A edição número n°8 da revista Casseta & Planeta, de 1993, trouxe uma entrevista pra lá de divertida com Jorge Lafond, a Vera Verão. Carismático, ele falou sobre  infância, e carreira na tv e a relação  com os fãs. Embora a grafia mais adotada seja Lafond (com apenas um F), vamos manter os dois Fs, como foi publicado originalmente.

Vamos fazer uma suposição: você começa a desconfiar da sua mulher, uma louraça maravilhosa, e resolve investigar suas novas amizades. Você descobre que ela anda saindo com um tal de Jorge Luís de Souza Lima, um negão de mais de um metro e noventa, nascido e criado na Penha, subúrbio carioca. Você não acredita quando ela ainda tenta argumentar: “Calma, querido, eu posso explicar tudo!” Fique sabendo que dessa vez, meu chapa, ela pode explicar. E realmente não rolou nada, porque nós estamos falando de…

C&P – Você é viado desde viadinho?
LAFFOND –
Desde que saí da barriga da mamãe já fui segurando no pau do médico: “Oba!” (risos)

C&P – Foi a última vez que viu uma xoxota ou você chegou a ter uma namorada?
LAFFOND –
Namorada de barba e bigode!

C&P – Nunca comeu uma mulher?
LAFFOND – (
desmunheca indignada) Que isso! Tá maluca?

C&P – Nem bêbado?
LAFFOND –
Posso tomar uma boa cachaça, se chegar uma mulher fico lúcida! Quando eu trabalhava de manequim, minhas colegas eram Monique Evans e uma porrada de mulheres assim. Teve um dia que elas trancaram as portas: “agora você não escapa!” (imita as mulheres esfregando-lhe os peitos). “Podem fazer o que quiserem que continuo aqui sentado”. Elas pulavam em cima de mim, e nada.

C&P – Como foi sua primeira vez?
LAFFOND –
Eu tinha seis anos de idade, porra. (pasmo geral) Ele era sentinela de quartel, e na Penha! Na Penha isso era perigoso! Foi fascinante porque não teve sacanagem, isso não, me ensinou como namorar mesmo. Graças a ele, hoje eu tenho essa minha experiência clínica maravilhosa!

C&P – E quando foi que você colocou em prática esses ensinamentos?Ou seja, quando foi que você deu?
LAFFOND –
Comigo aconteceu uma realidade estranha. Aos 14 anos caí no babado de ser penetrado por alguém. “Ser penetrado” é mais bonito do que “ser fudido”, não é? Mas só consegui ter um orgasmo aos 18.


C&P –
Enrabado quatro anos a seco?
LAFFOND –
Todo mundo ali, “Opa!”, e a bicha aqui parada, sem achar tanta graça. Na inocência. Aos 18 é que fui ter consciência desse babado.

C&P – O orgasmo anal existe ou você goza só de créu?
LAFFOND –
Comigo aconteceu duas vezes. Mas tem que ser uma foda milionária, né meu amor!

C&P – Alguma mulher já tentou te desencaminhar?
LAFFOND –
A única que tentou uma safadeza foi aquela monstruosa chamada Enoli Lara. Mas ela não vai conseguir nada comigo! Adoro ela, mas cada um prum lado!

C&P – Qual o tipo de mulher ideal pra você? Aquela que fica longe?
LAFFOND –
Minha mãe. É a mãe que todo viado gostaria de ter. Vai comigo pra todos os lugares menos pro motel, lógico.

C&P – O sonho dela não era você ser um rapagão forte e machão?
LAFFOND –
Não, ela é super cabeça.

C&P – E teu pai?
LAFFOND –
Olha, nunca dei muita confiança pro velho. Ele falava um monte de abobrinha, mas, como não corria atrás dele: “Pai, tô precisando de dinheiro…”

C&P – E seu tipo de homem ideal?
LAFFOND –
Acredito que o homem ideal pra você… pra você não, pra mim, né meu amor, que já vi que você não é chegado… O ideal pra mim, acima de tudo, é um bom pau. Com o resto, você vai se acostumando.

