Carlos amava Glória. Amava cada pedacinho do corpo dela, o hálito matinal, as unhas roídas e cada pelinho do corpo dela. Pelos estes que eram muitos. Glória não tinha, digamos assim, muita intimidade com a cera. Mas isso definitivamente não incomodava Carlos. Eles eram longos, macios e perfumados, assim como um comercial de xampu. Já Carlos não era assim um modelo de beleza, mas sabia compensar com um grande coração e um grande “dom” de sempre deixar a esposa feliz.

Um dia, ao chegar do trabalho, Carlos tomou um susto.

 – O que é isso? Quem é você? Olha, eu sou um homem muito bem casado.

– Sou eu, amor.

– Glória?

Aquela não poderia ser a sua mulher. Um ser branquelo, delgado, cheio de pintas e sobretudo tão liso.  Definitivamente, aquela não era sua esposa.

– O que aconteceu, mulher, o que fizeram com você?

– Você lembra daquele site, o Sardinha Suburbana? Aquele de compras coletivas?

– Sim… – respondeu Carlos, ainda sem conseguir acreditar no que estava vendo.

– Então, em comprei uma sessão de depilação e esse é o resultado. Gostou?

– Por que você não comprou um cupom de desconto em um restaurante de comida japonesa como todo mundo faz?

– Achei que você fosse gostar. Além disso, você pode comer um sushi erótico comigo?

Demorou uns dias, mas ele se acostumou com a nova esposa. E até era legal. Era como estar com duas mulheres diferentes. E ele descobriu até a beleza de certos lugares que estavam escondidos.

Carlos deixou o preconceito de lado e aprendeu que o amor não precisa de embalagem. E Glória aprendeu que uma boa depilação pode fazer milagres no casamento.

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Preconceito é o tema de hoje do Casseta e Planeta Vai Fundo. Não perca, depois do Globo Repórter.

2 COMENTÁRIOS

  1. Seu amor era tanto, que ele nem se importava com o passado da esposa, quando ela ainda não vivia seus tempos de GLÓRIA.

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