Você sabia que o Agamenon também fez a cobertura da Copa de 1994? Veja com foi a chegada desse grande ícone do jornalismo marrom na Copa que nos trouxe o tetra.

LOSGATOS, EUA – Depois de 21 horas sacudindo num avião lotado de paus-de-arara, finalmente cheguei aqui a São Francisco, a capital mundial dos gays. Como todos os meus 17leitores sabem, a cidade de São Francisco tem este nome em homenagem a São Francisco de Assis, o santo que vivia cercado de bichinhas e, por isso mesmo, é conhecido como a cidade do “é dando que se recebe”. Na verdade, por enquanto, estou alojado em San José, que é uma espécie de Parada de Lucas bem no meio da Califórnia. San José é um lugar inóspito, vazio e abandonado, distante de tudo e de todos. Não se vê ninguém na rua. Nenhuma pessoa para ser achacada, não se encontra ninguém na esquina para se aplicar um suadouro ou o golpe do paco, o que toma muito difícil a sobrevivência de um jornalista como eu por aqui no Silicon Valey, ou Vale do Silicone, a terra natal de Monique Evans e Roberta Close.

Como sempre, foram providenciadas acomodações à altura de uma personalidade internacional da minha estatura e para minha pessoa a Fifa reservou uma suíte em Alcatraz, de frente para o mar. Mas, infelizmente, quando cheguei lá, o hotel já estava todo ocupado pelo meu colega Orlando Batista, seu filho Luís Orlando, pelos dirigentes da CBF e mais um monte de juízes que vão apitar os jogos da Copa.  É impressionante a quantidade de brasileiros que estão chegando para participar de mesas-redondas, debates, resenhas e outras atividades parafutebolísticas criadas pelo ser humano para não ter que encarar a patroa no domingo. Podemos não ser mais os melhores do mundo em futebol, mas ainda somos os maiorais em matéria de palpite, já que para se tomar comentarista esportivo o sujeito não precisa entender nada de futebol, é só chutar.

Até mesmo os candidatos à Presidência desembarcaram em Los Bofes para tirar uma casquinha dos jogadores (no bom sentido, é claro, de fora para dentro do país). Lula, exibindo seus três dedos e um cotoco, disse que a seleção deveria jogar com quatro cabeças-de-área, quer dizer, três e meio, porque o Zinho é pequenininho. Fernando Henrique Populoso, sempre tentando mostrar que é povão, está procurando um jegue para montar, mas ainda não conseguiu arrumar nenhum, inclusive porque o Parreira anda se queixando muito de dores nas costas. Aliás, todo mundo está reclamando desse preparador físico, o Moracy Pai Santana, que, segundo as más línguas, está arrancando o couro dos jogadores. Com o couro do Romário, Moracy fez uma bolsa; com o que arrancou do Viola, Moracy fez uma jaqueta; e com o couro do Raí fez um tamborim, porque o Raí é um gato. E eu, Agamenon Mendes Pedreira, continuo torcendo para que a nossa seleção canarinho fique até o fim da Copa para eu não perder essa bocada em dólar aqui nos EUA. Já pensou se o Brasil cai para o segundo grupo e sou obrigado a voltar correndo para casa e surpreendo a Isaura, minha patroa, com o Ricardão Gomes na cama, no meio de um treino com bolas? No mais, é como diria o Zagalo:

– Vencer, nem que para isso seja necessário empatar.

Agamenon 1994

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