Mussum marcou com a gente numa churrascaria. Chegou e pediu um tempo pra tomar um mé antes da entrevista. Tomou uns 3 copos de algo impossível de se identificar preparado por um garçom que já conhecia a peça. Durante a entrevista Mussum não parou de falar, esqueceu a comida no prato esfriando, mas não deixou o chopp esquentar. Com 5 minutos de papo o negão já dominava o ambiente, garçons riam, os fregueses das mesas vizinhas riam, nós ríamos e o cara bebia. Depois da entrevista ele se despediu da gente e foi provar um drinquezinho que o maitre preparou especialmente pra ele. Pois é, como ele mesmo diz, um homem corri 50 anos bem bebidos.

Com vocês: Mussum.

CASSETA- Onde você nasceu?
MUSSUM –  
Eu nasci no Lins de Vasconcelos, rapaz. Martinho da Vila nasceu na Cachoeirinha alta, eu nasci na Cachoeirinha baixa. Morro da Cachoeirinha.

CASSETA- Tem a ver com a Mangueira?
MUSSUM –  
Não, não. A Mangueira foi depois… Minha mãe era cozinheira, era empregada doméstica. Depois de apanhar muito, muda pra lá, muda pra cá, nós fomos morar na São Francisco Xavier. Nessa época, saí do colégio interno – eu fui aluno da Fundação Abrigo Cristo Redentor, onde aprendi mecânica, me formei em mecânica. Trabalhei como mecânico mais ou menos uns 2 ou 3 anos, logo assim que eu saí do colégio interno. Aí me alistei na Aeronáutica.

CASSETA- Você sempre foi ligado em avião, né? Tem cada mulher lá nos Trapalhões. Porra, tem umas 40 mulheres lá na gravação de vocês.
MUSSUM –  
Tem até mais. Tem até homem disfarçado. Mas é tudo intocável.

CASSETA- Intocável, mesmo?
MUSSUM –  
É todo o material exposto é para uso exclusivo da casa. (GARGALHADAS)

CASSETA– Agora, Mussum, aquela mulherada ali, é a maior sujeira pra Dona Encrenca de vocês, não é?
MUSSUM –
Tem que ser. Pra quem tem um compromisso. Ali é amiguinha pra lá, amiguinha pra cá. Nem pensar… Sabe a história do cara na fila do INPS, chega aquela senhora que vai receber a pensão do marido falecido, ela toda elegante e o mendigo mete a mão no bolso e tira uma bala toda melada, cheia de cabelo. “A senhora aceita uma baIa.” Ela: “Não!” E aí ele mete a mão num cigarro lodo quebrado. “Aceita um cigarrinho?” Ela: “Não!” Ele fala: “Quer dizer que trepar nem pensar…” (GARGALHADAS) Nem pensar!

CASSETA – Você falou em mecânica, Aeronáutica. Como é que você foi parar então na vida artística? Consertou o paralama do sucesso? (GARGALHADAS) Ou você era branco, ficou sujo de graxa... (GARGALHADAS)
MUSSUM –
Eu pertencia a uma equipe no quartel, uma equipe de show  eu fui servir na Zona Aérea, na época, na Companhia de Polícia. Eu e mais três, porque a minha turma era a turma de 60 foi turma braba.

CASSETA – O sargento Pincel era dessa época? (GARGALHADAS)
MUSSUM –  
Eu servi com macho. Não fui paraquedista, não. (GARGALHADAS)

CASSETA – Não tinha um negócio dele... diz que caía de bunda no alvo...
MUSSUM –  
Não me mete nisso não, rapaz. Não complica o homem. (GARGALHADAS)

CASSETA-O Lafont serviu com você também, não?
MUSSUM –
O Lafont foi um primo que foi criado por família portuguesa. Quando fica assim muito educado, é educação no exterior. (GARGALHADAS)

CASSETA- Voltando à vaca fria ...
MUSSUM –  
Nós tivemos a festa no quartel, e o Herivelto Martins foi. Aí a turma do Herivelto Martins me convidou para pertencer ao show dele. Viu o show do quartel e gostou. Eu compareci, fui ensaiar na Praça Tiradentes, com um grupo que estava se formando para conseguir contrato com o Carlos Machado.

CASSETA- Você tocava o quê?
MUSSUM –
Na época, tamborim.

CASSETA – Você só cantava, não tinha texto de humor, nada não?
MUSSUM –
É, porque o meu negócio era ritmista. Isso para mim é nato. Antes eu tocava tamborim num conjunto com o nome de Os Sete Modemos do Samba.

CASSETA- Que época, mais ou menos?
MUSSUM –
lh, rapaz. Isso é horrível. 61, 62. Aí aquele negócio, vai não vai, vai não vai, emplacou o show. O Carlos Machado gostou. Naquela época, quem escrevia show para nós era Sergio Porto, Stanislaw Ponte Preta. E fomos para o Carlos Machado fazer “Rio de 400 Janeiros” no Copacabana Palace, no Golden Room. Depois nós viajamos para o México como Os Modernos do Samba, no México pegamos o nome de Los Sete Diablos de Ia Batucada. Quando voltamos para o Brasil, nós mudamos o nome para Balé Original porque…

CASSETA- Balé?
MUSSUM –  
É, Original Balé.

