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O ELEVADO

Eu tenho passado pelo viaduto do Joá quase todos os dias. Pra quem não é do Rio, o viaduto do Joá é o que liga a Zona Sul a Barra da Tijuca, praticamente a única ligação. É também o tal viaduto que está em estado crítico, em petição de miséria, várias fotos já foram postadas na internet mostrando o concreto completamente corroído e as ferragens a mostra. Você olha pras fotos e pensa imediatamente: esta porra vai cair! Como é que se deixou um viaduto tão importante chegar a este estado? Pois é, não vou nem tocar na palavra manutenção, porque no Brasil essa parada de manutenção não rola mesmo. Parece que na próxima edição do Aurélio , eles vão retirar a palavra por falta de manutenção. Pois é, apesar disso tudo, a gente continua passando pelo elevado, porque como já disse , é a única ligação da zona sul com a Barra, vai fazer o quê? Aí as otoridades se deram conta de que a parada estava sinistra e resolveram que tinham que dar um jeito. Estudaram o problema e o primeiro orçamento para consertar o negócio foi de 7 milhões de reais. Depois refizeram as contas e deu 70 milhões. Um pequeno erro, apenas um zero, isso acontece… Eu mesmo cometi esse pequeno erro outro dia, fui num restaurante e paguei 7 reais, e no final a conta era de 70 reais, eu expliquei que era um errinho de nada , “só um zero, pô, que nem o elevado!”, mas o garçom não quis entender, ameaçou até chamar a polícia… Bom, mas enquanto a obra não sai, uma atitude precisava ser tomada, vai que o viaduto cai , como é que ficam os votos da galera? Seguindo instruções de engenheiros, havia uma medida paliativa a se tomar antes das obras começarem: era necessário diminuir a velocidade dos carros que passam pelo elevado (parece que a idéia é de evitar freadas, que podem mexer com a estrutura , se não é isso, é algo assim). Então a medida foi tomada: se estabeleceu que a velocidade limite em cima do viaduto era de 60 km/hora. Colocaram placas, pintaram um aviso no chão, e pronto, esperaram que alguém obedecesse. Hoje eu fiz um teste, andei pela pista da direita respeitando os sessenta quilômetros e nove carros me ultrapassaram na ida e outros nove na volta. Dezoito carros andaram a mais de 60 km por hora e tudo bem. Além de mim , parece que apenas os motoristas escandinavos que cruzavam o elevado obedeceram a velocidade máxima permitida, os brasileiros nem tomaram conhecimento. Então, após esse enorme prólogo vem a minha ingênua questão:
Sabendo que ninguém obedece ao limite de velocidade no elevado do Joá, o que você acha as autoridades vão fazer?
a) Ser mais rígidos! Diminuir a velocidade permitida para 50 km/h, colocar placas com a nova velocidade, pintar o chão com a nova velocidade e depois ir pra casa.
b) Ser mais flexíveis, aumentar o limite de velocidade para 100km/h e pedir encarecidamente para as pessoas não frearem seus carros.
c) desistir de uma vez, tirar as placas que colocaram e limpar as pinturas dos avisos do chão.
d) só permitir a passagem de escandinavos no elevado
e) nada.
obs: a ideia de fiscalizar a velocidade dos carros eu nem me dei ao trabalho de colocar como opção, porque sabe como é o nosso país, essa parada de fiscalização não rola mesmo. Parece até que na próxima edição do Aurélio…

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PITACOS VARIADOS E PENSAMENTOS SOLTOS

POR QUE NÃO FUI NA CAMPUS PARTY?
Acho que se eu tivesse chegado no mundo uns trinta anos depois do que nasci , teria sido um nerd e estaria na campus party. Mas quando eu tinha 20 anos ainda não existia computador pessoal, nem celular, nem videogame, nenhuma dessas maravilhas tecnológicas e a única atitude nerd possível era não comer ninguém.

SUPERBOWL
Domingo parei pra ver o Superbowl. Gosto sinceramente de futebol americano, entendo as regras, mas só vejo jogo de futebol americano uma vez por ano, justamente no superbowl. Agora , futebol de verdade, o que se joga com o pé e com bola redonda, esse qualquer Fluminense x Quissamã eu tô grudado na tv!