C&P – Eu não, você!! Mudando de assunto, você só dá, só come ou é na base do troca-troca?
LAFFOND –
Na verdade, não tem essa coisa de pacto, de combinar o que cada um vai fazer. Você pode encontrar um superbofe, uma coisa maravilhosa, e pensar: “É hoje! Vou sair fudida pela alma!” E não rolar nada disso, você é que tem que comer a alma do rapaz. Às vezes dá até ódio: “Ta bom, quer pica? Então toma!”

C&P – Então você gosta mais de dar?
LAFFOND –
Não é gostar mais, agora se é um puta dum cara musculoso, gostoso, você quer fazer a festa e ficar passivo. Mas aí na hora, ele deita assim (lânguido e derretido) e ainda te chama de Paizinho! Pode?

C&P – Em matéria de pau. Então, tamanho é documento?
LAFFOND –
Pra mim, é necessidade!

C&P – Mas você prefere um gigante adormecido ou um pequeno notável?
LAFFOND
Comigo não tem essa do pequeno que satisfaz. Um bom gigante adormecido, você amassa, ainda consegue algum resultado… É o chamado pau de bêbado. Se não tiver um bom pau, não adianta ter uma bela cara nem um bom corpo.

C&P – Juntando todas as pirocas que você encarou, dá pra chegar até Recife?
LAFFOND –
Que isso, vou além, já tô próximo a Miami! (risos)

C&P – Você não liga de te chamarem de bicha?
LAFFOND –
Não, mesmo porque nunca tive o lance de passar na rua e o pessoal gritar: “Bicha!”

C&P – O pessoal gritava: “Viado!
LAFFOND –
Pelo contrário, quando alguém gritava por mim, era meu nome. Agora, nem é meu nome, é “Vera Verão”. Passa na rua um negão de 1,93 metros e o povo grita: “Verinha!”. (fazendo voz fina) “Oi!” Meus personagens na televisão são super-escrachados, mas o povo é super-carinhoso comigo. É fascinante.

C&P – No seu caso, qual o maior preconceito: por ser homossexual, preto oucareca?
LAFFOND –
Nenhum. Quando comecei a trabalhar em televisão, cheguei com o currículo formado. Viajei com o Brasil Canto e Dança, morei quatro anos nos Estados Unidos e mais cinco na Europa. Então os comentários não eram por eu ser preto, e sim por eu dançar bem. E tipo o Pelé.

C&P – A gente suspeitava que o Pelé fosse preto, mas não sabia que ele também era homossexual e careca. Agora você falou que a discriminação não te doeu. O que dói mesmo no homossexualismo é na hora de sentar?
LAFFOND –
Nem dói tanto mais, já tô acostumado. Esse babado de doer ou não depende muito de posições. Eu ligo pra Enoli Lara e trocamos muitas informações. Pego lápis e papel e anoto as receitas dela. Claro que dói, mas não é (cara de horror). Se doesse tanto, não tinha tanto adepto.

C&P – Olha pra lente da verdade e diz: o que é o Clodovil pra você?
LAFFOND – (joga os braços para afastar o demo) Não me fale nisso! Isso é uma entidade que veio à terra por quê, eu não sei! Eu não sei!

C&P – Qual a origem dessa bronca? Algum bofe?
LAFFOND –
Imagina! Ela não é páreo pra mim. (passa as mãos pelo corpo) Negra, bonita, bela, corpo que arrasa, quarentona e tudo no lugar! Eu admirei Clodovil até o dia em que fui fazer “Clodovil Abre o Jogo”. A entrevista foi ironia atrás de ironia. Depois recebi um bilhete do diretor do programa, junto com flores que não acabavam mais: “Jorge Laffond, infelizmente sua entrevista não pôde ir ao ar por problemas técnicos”, Foi a bicha que tentou me arrasar mas comigo não deu! Foi pau a pau! Ela fez aquela linha de quem não é bicha mas eu já sou a bicha mesmo e fudeu tudo!

C&P – (espanto geral) Clodovil é bicha?!
LAFFOND –
Olha aqui pra ela! (gesto obsceno) Pra abrir a boca do cu dela! Máscara comigo não cola: sou super-original, isso que está com vocês é o mesmo dentro de casa, na televisão, jantando com o Presidente da República…

C&P – Você jantou o ltamar?
LAFFOND –
Não, na época dos Trapalhões, fizemos um jantar com o Collor em Brasília.