CASSETA – Você fez Balé? Isso aí pega mal.
MUSSUM –
Não fiz, não. Graças a Deus sempre mantive essa integridade de macho. (GARGALHADAS) Um mangueirense fazer balé?! (GARGALHADAS)

CASSETA – Os únicos machos que a gente conhece que têm companhia de balé são você e o Lennie Dale …
MUSSUM –
Lennie Dale? Eu não … Tá me estranhando? (GARGALHADAS) Quando nós conseguimos, mais ou menos, um conhecimento no meio, pegando nome tinha nessa época um grupo chamado Grupo Opinião que era do Mariozinho Rocha… Eu sou ruim de lembrança assim… Mariozinho Rocha, Guto Graça Mello – era um grupo que estava precisando de vozes pretas na época. Então eu comecei a fazer parte.

CASSETA- No Teatro Opinião?
MUSSUM –
Era. Era um grupo meio de protesto, Gracinha Leporace… Eu, milico, me metendo naquilo. O negócio era meio subversivo. E lá fui eu, me meti nesse grupo. Aí, fizemos, cantamos algumas coisas, aprendemos muito. O Sergio Porto escreveu uma música, com o nome de Samba do Crioulo Doido e o crioulo doido éramos nós.

CASSETA- Esse samba é um clássico.
MUSSUM –
Quem musicou esse samba mesmo foram os Originais do Samba com o maestro Gedacô, porque o Sergio Porto deu a letra, mas na hora de gravar quem gravou foi o quarteto em Cy. Nós gravamos como músicos, porque na época o grande Sergio Porto falou assim: “Não tem nome pra fazer tal coisa.” Aí, resultado, pra ter um pouco de nome, fomos para São Paulo.

CASSETA- Evocê já era Mussum, já assinava como Mussum?
MUSSUM –
Aí tem uma história muito longa. Nós viajamos a primeira vez, ficamos um ano no México, quando voltamos, a Globo fez o primeiro humorístico. O primeiro humorístico da Globo chamava- se Bairro Feliz, dirigido pelo Maurício Shermann. E, nessa época, o conjunto era o Arlindo Bigode, do pandeiro, Chiquinho, Zeca da Cuíca, Lelê do tamborim, e eu era o Carlinhos do reco-reco, o Mussum pegou porque tinha um samba, nesse pro grama, que tinha que ser cantado pelo Grande Otelo. E como o Otelo na época estava com a cabeça meio cheia de problemas e não decorava, me botou pra cantar o samba. E ele dizia, o Otelo tinha uma mania… você vê que eu não tenho cabelo no braço. Ele ficava me alisando, “O neguinho lisinho…”  Eu digo: (FAZENDO CARA DE INJURIADO) “O rapaz … ” (GARGALHADAS)

CASSETA- Ele era chegado?
MUSSUM –
 Não sei se ele era chegado. Graças a Deus, a mim nunca me pegou não. (GARGALHADAS) Não tem esse negócio de ser chegado, pode até ser chegado, que vai morrer babando. (GARGALHADAS) Aqui é contramão, (APONTANDO PARA A BUNDA) cara. Só sai. (GARGALHADAS)

CASSETA – Não tem permuta no negócio do Terceiro Olho. (GARGALHADAS)
MUS
SUM Aí, o Otelo me apelidou de Mussum.

CASSETA – Mussum é o quê?
MUSSUM –
 Mussumé um peixe, é uma cobra, e é duro de pega com a mão nua.

CASSETAEpa! (GARGALHADAS)
MUSSUM – E liso. .

CASSETA– É duro de pegar. Cobra dura?
MUSSUM
– E escorregadia.

CASSETAO marketing é bom. (RISOS)
MUSSUM
– Você pode até gostar da cobra. Eu … (GARGALHADAS) Eu falei, eu não vou reclamar. porque senão o apelido pega … não adiantou nada.

CASSETA– E depois?
MUSSUM
– Aí o Chico me chamou para fazer a Escolinha do Professor Raimundo, que ia ser gravada no auditório do Chacrinha. Quinze minutos antes de começar o Chacrinha, a platéia entrava, botavam uma mesa lá e o Chico Anysio fazia a Escolinha. Éu era um cara que, a cada semana, aparecia com uma camisa de um time de futebol. Mas eu era ritimista, porque eu nunca quis me meter a ator. Na verdade, eu tinha medo disso aí. Eu: “Pô, Chico .. .” E o Chico: “Não, negão, você tem que vir, vem fazer isso aí, o Otelo falou que você é bom, que faz”. Ele me dava um papel com o script, uma. semana antes do programa. Eu ficava lendo, lendo, mas não decorava porra nenhuma. Chegava na Globo cedo, pra ficar lá no corredor decorando. Uma hora antes do programa, o Chico Anysio chegava. “Como é, negão, você tá bom? Tudo bem?” “Pô. seu Chico, tudo bem”. “Deixa eu ver o teu script  Ah, não tá bom, não”. Rasgava. (GARGALHADAS) Sentava na máquina e me dava uma página, duas páginas pra decorar. Quando ele chegava, ele batia três de uma vez. Pá-Iá-Iá-Iá-Iá-Iá. “Pronto, . agora tá melhor”. E eu digo: “Chico, você não vai nem tirar uma cópia pra tu decorar?” “Não; o meu tá certo” , porque o dele ele botava no livro, não tem um livro que ele lê ali? E eu, ó (FAZ O GESTO DE TOMAR NA TARRAQUETA) Então o negócio era o seguinte. Teve uma vez, rapaz, tem, até hoje, um português – esqueço o nome do fiodamãe agora. Ele trabalha muito com o Vanucci. Como é que é o nome dele?

