficar matando tempo na esquina do trabalho conversando com os bicheiros. Tava tudo legal até que os caras começaram a olhar virado pra ele. Parece que estavam desconfiando que ele era X-9!

Passar por dedo-duro era um absurdo para o cara! Logo ele, que sempre foi malandro! Malandro honesto, mas malandro. E agora, o que  ia fazer pra não ter que encarara a mulher? Ficava zanzando pelas ruas até tarde. Entrava em tudo que é beco e ruela. Até que um dia, num desses becos, dois marmanjos o assaltaram. Levaram a grana e a roupa. E não pararam aí. Os filhos da puta ainda enrabaram o cara! Porra! Vê se pode! Ser enrabado era demais para o cara! Ser enrabado era o cúmulo para o cara! Ser enrabado era foda para o cara! Ser enrabado era … era… era… melhor do que encarar a gorda!


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Atitude Rock’n Roll

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Eu sou fã de rock. Como um cinqüentão que foi adolescente na década de setenta eu me amarro em rock. Cresci ouvindo Led Zeppelin, Deep Purple, Yes, Emerson, Lake and Palmer, Genesis, Pink Floyd… E parei por aí. Anos depois descobri o Nirvana e voltei a curtir rock. E com o advento do Ipod dá pra resgatar um monte de músicas antigas e ouvir numa boa. Mas apesar de ser roqueiro, de me amarrar no som de uma guitarra distorcida eu às vezes tenho vergonha de admitir isso. Por quê? Qual é o problema? Tem tanto jovem que gosta de rock!
O problema são as roupas. Será que pra tocar rock o cara é obrigado a se vestir daquela forma escrota? Tem que ter cabelão , vestir  roupas pretas , de couro, cheias de tachas e caveiras, usar bandanas,  e, principalmente  usar aqueles cintões com fivelão? Qual é a idéia dos cintos? É pros roqueiros  serem confundidos com cantores sertanejos? Não dá pro cara tocar rock´roll e se vestir normalmente? Até uma camisa do Faustão é melhor que o visual rock´n roll!
“É que roqueiro tem que ter atitude!”, alguém me explica.
Porra , não é uma boa atitude largar essas roupas ridículas e ir numa lojas comprar umas roupas mais maneiras?
“Ah, não, roqueiro tem que ser revoltado, entendeu?”
Porra, eu também fico revoltado quando vejo um monte de velhos ridículos se vestindo como se ainda estivessem nos anos 70, com a mesmas roupas, só que bem mais apertadas por conta das barrigas que cresceram.

Por isso eu adorei quando o System of a Down veio ao Rock in Rio. Além de ser, na minha opinião, o que tem de melhor no cenário do rock atual, os caras ainda marcaram mais um pontaço comigo. O vocalista  cantou vestindo uma camisa social! E branca! Sem caveiras, sem tachas pregadas pelas roupas! Sem bandanas! E principalmente, sem cintão! Isso é que é atitude Rock´roll!

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Pitacos variados e pensamentos soltos

ferrari

Da série “Descobertas científicas que melhorariam o mundo de verdade”: Cientistas descobrem que a cada vez que um homem aperta o acelerador de sua Ferrari amarela para mostrar o incrível ronco do motor, seu pênis decresce em média 1 milímetro.

Bandeirinha é a única profissão que quando o cara erra 80% das vezes, é considerado um bom profissional.

Campanha de utilidade pública – leia um livro durante o horário eleitoral

Eu queria saber como é que um monte de gente falando o seu nome e número pode ajudar alguém a escolher o seu vereador?

Questão da prova de jornalismo:
O que é notícia?
a- Adriano faltou ao treino.
b- Adriano compareceu ao treino.

Paralimpíada sem O, brazuca com Z… aí gringada, aproveita que a galera aqui tá topando tudo e muda outras palavras também:
que tal footbol?
E Maracanã? Esse til é foda de falar, que tal Maracanation?
E a Copa do Mundo, por que não transformar em CUPa do mundo?  Fica a dica.

Pra finalizar eu só queria dizer que eu já desfilei no 7 de setembro quando servi o exército. Minha mãe me disse que fui o único que marchou certo.

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