O verdadeiro cientista social não é aquele que fica estudando escravismo, neocolonialismo, instrumentos do poder ou babaquices afins. O cientista social que quer transformar, que quer realmente transgredir, tem que se voltar para os temas que afligem de forma profunda a cultura de nosso povo. Todo mundo sabe que o Brasil é o país dos punheteiros, menos os cientistas sociais. Já está na hora de nossos acadêmicos estudarem assuntos sérios como a punheta, em vez de ficar descabelando o palhaço pra Luma e pra Luiza entre um documento histórico e outro. Mais teoria e menos prática!
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A liberalização dos costumes, notadamente nos últimos anos, fez com que o mercado de enredos punhetais aumentasse sobremaneira, trazendo novos problemas para os nossos adolescentes punheteiros e aumentando a produção de punhetas de uma forma geral. O Brasil mudou. A sua empregada agora vota na Erundina e você não vai comer ela pra não acirrar contradições, certo?!
Voltemos alguns anos no tempo. Você se lembra quando era aquele rapaz cheio de disposição/mas com uma incrível dificuldade de enredo pra bater uminha? Comprar Carlos Zéfiro era uma operação clandestina. Existia um trabalho de contato com o jornaleiro, seguido da aproximação, e finalmente, depois de meses, você ficava, enfim, amigo dele e ele se tornava seu fornecedor. Mas quantas Mônicas e Cebolinhas você não teve que comprar pra ganhar a confiança dele? E malocar as revistas em casa? Você tomava mais cuidado com seus exemplares naquele tempo do que toma com sua maconha hoje.
Lembra? E quando o estoque começava a aumentar? Mas até ter o seu fornecedor exclusivo de revistinha sueca, você se virou com tudo. Anúncio de sutiã de Cláudia, Manchete de Carnaval. Tem um amigo meu que tocou punhetas e punhetas pra Penélope Charmosa! Lembra? E as técnicas? Pintar as unhas de vermelho pra parecer mão de mulher. Sentar não mão até ela ficar formigando pra não sentir ela durante o ato. A punheta era uma arte. Exigia antes de mais nada pesquisa e criatividade.
Mas a bronha, assim como o futebol, não piorou nem melhorou, apenas mudou. Didi seria um craque de futebol de hoje? Provavelmente sim, mas ninguém.garante. Da mesma maneira a garotada hoje encara a punheta de forma diferente. Hoje tem a Magda, a Luciana Vendramini, a Festa de Carnaval e tantas outras. Se por um lado facilita, por outro complica. A polêmica bronha-arte bronha-força surge dividindo opiniões, arrebatando discussões intermináveis. Ouve-se falar do movimento pós-punheta, que valoriza revistas de Carlos Zéfiro, mas só amareladas e cheias de manchas. Sexo explícito pra eles é out. Existe uma tendência mais romântica e menos saudosista que curte mesmo é se acabar com Carinho, a revista da gatinha.

E tem o movimento Punheta-Livre que defende o 5 contra 1 seja como for”. Os mais radicais da tendência “Heavy Anal-Sex” só praticam o sexo solitário com pelancas. A mulher tem que ser muito escrota e a fotografia deve ser em preto e branco e da pior qualidade possível. Muitos argumentam, inclusive, que essa modalidade não merece ser definida como bronha-força, mas como bronha-arte, se bem que arte surrealista. Existem inclusive os que se auto-proclamam punheteiros-verdes, que defendem a bronha-pura, ou seja, nada de revistas, vídeos, tvs, filmes, o lance é só a imaginação. Alguns mais puristas defendem a punheta sem mãos, só no pensamento. Enfim, a polêmica é infindável. O mundo moderno, com seu avanço tecnológico, traz novas tendências a cada dia. A paranóia da AIDS também mudou o comportamento punhetal. Em certos países aconselha-se a tocar punheta de camisinha e luvas, pois, todo cuidado é pouco. Tudo muda a cada hora e os amigos de Onan acompanham a evolução. A criatividade e a pesquisa persistem, mas mudaram de rumo. Em outras palavras, o assunto é vasto. Um desafio para os estudiosos. Mas os nossos cientistas sociais,  preferem não ver. Eles preferem dizer que “futebol é o ópio do povo” ou inventar assassinatos culturais. No fundo no fundo, eles ainda querem saber se é verdade que a Neide Aparecida dá por 20 cruzados novos. Na intimidade de seus lares eles compram a Playboy pra ler a entrevista do Ministro da Economia na sala e a Vendramini no banheiro e eles ainda morrem de tesão pela vizinha do 103, que com todas as mudanças de comportamento, continua dando mais enredo que a novela das 8. Por quê? A sua é a do 204? Ela é demais, né? Já viu o biquininho que ela usa quanto vai à praia? Pô eu não guento! Dá só um minutinho que eu vou ali dentro que tão me chamando. Eu volto já, não demoro. É rapidinho.

[box type=”note”]Publicado na revista Casseta Popular n°[/box]

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