CASSETAO que ficava na frente do palco animando a platéia? .
MUSSUM
– É esse mesmo. Como é que é o nome dele? Aquele português feio, aquilo é um filho da puta (GARGALHADAS) “Agora é a sua vez, Mussum” (DEMONSTRA DANDO UM TAPA NAS COSTAS) Tá legal. Me preparava, rezando. Aí ele batia, “Vai lá, negão”. Pô, acabava tudo! (GARGALHADAS) Dava aquela porrada e eu esquecia tudo, rapaz. (GARGALHADAS) Sabe o que é o cara nervoso, querendo relaxar? E o cara “Vai lá, negão”. Pô! Aí acabou. (GARGALHADAS) Como é que eu vou chegar lá agora? Olhava pro Chico e o Chico, Professor Raimundo, olhando para mim: “E”. Eu digo, “Sim senhor”. Ele: “Como de fatis”. Porque o Chico passou pra mim – o que eu devo muito a ele – “Você com essa sua maneira de falar, tem três coisas que são fundamentais pra você. E “como de fatis”, “tranqüilis” e “não tem problemis”. Isso é o seu ganha pão”. Me batizei com isso. São as coisas que eu realmente falo. Tranqüilis, sem problemis e como de fatis. Aí eu entrei em cena, me deu o branco, não sabia, me esqueci, apagou.

CASSETA– Isso era ao vivo ou gravado?
MUSSUM
– Era ao vivo. Aí o Chico vira pra mim e fala: “Como de fatis”. Eu fico, “é”. Ele: “Não tem problemis”. “É”. ”Tudo tranqüilis?” Eu falei: “Agora, o que eu falo?” O Chico: “quá-quáquã”. (GARGALHADAS) Falou tudo o que eu tenho que falar  (GARGALHADAS) É o meu padrinho maior, gosto muito dele. .

CASSETAEntão, sempre teve … foi sua sina sempre estar com cearenses.
MUSSUM
– Olha, eu tenho o Chico como um padrinho e tenho o Dedé Santana como outro padrinho meu. Foi quem me trouxe para isso aí.

CASSETADedé. foi ele quem te convidou para ...
MUSSUM
–  É, através do Renato, foi ele quem enfiou na cabeça do Renato que precisa botar, arrumar um crioulo engraçado pra trabalhar n’Os Trapalhões.

CASSETAEsse negócio de um ficar sacaneando os outros é muito de quem sempre viveu com galera. Vocês sempre foi assim, quando criança, sacaneava os seus amigos?
MUSSUM –  Eu fui criado nesse meio, eu não saía da casa da D. Neuma, no morro. Então eu aprendi a levar mima vida com pessoas que gostam de rir; de brincar. A tristeza, a gente supera com muita humildade e alegria. E a única maneira de vencer qualquer inflação.

CASSETAVocê conhecia D. Zica, então, há muito tempo?
MUSSUM
– A D. Zica, eu conheço há muitos anos.

CASSETAQuantas vezes você já viu D. Zica desmaiar de emoção? (GARGALHADAS) cinquenta, cem?
MUSSUM
– Mas, olha, o grande negócio dessa vida é que você vira aluno de colégio interno, quartel, você aprende tudo, você. .

CASSETA – Você saiu do colégio interno para o quartel? Você foi ver saia com que idade? (GARGALHADAS)
MUSSUM –
Naquele tempo uma zona valia a pena. Grande zona! Botava uma farda engomada e ia pra zona.

CASSETA- Com farda pagava meia?
MUSSUM –
Se tivesse um bom papo tinha direito a peito. (GARGALHADA) Quer com peito ou sem peito? (GARGALHADAS)

CASSETA – Com peito, sem peito, como que é isso?
MUSSUM –
Era o papo logo na entrada. “Minha filha, hoje eu tava a fim de dar uma cavucada”. “Cinco cruzeiros”. E eu digo: “Mas como é que é? E com um carinhozinho?” Aí ela: “Com peito ou sem peito?” (GARGALHADAS) Ela não tirava o soutien, não. (GARGALHADAS)

CASSETA- Tua mãe nunca te falou isso, não ?(GARGALHADAS) A minha mãe já falou isso pra mim.
MUSSUM
– Uma vez o Dedé faIou isso pra mim.

