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A FILA ANDA

Cheguei no banco e me desesperei, a fila do caixa era enorme. Mas eu tinha que pagar umas contas, então resolvi encarar. Assim que assumi o meu lugar no fim da fila, ela andou um pouco, mas o sujeito que estava na minha frente lendo um jornal e não se mexeu.
– Meu amigo, a fila andou. – Eu o avisei.
– Eu vi. – o cara falou.
– E por que o senhor não andou?
– Pra quê?
– Ué, porque é assim que funciona. Quando a fila anda, a gente anda com ela.
– Eu não acho. Eu prefiro ficar parado e andar só quando valer a pena.
– E quando vai valer a pena?
– Quando tiver pelo menos uns 3 metros para andar.
– E se alguém aproveitar o espaço vazio e entrar na fila?
– Não vai acontecer, eu tô de olho.
A fila andou mais um pouco, mas o sujeito permaneceu parado.
– O senhor não vai andar mesmo?
– Ainda não.
– Não é assim que funciona, meu amigo, a gente tem que andar, nem que seja um centímetro! É psicológico, entende?
– Psicológico?
– É… assim a gente tem a sensação que tá andando. Mesmo devagar, pelo menos tá indo pra frente.
– Eu não tenho problemas psicológicos.
– Nem eu! Mas é que se a fila tá parada, a gente acha que nunca vai ser atendido!
– Mas a fila não tá parada!
– Ela tá parada sim. A partir do senhor ela não anda.
– Mas quando eu andar, vou andar muito e a sensação vai ser boa!
– Mas agora a sensação é ruim!
– Ruim pro senhor, não para mim.
Vi que não adiantava argumentar e achei melhor mudar de fila. Fui para a fila ao lado que, por não ter ninguém emperrando, estava bem na frente.
Foi de lá que eu vi o babaca ser atendido muito antes de mim!

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