C&P – Você ajudou a enfiar o supositório? (risos)
LAFFOND –
Não, só fizemos uma corrida.

C&P – Uma proposta indecente: você aceitaria um milhão de dólares pra transar com o Robert Redford?
LAFFOND –
Olha, criatura… prum eu que já foi dado sem nenhum tostão, um milhão de dólares seria até vantajoso… mas atualmente estou meio apaixonado por uma figura do esporte…

C&P – Luciano do Valle?! (risos)
LAFFOND –
Não, ele é do futebol, mas não vamos falar nem o time… (C&P insistem). Vamos dizer que é do Rio de Janeiro… (misterioso).

C&P – E esse penteado, você adotou quando?
LAFFOND –
Na época do trote da faculdade. Gostei da porra segui usando. Eu tinha um black, gente, que era uma maravilha! Era qualquer coisa! Chegava em casa com o cabelo pink e no outro dia saía com ele verde. As cores que Pepeu e Baby usavam no cabelo eram comigo mesmo! Pegava o 336, Clodovil-Praça 15, de cabelo verde!

C&P – Como você fazia pra disfarçar seu cabelo?
LAFFOND –
O ônibus era verde (risos).

C&P – Aí no dia que o cabelo tava vermelho você pegava o 355, Madureira-Tiradentes? (mais risos) Você não queria ser loura? Nunca quis ser travesti?
LAFFOND –
Não, sempre fui consciente do que eu queria, e não era ser mulher.

C&P – Mas nem pra agradar teu jogador de futebol, você bota um modelito de mulher?
LAFFOND –
Não faço essa linha. Nem eles gostam. Querem ver é um homem mesmo ali junto. E isso eu faço bonitinho: (com voz de macho) “Quer ouvir uma voz grossa? Faço a voz grossa, mas vou comer seu eu”.

C&P – Como você faz pra manter o peso? O segredo da sua dieta é trabalhar muito a bunda?
LAFFOND –
Não, a bunda ta descansando há um mês e meio, acredita nisso?

C&P – Então o jogador tá contundido?
LAFFOND –
Não, a gente só ta naquela linha assim de telefone, dou uma passadinha pelo local do treino… dois toques, dois beijos escondidos… e tchau!

 

C&P – Como é que você, com quase dois metros, e sendo famoso, passa desapercebido num estádio de futebol? Vai de noite, no escuro? Ou te confundem com a Xuxa?
LAFFOND –
Não, eu já muito espertamente matriculei dois sobrinhos pra fazer natação naquele clube! (risos) No mesmo horário do treino!

C&P – Que coincidência! Mas seus sobrinhos têm quantos anos?
LAFFOND –
Na realidade, sou filho único, mas levo meus primos, que têm na base dos 16, 18 anos.

C&P – 18 anos?! E você precisa.levar?
LAFFOND –
Não estraga meu argumento!

C&P – Carnaval é coisa de viado?
LAFFOND –
É coisa do povo brasileiro que o viado chega pra incrementar.

C&P – É verdade que, quando você sai no carnaval, a escolatem que construir um carro alegorico bem alto pro seu pau não arrastar no chão? (risos)
LAFFOND – Pelo amor de Deus, também não é tanto assim. Sei que o povo se entusiasma bastante, mas… se quiserem, eu fico nu agora.

C&P – (Apavorados) Não precisa! Não precisa! (tentando desconversar) Qual sua fantasia sexual que ganhou em originalidade e luxo? Dezoito anões besuntados com o Chefe do Corpo de Bombeiros?
LAFFOND –
Em originalidade foi uma vontade de trepar num cantinho que tem na Outra, à direita de quem vai pra Campos do Jordão. Uma estradinha pequena, onde eu queria Jazer aquela linha em cima do capô do carro. Mas pra fazer isso tive que esperar umas duas horas e meia pro motor esfriar (risos). Mas foi superoriginal: aquela coisa de você trepando…

C&P – Eu não, você!!
LAFFOND – “…
os carros passavam e, de vez em quando, só se via uma cabeça assim, “ui !” (imitando os passantes tentando ver o que rolava), e não dava pra eles voltarem senão batiam! (mais risos)

C&P – Qual o ator famoso por quem você poria a mão no fogo que ele não daria de jeito nenhum?
LAFFOND –
A mão no fogo? Olha velho, ta ruim, viu? Não tô a fim de ficar com minha mãozinha queimada. Sempre encontro aqueles que dizem: “Olha, nunca fiz isso, só vou fazer por uma curiosidade”.