CASSETA- O quê?
MUSSUM
– Dedé tinha mania … “Ah, negão safado. Ah, sua mãe está correndo com navalha atrás dos crioulos lá na Mangueira.” Eu tava, nessa época, morando em São Paulo. Um dia, chovendo, rapaz; aquele frio, aquela garoa em São Paulo. Aí o Dedé chegou lá em casa 7:30 da manhã. AI, mamãe: “Entra, meu filho, toma um café”. A casa era um sobrado, eu tava no 2 andar. “Filho, seu Dedé tá aqui. Vou botar um cafezinho pra ele” falei lá de cima da escada: “Não, mamãe” – o Dé tirou o sapato e tava do lado da mamãe pega a xícara – “Não, mamãe, não dá café pra ele que ele diz que a senhora corre  atrás dos crioulos no morro com navalha. Os caras trepam e a sai cobrando os caras”. (GARGALHADAS) A minha mãe virou pra ele e falou assim: “Ah, filho, acho que na minha idade eu mereço um de respeito e o seu Dedé não ia faIar isso.” Dedé largou a xícara no chão e saiu correndo descalço. Nunca mais quis brincadeira comigo. “Esse negão é maluco pra falar um desse”.

CASSETA – Quem foi que assassinou camarão?
MUSSUM –
Ah, essa é do Ibrahim. Eu guardei esse samba durante 4 anos, porque naquela época tinha aqueles preconceitozinhos contra conjunto de samba e eu tinha medo de lançar uma letra a imprensa atacar.

CASSETA- É tua essa letra?
MUSSUM –
Não é minha, mas quem escolhia repertório dos Originais do Samba era eu junto com o grupo. Eu liderava a coisa porque eu era bandleader do grupo. E quando essa letra pintou, eu falei: Pô, se botar isso na praça nêgo vai… Porque eu lava vindo de um meio intelectual gostoso porque eu gravava Jorge Ben… (CANTANDO): “Cadê Teresa? Lá, lá, lá, lá. Quantas belezas deixadas nos cantos da vida. Que ninguém… ” Pô, de repente eu vou gravar (CANTANDO): “Assassinaram o camarão…” (GARGALHADAS) “Vou dar um pau nas piranhas lá fora.” Eu falei, porra, a imprensa vai cair ferrando a gente. Não vamos entrar nessa, não. E eu guardei isso durante 4 anos. E ia transferindo de LP em LP. O dia que eu soltei, estourou.

CASSETA- Vamos voltar ao negócio da confidência aqui. Dizem por aí... a fofoca que corre é que o Lafont é bicha. É verdade isso?
MUSSUM –
Olha, eu… (GARGALHADAS) Eu sou muito fã do Lafont, pra mim é um sobrinhão. Eu gosto muito dele.

CASSETA- Teu sobrinha? No bom sentido. De dentro pra fora ...
MUSSUM –
E, meu sobrinhão. Zé Caveirão. Eu gosto muito dele. E ele tem um respeito muito grande, porque você queira ou não queira, existe uma hierarquia de trabalho. Ele é um garoto que está chegando agora, tem muito…  por motivos de força de expressão tem muito pra dar. (GARGALHADAS) Vocês só pensam no que não presta.

CASSETA– No bom sentido. Vindo de fora pra dentro.
MUSSUM
– No caso dele, do jeito que vier ta bom. (GARGALHADAS) E eu acho ele muito bacana. Muito respeitador…

 CASSETA- Mas, ele é bicha?
MUSSUM
– Teve um cara que perguntou pra ele: “Você é bicha?” E ele falou: “E você, é cego?” (GARGALHADAS)

CASSETA Vamos voltar ao papo de sua entrada nos Trapalhões.
MUSSUM
– Dedé me levou. Eu tinha medo de virar bicha com o negócio da maquilagem, aquelas coisas que tem lá…

CASSETA- Na televisão tem muito viado?
MUSSUM
–  Ainda não vi, não. Não me encantou, não. Não me mete nisso, não! (GARGALHADAS)

CASSETA- Você fez o teste do sofá com algum diretor? Daniel Filho?
MUSSUM
– Tadinho do Dadá. Dadá é gente boa.

CASSETA- Você não deu beijo no lançamento do livro do Daniel Filho, não?
MUSSUM
– Dadá, não. (GARGALHADAS) Dadá é um ótimo diretor, grande amigão. Eu me sinto muito lisonjeado e eu só acredito que o homem se realizá depois que ele morre. Por mais que passe na vida, sempre fica faltando algo… Mas…

CASSETA Fica faltando álcool?
MUSSUM
– Algo!! (GARGALHADAS) E porque eu uso dizer que eu tenho 50 anos muito bem bebidos. (GARGALHADAS) E tem pessoas assim corno o Dadá, diretores…

CASSETA– Se você chama o Daniel de Dadâ, como é que você chama o Boni? Bobô?
MUSSUM
–  Não (GARGALHADAS) Tio Boni. Tio Boni me conhece desde a época de Carlos Machado.