No intervalo do superbowl tem sempre um showzaço. Esse ano foi a Beyonce, que é muito boa, em todos os sentidos! Confesso que até hoje não sei direito se o nome dela é Biônce ou Bioncê. O show foi do cacete, americano é fera nesse tal de entretenimento. Mas fiquei pensando: ainda bem que o Brasileirão não tem final, se tivesse, certamente o show do intervalo seria do Munhoz e Mariano!
E não é que no meio do jogo mais importante dos americanos acabou a luz nos estádios. Só o que a galera nos states falava era: imagina no superbowl!

CARNAVAL
Ainda não sei o que vou fazer no carnaval, se vou me esbaldar no Bloco do Fico em Casa ou se vou conseguir sair no Cordão do Foge pra Serra.

E PRA FINALIZAR:
Renan discursou dizendo que a ética não é fim , é meio. Alô, senador, ética é princípio!

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MALHANDO E ANDANDO

Dois cinquentões se encontram:
– E aí, tudo bem? Tá sumido hein, não te vi mais na academia.
– É, andei meio sumido, mas não parei não , ainda tô matriculado na academia … essa semana eu vou com certeza. E você , malhando muito?
– É, mais ou menos, andei sem ir um tempo… mas eu tenho corrido na praia.
– Eu também corro, mas na Lagoa. É muito bom, mas nas últimas semanas não deu pra ir , andou chovendo muito …
– Eu também fui prejudicado pela chuva, e esteira não dá, é muito chato!
– Chato demais , ficar andando sem sair do lugar…
– Andar? Tu não corre?
– É, na verdade, eu não corro mais, o meu joelho já pediu arrego… mas andar é legal também…
– É, muito legal. Por isso eu tenho andado mais que corrido…
– Ué, mas você não disse que não tava indo por causa da chuva?
– Pois é, quando eu vou, eu ando mais que corro.
– Agora eu tô pensando em dar uma mudada: semana que vem vou começar a fazer natação…
– Natação é muito bom, eu me amarro… Tai, vou fazer natação também! Aonde você vai fazer?
– Não sei, não pesquisei ainda, sabe como é, aquela coisa que você vai deixando pra amanhã…
– Sei como é, eu fiz assim com o pilates! Ia começar na semana passada, mas não rolou…
– Eu também prensei em fazer Pilates, mas ficou só no pensamento.
– Sabe o que dizem que é legal? hidro-ginástica.
– Tá de sacanagem, hidro-ginástica é coisa de velho! E eu tô em forma , pô!
– è, tô vendo… Então tá, vou indo… a gente se vê. Na academia!
– É, na academia. Ou na natação! Tchau!
Pois é , um desses caras podia ser eu.
Pensando bem, o outro também!

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PITACOS VARIADOS E PENSAMENTOS SOLTOS

Li o anúncio:
Quer emagrecer? Pergunte-me como.
Eu então perguntei: como?
E me responderam: É claro que não come. Faz dieta, idiota!

Uma dúvida: de onde os BBBs antigos se conheciam antes? Das reuniões de ex-BBBs anônimos?

Na Venezuela não tem Big Brother porque toda semana o Chávez é líder.

Quando o cara era adolescente ele fez uma tatuagem. Na tatuagem estava escrito: “quando eu for mais velho vou me arrepender disso”

Que calor! Muito calor faz a gente ficar repetitivo. Que calor! Eu já disse que tô com muito calor?

História que me contaram:
A menina foi na loja e experimentou a calça bem atochada.
Perguntou pra moça da loja:
– Tá dividindo?
– Um pouquinho, mas não dá nem pra notar.
– Não, eu perguntei em quantas vezes no cartão!