C&P – É o famoso eu de curioso?
LAFFOND –
Aí faço (vozinha fina e suave): Ah, tudo bem, isso é tão normal…” Depois ficam (voz grossa): ‘Não, peraí, ta doendo, peraí, não, tira, tira…” Mas doidos pra que fique.

C&P – E depois, ele fica com uma curiosidade que não sacia? (risos) Então você acha que quem não é viado, ainda vai ser?
LAFFOND –
Não, mas nunca comeu cuzinho na adolescência? Vai me dizer que o pessoal da Casseta nunca?!

C&P – (Todos unânimes) De homem? NUNCA! Nunca!
LAFFOND-
Então ainda vão comer daqui pra frente (gargalhadas).

C&P – Não, cu cabeludo não é a nossa… Mas o que você acha do Renato Gaúcho?
LAFFOND –
Acho aquele cara um escândalo! Não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas ele faz a cabeça de mulheres, bichas e homens não-assumidos. Supergatinho. Tá na minha lista.

C&P – Já está escalado. Daqui a pouco o Laffond tá levando os sobrinhos de 30 anos pra praticar natação no Flamengo (risos). Uma suposição: você tá tomando banho com Clodovil, Clóvis Bornay, Agnaldo Timóteo e Vitor Fasano. Cai um sabonete no chão. Quem é o primeiro a se abaixar pra pegar?
LAFFOND –
Acredito quenão seja eu… O Timóteo também não. Mesmo colocando Vitor Fasano, acredito que a Clodovil seria a primeira, mas pro Clóvis Bornay comer ela! (risos)

C&P – Qual o vídeo que você levaria pra uma ilha deserta: “Os Imperdoáveis’ ou “Penetrações Profundas‘?
LAFFOND –
Nenhum dos dois, levaria um que eu fiz. Uma fita gostosa. Quando via os filmes de sacanagem, eu pensava: “Porra, aquela bicha toma no eu sem fazer cara feia? Aquelas picas de borracha enormes e ela lá toda maravilhosa, parece que tá enfiando um supositório!” Resolvi fazer metade do que esses filmes mostram pra ver se é assim.

C&P – Como é a platéia dos seus shows?
LAFFOND –
Viajei muito pelo Brasil com o “Sassarico da Nega”. Perguntava pra bilheteira: e aí, como tá a casa?” “Laffond, a casa hoje tá lotada! Mas só tem viado!” Centros de convenções de quase três mil lugares! Você tira uns 115, o resto é tudo viado! Vocês sabem que na cidade do interior, principalmente do Nordeste, os viados não se assumem completamente, namoram mulheres, essas coisas. Já levei  cantadas absurdas. Eles vêm bonitos, com as namoradas, pedindo autógrafos. Mas antes, ele dá uma desculpa pra namorada (com voz de macho durão): “Tu não vai entrar lá não, isso não é ambiente, eu levo essa porra e pego um autógrafo pra você”. (gargalhadas) A coitada fica’ lá, toda contente porque vai ganhar um autógrafo.

C&P – E como é que eles chegam pra você?
LAFFOND –
“Laffond, cê dá um autógrafo aí?” E eu faço aquela linha (voz macia): “Claro gatinho ” (risos) “Qual o seu nome?” “Não, não é pra mim, é pra minha namorada”. “Tudo bem”. Fico escrevendo lá. Aí ele fala assim: “Você ta hospedado aqui na cidade mesmo, tem o telefone de lá’?” (risos) Bem, se for interessante, é claro que eu dou… E por aí vai. Bicho, eu como homossexual, como viado, como entendido, ou como a puta-que-pariu, fico de boca aberta com as coisas que eu vejo

C&P – Essa sua interpretação homem é excelente! Melhor que a do Ítalo Rossit Nem o Falabella imita homem assim… Pra terminar: qual sua solução praacabar com a inflação?
LAFFOND –
Que todo mundo vire viado. O mundo ia ser uma alegria só! Bicha não tem dinheiro, toma cerveja no botequim e já fá alegre.

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ao todo.

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