CASSETA- Ele era cabo man, né? Ele era cabo man do Carlos Machado. (GARGALHADAS) Não tinha nem televisão, já era cabo man.
MUSSUM
–  Tio Boni não saía da Boite Fred’s.

CASSETAFazendo o quê? Conta os podres aí do Boni.
MUSSUM
–  Do Boni? Tem nada não. O bruxo sempre metido a garanhão.

CASSETA– E mesmo?
MUSSUM
– Sempre com aquelas vedetes do Carlos Machado. Era cada uma Lapa de mulher boa. (RISO) PÔ, até explicar pro Zeca da Cuíca que a Rogéria era travesti”. (GARGALHADAS)

CASSETA- Ele já tinha comido. Já era. A Rogéria era boa?
MUSSUM
– Era boa. Outra covardia foi o Lafont, uma das maiores hipocrisias do Carnaval. O Lafont passa na avenida com aquilo pendurado e leco-leco.(GARGALHADAS) E vagabundo gritando: “Aquilo lá estragando e eu sem nenhum. (GARGALHADAs)Tem nego se estourando.

CASSETA – A gente quando foi fazer o Carnaval, fez a eleição da melhor bunda do Carnaval e ele ganhou,
MUSSUM
– Eu vi, eu estava em casa vendo. A melhor bunda. PÔ, com aquilo tudo de fora, você ainda consegue ganhar a melhor bunda. Passando lepo-lepo. Lepo-lepo. (GARGALHADAS)

CASSETAVinha pra cá, vinha  pra lá. O pessoal da fila do gargarejo só se abaixando.
MUSSUM
–  Pincel até hoje reclama: “Pô, e eu só com esse cotoco” (GARGALHADAS)

CASSETA- Vem cá, fora você e o Pelé, crioulo tem chance no Brasil? (GARGALHADAS)
MUSSUM
– De qualquer maneira, você tem de aprender a se fazer sozinho. O problema não é a cor. O problema é você ter a chance de chegar. Eu conheço … tens uns professores que eu respeito muito como o Pelé, como o Wilson Simonal. Eu conheço um negro com o nome de Milton Gonçalves.Eu conheço o Zózimo Bubul.

CASSETAO Jorge Ben.
MUSSUM
– O Jorge Benjor, pra mim, é até sarará. (GARGALHADAS) Já nem faz parte da corporação.

CASSETAJá não é mais preto.
MUSSUM
– Eu aprendi. .. Eu tive um professor também com o nome de Jair Rodrigues que me ensinou muito, muito amigo. Me pegou numa época que eu tava passando fome,

CASSETAUma vez, a Folha de São Paulo publicou uma carta de um cara do Movimento Negro protestando contra vocês. De um lance que mostrava uma foto da sua família na piscina e o Aragão sacaneava. Pensei que era uma sopa de beringela” (GARGALHADAS) Porra, será que o cara não sacou que a piada era ótima?
MUSSUM
– Existe uma coisa também, tem uma brincadeira, você quer ver? Eu tenho muitos amigos nordestinos, nortistas, lá de dentro, do cafundó … Me sacaneiam! Enchem a cara de cana. Morro de rir. Tem o Osmar que é o rei da lagosta do Ceará, meu amigo, e me sacaneia pra caramba, eu sacaneio ele. São todos irmãos. Nunca um cearense me fez… “Pô, tu sacaneia os paraíbas”, nunca rapaz. Cabecinha de bater bife. (GARGALHADAS) Aí vem o cara e diz assim: “PÔ,mas o Mussum não fez nada pelo negro” – o que que eu poderia fazer pelo negro?

CASSETATu já fez um monte, né?
MUSSUM – Não só fiz corno continuo mantendo. (GARGALHADAS) Tem uma porrada de negão lá em casa. E a rapaziada, modéstia à parte, é bem fundida. Eu falei fundida. No bom sentido.

CASSETA- De fora pra dentro. (GARGALHADAS) Empurrando. (GARGALHADAS) Tu não tem Mto nada pelos brancos. Eles nunca reclamaram? (GARGALHADAS)
MUSSUM –
 PÔ, bicho, eu não sou racista, pra mim todo mundo é preto, tá tudo certo. (GARGALHADAS) Eu tenho direito a criar o meu mundo e eu vivo o meu mundo, eu vivo a minha verdade. Não cabe a mim passar a aconselhar ninguém. Eu acho que não sou infeliz por isso. Não sou egoísta. Se o problema é uma contribuição, PÔ,vamos aí, o que eu preciso fazer pra ajudar fulano e sicrano …

CASSETAComprar um berimbau, de vez em quando
MUSSUM
– E. Se eu tiver que fazer alguma coisa por alguém, é problema meu. Agora eu não vou me promover, irmão, não vou lá pra cima de coisa e falar que eu tenho que ajudar, que eu fiz isso, ou aquilo …

