Todo gordo é especialista em dietas. Não sei vocês já repararam, mas basta um banhudo sentar ao lado do outro e o papo começa. Quem não é iniciado no assunto, fica boiando:

“Você já fez a da banana?”

“Ah, fiz! Mas essa não se usa mais, agora tem as pílulas de rúcula!”

“Não sei, eu me dei muito bem com a da lua…”

“Como é essa?”

“Ah, você só pode comer salada e carne branca, até que um dia aquilo enche o saco e você resolve ir numa churrascaria rodízio, encher a cara de linguiça e depois comer uma banana split. Mas não tem dia certo, é uma coisa assim, de lua, sabe?”

Estou falando no assunto, porque apesar de assumir publicamente a minha condição de gordo satisfeito, sou vítima da discriminação contra os mais cheios. É essa discriminação diária que faz com que os gordos fiquem recalcados e vivam querendo fazer dieta. Vejam bem, não estou falando dos doentes que, evidentemente, devem ser tratados, mesmo que o tratamento obrigue a pavorosa possibilidade de comer menos e emagrecer. Mas e nós, gordos ativos, que trabalhamos, praticamos esporte, namoramos…enfim, vivemos como todo mundo? Porque temos que sofrer tanta discriminação?

Gordo não pode andar na praia. Sempre tem alguém para perguntar: “Tá querendo emagrecer, é?” Todo mundo anda na praia para ver a paisagem, se divertir, mas o gordo só anda na praia para emagrecer. Outro dia fui num restaurante de cozinha vegetariana. Três pessoas vieram me perguntar se eu estava de dieta. A terceira foi a dona do estabelecimento. Respondi, com a maior educação: “A senhora está querendo me informar que a comida aqui é tão ruim que só vale a pena comer se eu estiver de dieta?” Será que essa pergunta é feita a todos os clientes?

No meu caso, enquanto figura pública, o problema é maior. Hoje em dia, preciso observar muito bem o ambiente para escolher o que vou pedir ao garçon. Diet-coke, por exemplo, só dá pra pedir em lugares muito requintados. Se não recebo logo um tapão nas costas: “Pô, Bussunda, diet-coke? Tô te estranhando, meu camarada! Que decepção!” Difícil é frear a vontade de pedir um milkshake de chocolate com mashmallow, para deixar de ser bundão…

Andando numa livraria, esbarrei com um livro que mostra muito bem a que ponto nós chegamos. Não sou a favor de censura, mas quero informar que já estou constituindo advogado para processar o autor e a editora por crime de discriminação, injúria e difamação. O nome do livro é: Se você é tão inteligente, porque você é tão gordo?  É preconceito puro, não há nenhum estudo científico que comprove essa tese de que os magros são mais inteligentes. Aliás, cá pra nós, quem não dá valor a uma costelinha de porco, a uma picanha, chocolate e batata frita, esse sim , é pouco inteligente.

Coluna escrita por Bussunda para o  Zap!, caderno do jornal O Estado de São Paulo .

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ao todo.

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