Ao contrário do que dizem os ecologistas, as tribos não estão em extinção. Na verdade elas não são encontradas na Amazônia porque se emanciparam, pegaram uma carona com o Sting e foram pra São Paulo, onde toda noite fazem os seus programas de índio. Se você sempre achou esse negócio de tribo meio primitivo, fique sabendo que não há nada mais moderno do que entrar para uma delas. Caso contrário, você será pra sempre um Mané,  um deseturmado que passa as noites de índio no cinema com a namorada, ou freqüentando barzinhos com os amigos. Qual é a graça disso quando você pode, por exemplo, botar uma tatuagem no ombro, uma camiseta apertadinha, e ficar balançando a cabeça de um lado para o outro numa sala escura e cercado de homens?

Se a última vez que você saiu na noite foi pra comemorar o impeachment do Collor, fique sabendo que de lá pra cá tudo mudou nas pistas, principalmente o vocabulário. Se você está vindo de parado e quer se enturmar na noite você precisa conhecer a linguagem da modernidade, ou melhor, você precisa se antenas nas novas words of the piece. Mas se você não tem saco para descobrir o que é uma rave ou uma barbie, pelo menos não pague o mico de sair usando aquelas gírias que você aprendeu com o seu tio esperto.


Punheta

Não se usa mais. Já foi superada. O modernex moderno não toca punheta, faz sexo unplugged.

Corno

Não existe mais corno. Hoje, se a mulher sai na noite e volta às cinco horas da manhã cheia de novidades pra contar, você é um cara alienado.

Macaco de imitação

De onde é que você desencavou essa expressão? Com esse vocabulário, você não come nem a Dercy Gonçalves. Há muito tempo que o João Kleber não faz mais imitação do Paulo Francis, ele agora é um Paulo Francis cover.

Mala sem alça

Se você parou de ir às festinhas por causa daquele sujeito que aparecia sempre com o seu violãozinho e tocava umas músicas cabeças pra ganhar as menininhas, pode voltar pros agitos. Esse cara mudou, é uma outra pessoa. Ele abandonou o violão, comprou um som de mais de 30 quilos que só ele pensa que é portátil e agora passa sua mensagem falando a a noite inteira sem parar, acompanhado de um bate-estacas. É o rapper. Você ainda vai sentir saudades do seu velho amigo mala sem alça.

Como se vestir para uma rave?

Agora que você já aprendeu algumas palavras, pode começar a se preparar para sair de casa. Mas não vá aparecer na madrugada com aquele seu visual de mané. Antes de mais nada, pegue a navalha do seu pai, raspe a cabeça e passe um gel. O segundo passo é a tatuagem, tanto faz ser homem ou mulher. Se você é um dragão, faça a tatuagem de um babaca no braço. Se não, faça o contrário. Para se dar bem numa rave, é preciso ter um corpo bem definido. Se você não tem saco pra malhar, não tem problema, é só definir que o seu corpo é essa merda mesmo e ir à luta. Com esse visual, se você quer mesmo dançar na noite, é só botar 100 gramas de pó no bolso e passar na porta do quartel da PM. Mas não pense que as raves são um: coisa anti-democrática, onde você só entra se estiver usando este visual. Isso é besteira. Para entrar numa rave, você só precisa ser  convidado. Para ser convidado é que precisa deste visual.

 O que fazer numa pista?

De nada adianta o seu visual descolado se, ao chegar no Limelight, você fica num canto escuro com cara de babaca, chupando dedo. O seu negócio é se enturmar, portanto você pode ficar num canto chupando qualquer coisa, menos dedo. Mas existem outras formas de você mostrar que acabou de chegar de Nova York, mesmo sem ter ido ao Paraguai. Uma delas é a pista. Para quem só vê pista quando tem corrida de fórmula 1, cuidado para não usar pneu de chuva e acabar escorregando no quiabo. A pista é um território andrógino, onde todos se sacodem ao som de algum hit num volume ensurdecedor. É a hora de abdicar de seus preconceitos e soltar o viado que tem dentro de você. Aliás, se der para você soltar esse seu viado na pista e sair fora da boate, é jogo.

 Nome aos boys

Pronto. Você já conhece o vocabulário, sabe como se vestir e como de se comportar na noite. O próximo passo é procurar sua turma, a galera que tenha mais a ver com o seu jeito de ser: Se o seu negócio é sair na noite só para se divertir um pouco, dançar até cair e, na manhã seguinte, já meio bêbado e deprimido, ceder sua rodinha numa rodinha de amigas, não tenha dúvida, você é um CLUBBER. Uma dica: se alguém te perguntar “que clubber é teu?”, responda rápido: “bateu na trave, entrou no meu!” Mas se o seu sonho é brilhar sob o foco das stroboscópica, feito uma purpurina, de preferência vestido de Hebe Camargo, não tenha dúvida, você é uma DRAG. Para facilitar o reconhecimento, coloque um plástico no seu carro: “Drags, tô fora, tô dentro, tô fora, tô dentro…” Agora, se você vive na noite, está sempre sozinho, vestindo a mesma roupa, se amarra em ouvir um som na sua própria aparelhagem e prefere ambientes mais cleans como o hall de um edifício tranquilo, você é apenas um PORTEIRO.

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