CASSETA Aí já é demagogia.
MUSSUM –
E demagogia. Pelo amor de Deus. Fico na minha. O que eu puder fazer pela minha rapaziada, faço. Conheço o sofrimento de a1guns- “Ah, não pude entrar no bar tal; eu fui entrar no balé tal, me expulsaram; porque eu sou engenheiro e não consegui emprego”. Isso é que é conversar. Vamos conversar sobre isso, vamos dar esse apoio. Ver o que eu posso fazer. O que eu acho é que se todo mundo remar  porque eu aprendi a respeitar as pessoas cada um no seu grau. Por exemplo, eu gosto que meus filhos me beijem e me tomem a bênção. Outro dia, eu tava com meu filho aqui no Caçarola, um botequim de um amigo meu, tava batendo papo com os amigos, meu filho chegou. PÔ, meu filho – campeão de jet-ski, 25 anos.

CASSETA Campeão de jet-ski? Ele é presidente? Você é pai do Fernandão? (RISOS)
MUSSUM
– Não. O Negão chegou no botequim: “Oi, pai, a bênção”. “Deus te abençoe”. AI .• levantei, o negão me deu um beijo. O cara passou e “Olha aí, negão, tá comendo o garoto?” (GARGALHADAS) Não dá certo. “Aí, negão, lá com seu garoto, hein … ” “Tremendo garoto!” (GARGALHADAS)

CASSETA- A próxima pergunta é a seguinte: o que que é melhor, o uísque ou o cinema nacional?
MUSSUM –  
Acho que cada um na sua hora certa. Eu acho que a birita é ótima …

CASSETA – Por que vocês enchem o cinema e os outros ficam só reclamando que não têm público? Como é que é isso?
MUSSUM –
Eu vou contar pra vocês, eu vou premiar um cara que entende, porque existe um cara n’Os Trapalhões, que é fanático pelo trabalho dele. Eu respeito muito a maneira de trabalhar do Renato Aragão. Ele é um cara assim, super comercial e super profissional. Ele tem a idéia de fazer um filme e diz “Porra, negão, queria fazer um filme assim” – ele conversa com a gente no avião. Comigo, com o Dedé e com o falecido Zacarias. “Sabe o que é? Eu queria fazer um filme que a gente entrava assim, aí a gente entrava na água, aí saía do outro lado”, eu fico só olhando, porque eu tenho horror a perigo. (GARGALHADAS) Eu tenho medo de cobra, tenho medo de macaco. (GARGALHADAS) Eu não nado porra nenhuma. (GARGALHADAS) E esse filho da puta só inventa bicho. Aí, porra, de repente a gente mergulha …

CASSETA-Não tem doublé, não?
MUSSUM –
Doublé? (GARGALHADAS) Com uma plástica dessa!

CASSETA – Bota a Xuxa de doublé.
MU
SSUM Aragão fica quinze dias sem dormir. Aragão ficou um mês sem dormir. Uma semana sem comer. Um dia, ele aparece no camarim. “PÔ, cara, tive uma idéia, negão, que é do cacete!” Tem outro cara que é fanático pelas idéias do Aragão e ajuda na maluquice, chamado Dedé Santana. “O Aragão, eu vi…” porque o Dedé vê 100 filmes, lOO vídeos por dia, ele vê. Não sei como é que consegue. E consegue dar umas três na cumadre. (GARGALHADAS) Porque ele é incrível, rapaz. O cara vê tudo. O cara fica assim “PÔ, Aragão, eu vi um negócio assim que vi outra coisa”, e eles vivem trocando idéia sobre essas coisas. Eu acho que é gratificante a maneira como esses caras pensam por isso, lutam por esse campo. Porque o que você vê as pessoas lançando agora, é a escola do Aragão, é a escola do Dedé, é a escola d’Os Trapalhões. Você lança um filme e põe crianças pra assistir, crianças carentes. E lá você distribui revista, você dá biscoito. Isso tudo é escola do Aragão. Escola do Dedé. Isso há muito tempo.

CASSETA- Adiferença é que vocês fazem um filme pro público que vocês querem atingir, gostar. Os outros fazem filme que tanto faz quem assista quem não assista, porque já ganhou a grana dele da Embra filme. E foda-se …
M
USSUM – Eu, sei lá! Aquele paraíba tem uma coisa engraçada, rapaz, ele quer mostrar que ele é da ralé. Sabe, ele gosta … Ele pensa alto, mas pensa pobre. O Aragão, é gozado … A grandiosidade dele está num pedaço de pedra, num toco de madeira. Tudo bem, que nêgo alegue – é o maior estúdio da América do Sul, mas a grandiosidade dele vem das coisas pequenas. Aquele cara comer aquele pedaço de pão com a mão e coisa … sabe. De repente põe um terno e mete a mão num prato de galinha, costela.

