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DELAÇÃO PREMIADA

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– Oi, Vanda, tudo bem? É o Osvaldo.
– Tudo bem. Peraí, que eu vou chamar o Jorge.
– Não, não! É com você mesmo que eu quero falar.
– Comigo? Tem certeza?
– Tenho. Você pode até achar um pouco estranho…
– É estranho mesmo. Você mal fala comigo. Às vezes nem dá bom dia…
– É, eu sei. Desculpa por isso. Mas na verdade eu tenho uma proposta pra fazer pra você.
– Proposta? Nossa, tá cada vez mais estranha essa conversa.
– Tudo bem, eu vou explicar. É o seguinte: eu estou devendo uma grana preta para o seu marido… e eu te procurei, para negociar essa dívida contigo.
– Comigo? Mas quem trata dessa parte financeira é o Jorge.
– Eu sei. Mas a proposta que eu tenho é pra você.
– Não estou entendendo.
– Eu queria fazer uma delação premiada.
– Delação premiada?
– É, eu abro o jogo sobre o seu marido e você, em nome do casal, perdoa as minhas dívidas.
– Abre o jogo? Como assim?
– Eu falo tudo que sei sobre o seu marido.
– Tudo?
– É, eu sei muita coisa sobre o Jorge…
– Bom, eu tenho que pensar… e se você vier com um monte de invenções, disse-me-disse? Você tem a maior fama de mentiroso, 171… se você estiver me colocando contra o Jorge só pra se safar da dívida?
– Não, eu vou apresentar as provas. Vai funcionar que nem lá em Brasília. Eu delato, apresento as provas, dou nomes, lugares, você vai lá dá o flagra. E depois que você se separar dele, eu vou delatando todas as contas e negócios que ele tem e você não sabe.
– Ele tem negócios escondido de mim?
– Um monte. Eu vou delatando, você vai pegando o dinheiro dele e me liberando das dívidas.
Vanda pensou um pouco e acabou topando. A operação levou o nome de Flagra-a-jato.

45
ao todo.
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FESTA DE CASAMENTO DE GRAÇA

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Depois de anos de insistência da moça, o sujeito enfim topou casar. Mas o cara era muquirana, um mão de vaca renomado, e impôs como condição que a festa tinha que ser barata, quase de graça, senão ele não casava. A noiva logo apresentou um orçamento bem em conta, mas o cara rejeitou.
– Precisa de tudo isso? Pra que vídeo do casamento?
– Benzinho, o vídeo é a coisa mais importante! Depois a gente posta no Face , as pessoas ficam vendo e curtindo…
– Tá, tudo bem, então a gente faz o seguinte: convoca uma manifestação pra porta da festa do casamento. Aí a Mídia Ninja aparece e filma tudo ! E de graça!
– A Mídia Ninja? Tá bom… – a noiva topou meio sem graça.
O cara continuou examinando o orçamento da festa.
– E pra que gastar esse dinheiro todo só pra fazer uns convites?
– Mas benzinho, as pessoas tem que saber da festa.
– Eu tenho um plano: uma semana antes do casamento você coloca o vestido de noiva e sai com as amigas pra beber. Elas pagam a bebida, é claro. Aí, depois é só você sair dirigindo seu carro procurando uma blitz da Lei Seca.
– Não tô entendendo…
– A ideia é simples. Quantas vezes você já viu uma noiva parada na Lei seca? Nunca! Então, A imprensa vai adorar! Vai encher de fotógrafo e no dia seguinte vai sair matéria em tudo que é jornal e todo mundo vai ficar sabendo. Agora presta atenção: você só não pode se esquecer de dar o endereço da festa do casamento quando for entrevistada, entendeu? Pronto, resolvida a questão do convite. E de graça!
– Tá bom… – a noivinha topou meio cabisbaixa.
O muquirana continuou criticando os gastos da festa.
– Música? Precisa de música?
– Ah, benzinho, as pessoas gostam de dançar …
– Então vamos marcar a festa ao lado de um baile funk. Aí o som do baile vaza e anima a nossa festa também. Vai ser um sucesso!
– Mas benzinho, você não gosta de funk.
– Se for de graça eu gosto.
– Ah, então tá bom. – a moça topou de novo – mas eu topo isso tudo com uma condição.
– Se for de graça, eu topo qualquer coisa.
– Tá bom, então quando o funk estiver bombando , a sua mãe tem que dançar o quadradinho de borboleta!
Foi um bom argumento. O cara resolveu abrir a mão.

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ao todo.
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