E continua o debate-boca entre a tropa de elite da MPB (Muito Pouca Biografia) e os defensores da liberdade de expressão. Agora quem entrou na polêmica foi o decano Chico Barraco de Hollanda. ChicoBura que juntou-se ao Rei Rouberto Carlos que não quer exibir ao público o que tem na sua privada, quer dizer, na sua vida privada. Eu preferia o tempo em que o genial compositor de “Apesar do PT”, “Quem Te Viu, Quem Te Vê” e “Cale-se” só pisava na bola quando jogava pelo seu personal time, o Politheama.

Alguma coisa existe por trás destes artistas que não querem expor suas vidas privadas. Será que eles têm o rabo preso? Ou será o contrário: será que eles têm o rabo solto? O que foi que aconteceu nos anos loucos da Tropicália, na década de Se Senta? O que esses artistas querem esconder? Será que é a mesma coisa que eles escondiam na época?

Me lembro como se fosse hoje do famoso Solar Fossa onde moravam Caetano, Gal, Gil e outros baianos que tinham chegado há pouco de fora (com trocadilho, por favor). Eu morei lá e dividia um minúsculo apartamento com o escritor especializado em autobiografias, Ruy Mastro. Por causa de seu sobrenome avantajado, os baianos faziam fila no nosso apê para expor suas intimidades cabeludas ao Ruy que anotava tudo num caderninho. Eu lembro de tudo em detalhes, de Roberto e Erasmo Carlos. E estou disposto a cercear a minha liberdade de expressão caso os artistas do Procure Sabesta façam um generoso depósito de direitos autorais na minha conta bancária.

Segundo os ativistas do Procure Sabesta, os escritores, editores e livreiro ficaram milionários escrevendo biografias caluniosas dos artistas. Mas a verdade é que o Drummond está ganhando mais dinheiro como estátua de rua do que quando era escritor.

FIGURAÇA DA SEMANA

 Vinícius de Moraes – no dia 19, o meu personal amigo, o Punhetinha, estaria completando 100 anos. Vinícius não ia gostar muito de completar 100 anos porque, como todo mundo sabe, sempre preferiu 12 anos. Revelarei aqui aos meus 17 seguidores e meio as fofocas autobiográficas sensacionalistas que vivi ao lado do grande poeta e compositor. Revolucionário, Vinícius foi o único diplomata macho que houve no Brasil. Sempre atrás de um rabo de saia (e sem saia também), Vinícus Imorais casou-se mais vezes que o Chico Anysio e bebeu mais que o Carlos Cachaça, um sambista que fazia jus ao seu sobrenome. Uma vez eu, o Vinicius, o Niemeyer, o Antonio Maria e a Eliseth Cardoso nos reunimos na garçonniére do Juscelino para fazermos uma suruba em homenagem ao Pixinguinha. Infelizmente não poderei revelar aqui os detalhes picantes (e bucetantes!) desta bacanal histórica porque posso ser processado pela galera do Procure Sabesta. Para homenagear o grande poeta e letrista da Bossa Nova, a prefeitura da cidade mudou o nome da Rua Montenegro (que era uma homenagem ao IBOPE) que passou a se chamar Vinicius de Moraes. É uma pena que o grande Vinicius não teve a mesma sorte de Drummond, Zózimo e Millôr Fernandes, que viraram estátua de rua em Ipanema e hoje ganham a vida tirando fotos com turistas.

PENSAMENTO DO DIA , QUER DIZER, DO BLOG

“Todo homem tem seu preço. E aproveitem que eu estou em promoção!”

Agamenon Mendes Pedreira

Agamenon Mendes Pedreira é auto-biógrafo de si mesmo.

3 COMENTÁRIOS

  1. Não digo nada se depois que passar desta pra uma melhor o Rouberto Carlos não for canonizado. Que ser humano!!

  2. Mas o Rouberto Carlos já avisou à família: no enterro dele não quer Epitáfio, para não violar os direitos autorais dos Titãs…

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