CASSETA – Sambando dentro do paletó
MUSSUM –  
é um troço que não é esnobismo, é o nosso cotidiano. E um cara que quer fazer uma pose de bacana, mas com uma roupa escrota. E fica engraçado. A gente fica fã das coisas que vêm da gente. Eu não consigo esquecer a minha Mangueira. Não consigo terminar a gravação d’Os Trapalhões sem primeiro passar num botequim, porque eu luto muito com uma coisa que eu tenho – não posso fingir, nem mentir – a minha religiosidade a nível… sou católico, comunguei, casado na Igreja e tudo … E a minha macumbinha fica de lado e eu não posso deixar de alimentar o meu exuzinho. Entro no botequim, tomo uma cana, bato um papo, xingo um. “O negão!” Eu digo: “E a tua mãe!” (GARGALHADAS) Senão a vida não tem graça. Aí os caras dizem assim: “PÔ, tu é gozado!” O que que é sucesso? O que é o sucesso? Sucesso é igual a cachorro correndo atrás de pneu de caminhão. Tu já viu? Corre, corre, quando o caminhão pára no sinal, ele não sabe o que faz com o pneu. (GARGALHADAS)

CASSETA- Genial essa.
MUSSUM –
Tem uns caras que lançam umas idéias sim “PÔ, Mussum, mas você tinha que ser melhor que o Renato Aragâo, tinha que ser. ..” Tst tst tst, Maravilhoso. Eu vou ser sempre sucesso enquanto eu tiver na minha frente um Dedé Santana e um Renato Aragão. Eu vivo, eu curto o meu time. Eu curto o meu trabalho pra cacete. Pra que que eu quero lutar pra ser melhor do que Renato Aragão? Que o Boni arrume um papel, um programa só pra mim. A estrela hoje é MUSSUM!!! (GARGALHADAS) Porra, você quer me matar? Acabar comigo? Você estão entendendo?

CASSETA – Como é que foi aquela separação dos Trapalhões?
MUSSUM –
Isso é encrenca de funcionário. Vamos simplificar. Um camarim é uma coisa gostosa pra cacete. Mas o funcionário forma o ídolo dele. Então, o cara que é teu secretário e tal “O senhor merecia, PÔ,Mussum hoje arrasou.” Aí o funcionário do Aragão: “Porra, mas o Aragâo é quem é a estrela dessa porra”. (GARGALHADAS) “Mas o cara que é mesmo bom nessa porra mesmo é o Dedé”, Então cria uma … sabe? Aí, quando vai ver, lá uma merda formada. Agora, a praticidade da coisa, de você que vive ali – tem uma coisa que eu aprendi no quartel, chama-se: reunião do corpo humano. Tinha o Tenente Felício. Um dia, quando a gente chegou no’ quartel , ele subiu num caminhão, “seu comandante chama-se seu Fulano e a cara dele lá aqui. Essa é a foto dele. Seu subcomandante é seu Fulano, aqui é seu Sicrano.” Tem de conhecer as pessoas. Por quê, chefe? Então, esse Tenente Felício diz assim: Na reunião do corpo humano, os caras combinaram – todos os órgãos: “Vamos trabalhar; porra, vamos fazer esse corpo aí estourar, fazer tudo, virar 24 horas”. “Vamos embora”. Então, combinaram na reunião. Os olhos vão trabalhar mais, o nariz, a boca, o estômago, os ouvidos, o pulmão, todo mundo vai trabalhar. “Aí, vamo embora, ei, ei”. Aí deram a mão e se estouraram. Vinte e quatro horas o cara morreu entupido – esqueceram do eu. (GARGALHADAS) Por menor é mais sujo que você seja, você sempre é grande, rapaz. Tá entendendo? E isso.

CASSETA – Então, a separação dos Trapalhões foi um problema de cu? (GARGALHADAS)
MUSSUM –
A gente tem uma porção de defeito. Tem um cara que nasceu em Niterói … (GARGALHADAS) Tem um cara do Ceará, tem um mangueirense, mas viado não tem não. (GARGALHADAS)

CASSETA – Você é biriteiro? Ou é só marketing?
MUSSUM –
Eu gosto de beber. Eu gosto sim. Não pago vexame.

CASSETA – Profissional?
MUSSUM –
Não profissional, mas sócio bem anexado. Eu gosto mesmo, sei, gosto de beber com elegância. Acho que beber é uma arte. Eu tive a felicidade de palestrar, conversar, com um cara muito famoso que me honrou muito com o conhecimento que eu tive com ele. Ele tava limpando uma música no Hotel Excelsior em São Paulo – o falecido Vinicius de Moraes. Nós falamos sobre biritar. Ele é um cara que realmente … Esse era profissional.

CASSETA – Mas qual a bebida que você gosta? Cachaça, cerveja, uísque...
MUSSUM
Eu bebo tudo, eu gosto … Modéstia à parte, eu bato tudo direitinho.

CASSETA – Sendo líquido, não é água…
MUSS
UM Não sendo xixi, bicho, pra mim… tá bonito. (GARGALHADAS) Uma boa birita e um bom charutinho.

