“Estava eu naquela estrada, naquele dia. Justamente naquela estrada, naquele dia. Destino, pois é, o destino tem dessas coisas. O rádio do meu carro tocava uma canção, não lembro qual era, mas era daquela canção que enchem o coração de esperança, felicidade. Mas por que logo aquela canção?”
“Algo me dizia que o destino começava a trançar suas teias e sabia que eu não passava de uma frágil fibra de lã dos acontecimentos. A noite estava linda demais, o céu tão aberto e eu não podia contar quantas estrelas me observavam. Por que me observavam? Por que justo eu?
A lógica nessas horas de nada serve, então deixei meu instinto à deriva, leve e solto, certo de que nele havia mais sabedoria do que em qualquer especulação racional. Meu relógio marcava exatamente 23:30, estranho… o tempo passava muito lentamente. A última vez que o tinha consultado ele marcava exatamente 23:30, estranho… ele estava funcionando, então … a única explicação era que eu tinha olhado duas vezes seguidas para o relógio e, não notara. Mas por que fiz isso?
O tempo é uma coisa muito louca, que mexe muito com a cabeça da gente. Achei que tinha de transcender, não pedia me ligar em coisas tão … tão terrenas. Diante de todo aquele Universo desnudo na minha frente, por que me ligar no tempo?
Joguei meu relógio pela janela, certo de que era o mínimo que deveria fazer para me sentir merecedor da experiência que eu sentia que estava para acontecer, De repente, não sei nem por que, algo me fez parar e sair do carro. Olhei pro firmamento, em mim continuava aquela sensação estranha, angustiante. Era como se aprisionasse em mim algo que quisesse se exteriorizar, sair, se mostrar, ganhar o mundo.
Foi ótimo. Dei uma senhora mijada e a sensação passou. Você vai dizer: mas parar na estrada e fazer xixi é super normal! Então eu digo: por que justo ali? Tudo se encaixava perfeitamente, como um quebra-cabeça. Entrei no carro e já eram 23:35hs (Vocês estão de prova que o tempo passava devagar). Então me passou algo pela cabeça – como eu sabia as horas se havia jogado o meu relógio fora? Pensei estar enlouquecendo, entrei em pânico, suei frio, e só então percebi que tinha um relógio no meu carro. Ufa!
(Vocês sacaram a estranha coincidência que acabou de acontecer aqui e agora. Eu disse “Ufa”, perceberam, “Ufa!”. Meu inconsciente me traía. “Ufa” era quase o mesmo que UFO) Não havia mais a menor dúvida. Eu teria um contato imediato de 3°grau. Eu sabia… não sei dizer exatamente por que… mas, eu sabia… ia acontecer, e deveria ser justo naquela estrada, naquele dia. Um dia qualquer, uma estrada qualquer e ainda que esburacada e de terra, ela era o caminho.
Estava tranquilo, seguindo viagem, rumo às praias do sul, curtindo minhas merecedoras férias, quando…As luzes! As luzes piscavam, alternando matizes intensas de azul e vermelho. Brilhavam intensamente, parecendo me chamar.
Desci do carro, só aí notei o quão selvagem era aquela estrada, assustadoramente selvagem. A vegetação também era diferente, não sei se no tamanho, ou se na forma, mas era diferente. Talvez fossem as luzes que estivessem me escravizando, eu nem sequer sabia qual o tipo de controle que elas exerciam sobre mim, mas era real, estavam ali, as luzes, diante dos meus olhos. Simples… geniais… magnânimas. Ofuscado pelo fenômeno alienígena só então percebi as marcas no chão… as marcas no/chão… Deus do céu!! Aquelas pegadas não eram humanas!!! Qualquer pessoa que tivesse visto um Startrek, um Perdidos no Espaço, ou mesmo Os Jetsons, saberia que aquelas pegadas não eram desse mundo.
De repente … o contato … o momento…um ser saindo do contra-luz ofuscante. Foi ele que quebrou o silêncio:
– Mãos na parede! Quietinho, quietinho senão leva chumbo! Vamo passando os documento, ô meliante!
Justo aquela estrada, aquele dia, aquela viagem. Como por encanto, caí em mim, as luzes continuavam turvando minha visão. Camburões, joaninhas, federais. Não saquei o poder da morra, vacilei, às vezes acontece, a gente vai, vai, e quando vê … tá ali, besteirão. Primeiro, eu nem ia pro sul. Segundo, na verdade, eu tinha saído pra comprar Coca-Cola, terceiro, não eram férias, quarto, eu estava exata mente no meio das aulas, prova final. Acho a maior violência esse negócio dos cana dar urna dura na gente, só porque eles são cana. Acho que tinha que pintar um papo franco, bacana. Porque, sem querer, a gente viaja num lance e os hômi num acompanha.
Mó caretice esse papo de flagrante, acho que a gente tinha de discutir o lance, o sistema, mobilizar a galera pro lance da legislação, debater mais a fundo. Tô fumando Mustang, se der manda um pacote. Os guardas· ficam com a metade, mas pode’ ser até legal essa distribuição de renda, afinal, nós tudo é socialista.”

2 COMENTÁRIOS

  1. Nossa! Que texto horrível! Incompreensível e confuso ao extremo.
    Quem não sabe escrever deveria limitar-se a jogar futebol

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