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DOIS MOMENTOS EM QUE ME SENTI FODA

Os momentos da vida em que a gente se sente foda são poucos. E quase sempre que acontece algo tão bom, que faz a gente se achar foda, quase ninguém tá vendo. Comigo por exemplo, eu lembro de dois momentos em que me senti foda, e nas duas oportunidades, pouca gente testemunhou ou prestou atenção.
A primeira vez foi há muito tempo, quando eu era adolescente e jogava futebol de salão. Faz tanto tempo que o jogo nem se chamava futsal ainda e não valia fazer gol dentro da área. Minha posição era ala direita, e eu era considerado um bom jogador, habilidoso , bom passe e que chutava com as duas pernas (uma de cada vez) . Jogava pela Hebraica, e o nosso time estava bem naquele ano, não chegava a disputar o título, mas ficava ali entre o terceiro e quarto lugar, fazendo aquele papel de time que atrapalha os que estão disputando o título. E foi no jogo contra um time que disputava o título, o Fluminense , logo o meu time de coração, que aconteceu o momento em que me senti foda. Não, não foi um golaço ou uma jogada espetacular. Na verdade eu não podia jogar naquele dia , estava contundido. Mas fui lá dar uma força pros meus companheiros. Antes do jogo começar eu fui ao banheiro esvaziar a bexiga . Quando já estava saindo do banheiro, um menino chegou perto de mim . Ele era bem baixinho, devia ter uns 8 anos no máximo e vestia uma camisa do Fluminense . O menino então me perguntou:
– Você que é o Beto, que joga na Hebraica né?
– Sou eu mesmo.
– Você não vai jogar , né?
– Não, eu tô machucado.
– Beleza! – ele gritou e pulou como se estivesse comemorando um gol. E saiu do banheiro correndo, feliz pra espalhar a notícia pros seus amiguinhos. Nunca ninguém deu tanta importância ao meu futebol quanto aquele torcedor adversário. E eu , mesmo sem jogar me senti um jogador foda, muito mais foda do que quando eu jogava!

Outro momento em que me senti foda é mais fácil de mostrar com uma foto. Olha só lá na última linha:

Então, era ou não era pra se sentir foda?

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ESTADOS UNIDOS, ANO DE 2030…

Numa casa de subúrbio americana, um pai espera acordado a chegada do filho de 17 anos.
– Meu filho, você voltou tarde, estava onde?
– Ah, pai, tava com a galera…
– Fala , menino! Confessa que você estava no baile funk , não estava?
– Tava , pai, qual é o problema? Não tem perigo não!
– O problema é que lá só toca essa porcaria de funk brasileiro!
– Lá não toca só funk!
– Toca o que mais?
– Toca pagode também!
– Tá vendo! Só música brasileira! Por que vocês não escutam a nossa música, qual é o problema com o velho rock´n roll americano?
– É velho , como você disse.
– Mas funk brasileiro? Pagode? Você não é brasileiro, é americano! Você só quer saber dessas coisas brasileiras. Jogou soccer a tarde toda!
– Soccer não, futebol!
– Futebol é com a mão! Você e seus amigos jogam com o pé! Você jantou pelo menos?
– Jantei pai, comi numa churrascaria com meus amigos…
– Churrascaria brasileira? Até a comida é brasileira! Assim não dá, vocês jovens só querem comer porcaria brasileira… é só churrasco, feijão, arroz, farofa, banana…
– Ah, pai, comida boa é brasileira!
– E por que vocês não comem hambúrguer com batata frita, comida típica do seu país?
– Ninguém mais come isso! Faz mal!
– Faz mal nada! Faz bem! Eu comi isso a vida toda e tô ótimo! O que faz mal é essa mania de que tudo que é brasileiro é que é bom!
– Pai, o mundo mudou, não é mais como no seu tempo… e dá licença que eu vou dormir que tenho que acordar cedo.
– Acordar cedo pra quê?
– Marquei uma roda de capoeira com os meus amigos…
– Capoeira! Não acredito! Meu filho, vamos falar sério: toma aqui mil dólares pra largar essas coisas todas e voltar a ser um típico americano.
– Mil dólares? Você tá me corrompendo?
– É … uma pequena contribuição pra ver se você pelo menos volta a jogar beisebol como um bom americano.
– Valeu, pai! Um bom suborno tipicamente brasileiro! Sabia que um dia você ia me entender.

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