CASSETA – Licor de ovo?
MUSSUM –
Não, aí não. (GARGALHADAS) Só no caso de escassez de pau-durecência, (GARGALHADAS)

CASSETA – Mas o que você prefere: uma buça ou um mé?
MUSSUM –
Cada um tem o seu momento certo. (GARGALHADAS) Uma buça é uma coisa séria. (GARGALHADAS)

CASSETA – Qual a pior bebida que você teve que beber assim um sufoco de horror?
MUSSUM –
E… puque, uma bebida no México.

CASSETA – O que é isso?
MUSSUM –
Abacaxi com cáctus (GARGALHADAS)

CASSETACom espinho e tudo?
MUSSUM –
O sapato fica com uma sola dessa grossura. (GARGALHADAS) Que troço horrível, rapaz. PÔ, fiquei todo dormente. (GARGALHADAS) Agora, porre mesmo uma vez foi num aniversário meu, na Mangueira, na época o presidente da escola era o Robertinho, Dr, Roberto Paulino. Então, nós tomamos um porre que você nunca ouviu falar na sua vida. Crush com aniz

CASSETAÉ, a Convenção de Genebra proíbe isso aí. Usaram no lraque.
MUSSUM
–  Dá cinco empurrão pra tu sentir (GARGALHADAS) Eu morava numa casa de cômodos, as vizinhas juntaram pra me dar um banho. (GARGALHADAS)

CASSETA Aniz com crush é fada!
MUSSUM
–  Outra coisa que você não consegue me fazer tomar: bagaceira com guaraná! Bebida de duro, né? (GARGALHADAS) Eu gostava muito na minha época eu trabalhava numa oficina no Rocha e eu ia lá pra Padre Miguel tomar sangue.

CASSETA Tomar sangue?
MUSSUM
–  Era groselha com cachaça. (GARGALHADAS) Não tinha nada mais. barato. “Olha aí, bota mais um sangue.” Não é coisa de vampiro, não. Vampiro é outra coisa. Vampiro pede um copo de água quente com um modess usado … (GARGALHADAS)

CASSETAMuita mulher deu em cima de você, Mussum?
MUSSUM
–  Não, não. Sei lá, eu transmito assim uma imagem, uma astral de muito respeito. Acho que pro meu lado fica muito paternal.

CASSETA Te chamam de painho...
MUSSUM
–  E. “Aí, me bota no seu programa, me bota no seu programa!” Não dá. .

CASSETA – Me bota, me bota..
MUSSUM – “Bota, bota”. Aonde, filha? “No programa”. (GARGALHADAS) Me bota no programa. (GARGALHADAS) E depois que inventaram a Revista Amiga, não dá pra você dar uma cavucada extra, não. Puta que pariu, é fogo. Complica a imagem do barraco

CASSETA – ô, Mussum,você tem medo de ser seqüestrado?
MUSSUM –  Não tenho, não. Iam me esconder, aonde? Onde é que eles iam arrumar mantimento? Porque eu, sem cachaça, não presto pra nada. (GARGALHADAS)

CASSETA– Mas o Renato é grilado com isso. Ele já teve ameaça e tal...
MUSSUM
–  Cada um chora por onde tem saudade. (GARGALHADAS) Então, o negócio é o que que eu vou fazer? Se acontecer comigo . Quem foi criado em morro, não sofre essas coisas, conhece a rapazida. Nós somos … crioulos … mais imunes ao seqüestro. A verdade é essa.

CASSETAVocê já foi Ricardão?
MUSSUM
–  Não, eu bato pelo meio de campo. Eu nunca gostei de jogar no ataque lá na frente.

CASSETA– Joga mais atrás?
MUSSUM
–  No bom sentido.

CASSETADe fora pra dentro. (GARGAIRADAS) Se não existisse o corno, acabava a música?
MUSSUM
– É isso. Eu digo muito, pra mim mesmo, que na vida é melhor desejar do que possuir. Possuir traz desilusão. Punheta a gente regula. (GARGALHADAS)

CASSETAVocê votou no Collor?
MUSSUM
– Votei.

CASSETA-É?
MUSSUM –
É, fiz fé

CASSETAVocê ficou com muita poupança presa?
MUSSUM
– Não, eu tava duro nessa época. Tava numa merda que fazia gosto.

CASSETATua poupança é solta mesmo?
MUSSUM
– A minha sempre foi. Epa! Não, não é que a minha poupança seja solta. GARGALHADAS) Mas não tinha grana lá, não. Vá caçar a sua turma! (GARGALHAD

2.5mil
ao todo.

11 COMENTÁRIOS

  1. Quanto mais se sabe sobre o Mussum, mais simpatia, mais carinho e muito mais amor nós nutrimos por ele. Acho isso fantástico.

  2. Ao contrario do que muitos pensam, Mussum não bebia bebida alcoólica, isto apenas fazia parte de seu personagem.. eu conheci pessoalmente em 1985, eu era bem novo.. apenas 10 anos de idade, porem ele e meu pai conversaram bastante tempo, pois ele havia ido a Várzea Grande-MT para fazer um comercial na empresa onde meu pai trabalhava na época.. e conversaram por muito tempo… onde o próprio revelou não beber nada que contenha álcool.

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