Aí o português entrou numa farmácia, muito nervoso, e perguntou:
– O sinhoire táim supositório?
O farmacêutico, muito espertalhão, mandou o português esperar, foi lá dentro e trouxe um urubu pintado de verde. Vendo aquilo, o galego indagou:
– O sinhoire vai me desculpaíre, mas como é que se usa este tal de supositório?
O farmacêutico então lhe explicou que o medicamento deveria ser introduzido no ânus.
Uma semana depois, o português voltou à farmácia com o urubu entalado na boca e, por meio de mímica, explicou que ainda não tinha conseguido tomar o remédio.
O farmacêutico, irritado, gritou:
– Meu senhor, não é nada disso. Eu já expliquei que o supositório é para ser introduzido no ânus! No ânus! Entendeu?
E o português:
– Ah! Agora eu entendi.
Duas semanas depois, o farmacêutico recebeu um telegrama com a mensagem: O SUPOSITÓRIO SUBIU NO TELHADO. Como o telegrama era a cobrar, o farmacêutico, que andava na pior, foi pedir dinheiro emprestado ao Jacó. No caminho, deparou-se com uma placa que dizia: CACHORRO CHUPAPAU A 200 METROS. Mais preocupado com o dinheiro, o farmacêutico seguiu o seu caminho. Adiante, ele viu uma outra placa que dizia: CACHORRO CHUPA PAU A 100 METROS, e pensou com seus botões:  “É… até que é uma…”.
Animado, o farmacêutico apertou o passo até chegar diante de uma placa pregada na porteira de uma fazenda com os dizeres: CACHORRO CHUPA PAU AQUI.
Ao entrar na propriedade, foi recebido por um velho fazendeiro que lhe explicou:
– Infelizmente o cachorro subiu no telhado, mas o senhor pode pernoitar no quarto da minha filha, a Bibica.
Percebendo a roubada em que havia se metido, o farmacêutico preferiu dormito na quebrada da soleira que chovia, ao lado de Luiz Melodia.
De manhãzinha, foi tirar água do joelho no mato e descobriu, no pasto ao lado, uma vaca boazuda, dona de um corpo escultural. O farmacêutico pensou então com os botões de sua braguilha aberta: “É… até que é uma …”.
Como a vaca estava do outro lado de uma enorme cerca de arame farpado, o farmacêutico pediu a um elefante gago e fanho que por a ali passava para lhe ajudar a atravessar a cerca.
Depois de chegarem do outro lado da cerca, o farmacêutico virou-se para o paquiderme com problemas na fala e falou:
– Obrigada, seu elefante.
Ao que o gigantesco animal redargüiu:
– Ôvõ-õ-õ-õ-bi-bi-gâdõ nnnnn nada … vãi… fã … fe…n …fo…ah, deixã frâ lã, fõrra’
Enquanto isso, a vaca, percebendo que o farmacêutico estava lhe despindo com os olhos, perguntou-lhe:
– Coração tem pernas?
– Não, respondeu o farmacêutico.
– Então bota, Jorge!, disse a ruminante, se arreganhando todinha.
Sentindo cheiro de borracha queimada, o farmacêutico gritou enfezado:
– Peraí! Eu não me chamo Jorge, não sou casado, não moro em Niterói e não tem cadarço!
E a vaca:
– Então é bota, Jorge!
Apavorado, o farmacêutico saiu correndo e se refugiou numa sinagoga, onde um velho judeu estava no seu leito de morte. Preocupado com o moribundo, o farmacêutico perguntou a um rabino que por ali passava:
– Foi comida, Kosher?
– O senhor não entender … comida Kosher sai eu! – disse o rabino.
Agonizante, o moribundo começou a chamar por seus filhos.
– Bibica, você estarr aí?
– Estarr, papai.
– Farmacêutica, você estarr aí?
– Estarr, papai.
– Elefante, você estarr aí?
– E. ..ês… ês … ah, dêixã Irã lã, forra:
– Bocage, você estarr aí?
– Estarr, de olho na butique da sua mulher, papai!
– Anão, você estarr aí?
– Estarr sim, mas com um pau desse tamanho.
– Niskier, você estarr aí?
– Estar, seu Adolfo!
– E o Ringo Starr?
– Não, foi Paul uma cartney no correio.
Aí, o moribundo semita gritou furioso:
– Porra! Então quem estarr subindo no telhado do loja?
De repente, três meses depois, o português com um urubu enfiado no rabo saltou de um bonde andando, caiu estatelado na frente de todos e exclamou, vitorioso:
– Porra, acertei!

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