Até bem pouco tempo, qualquer tentativa de estabelecer comparações entre diferentes nações, esbarrava nos mesmos estudos tradicionais, que de forma simplista, catalogavam dados e performances, chegando a criar situações tensas e constrangedoras, quando nas reuniões de cúpula, um supremo mandatário qualquer pedia, com sofreguidão, para ver o tamanho do PIB do outro. Muito já se falou, mas, até hoje, não se conseguiu chegar a nenhum critério convincente que respondesse, com exatidão, o ponto crucial que todos querem saber quando se fala de um lugar: “E legal lá?”.
No âmbito dos países bons de chinfra, a discussão é riquíssima e vai desde a quantidade de queijos, ao número de maquininhas de refrigerante em lata instaladas. Sem falar na diversificação dos esportes que são praticados se estabacando montanha abaixo, ou até do poder de convencer multidões a dizer que acham peixe cru o máximo.
Mas e os cus do mundo? Como diferenciar um lugar pobrinho, mas que dá um caldo, de outro menos miserável que é a maior roubada?
O primeiro passo acaba de ser dado. Numa pesquisa inédita, patrocinada por vários organismos internacionais, foram galgados alguns parâmetros para compreender esse mundão besta de meu Deus.

Com vocês, com exclusividade: o 1º RANKING DE PAÍSES SIMPLESMENTE CHATOS.

COMO SE FAZ UM CAMPEÃO

Esse meticuloso estudo consolidou algumas tendências, mas também revelou surpresas.
A pole position foi conquistada pela Albânia, por causa do incontestável fato de que lá todo mundo é do PC do B.
Na disputa pelo segundo lugar surge a polêmica, em vez de uma nação, quem conseguiu a medalha de prata foi um continente: a África, que atingiu o impressionante índice de um percussionista por habitante.
Completando o pódio, um empate. Paraguai e Romênia racharam a terceira colocação. Nossos vizinhos alcançaram a posição devido ao Fator Dia Seguinte, ou seja, é o único país que tem a ressaca como problema nacional, o que o torna um lugar bem desagradavelzinho, pois devem existir poucas coisas piores que encarar os efeitos do scotch pátrio ouvindo guarânias.
Já os romenos se classificaram por decorrência da sua atual conjuntura. A comissão julgadora do 1º Ranking de Países Simplesmente Chatos permaneceu alguns dias em Bucareste e como não conseguiu distinguir quem estava batendo, quem estava apanhando e nem o porquê, retirou-se de colhão cheio, laureando os patrícios de Ceausescu.

CONOSCO NINGUÉM PODEMOS

O Brasil, apesar de não ter conseguido premiação, mostrou um desempenho bem promissor, amealhando resultados expressivos e aparecendo com destaque em vários quesitos, que acabaram lhe valendo a menção honrosa.
A banca examinadora ficou muitíssimo impressionada com o release escrito pelo Gerald Thomas, que acompanhava um vídeo feito pelo Caca Diegues e onde se podia ver uma antologia das entrevistas do Lazaroni, um longo depoimento bem cabeça do Renato Russo e uma serie de pronunciamentos da Dona Zélia. O resultado foi devastador. Conta-se até, que dois suíços, que faziam parte do corpo de jurados, se estrangularam quando ouviram o 17º “a nível de enfim” da ministra.
Outra informação que vazou, foi que nós não ganhamos o título, porque no material enviado para análise, havia uma coletânea dos gráficos do DATA-FOLHA, o que dividiu a equipe responsável pelo ranking. Uma parte achou que aquilo, por si só, atingia picos tão altos de insuportabilidade, que bastaria para nós dar o campeonato, alguns discordaram, alegando que eles estavam estabelecendo coeficientes de empentelhação, não de babaquice, mas, finalmente, a maioria se convenceu que a gente estava é de sacanagem.

O ÚLTIMO PINGO É SEMPRE NO I

No relatório final, encaminhado a Organização Mundial de Saúde e à Anistia Internacional, foi feito um detalhado quadro dos inúmeros abusos e da enorme série de violências a que são submetidos os sacos dos brasileiros.


Publicado na Revista Casseta Popular nº 33

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