No próximo dia 17 de junho, completam-se 10 anos que o nosso querido Bussunda nos deixou.

Sérgio Besserman, seu irmão, escreveu uma linda homenagem, publicada na coluna do Ancelmo Góis.


Dia 17, agora, completam-se 10 anos desde que nos deixou meu irmão Bussunda. Todos sentimos muito a falta dele. Nessa época do ano, sempre fico mais introvertido, melancólico, mas não triste ou deprimido. Converso bastante com ele e, na mesma travessia, com meu pai e minha mãe. Como disse o maravilhoso poeta catalão Salvador Espriu, tão pouco conhecido em nossas terras, “os meus mortos que riem, por estarem sempre juntos”.

Para o Brasil, ele também faz muita falta. Não apenas pelas piadas que estaria fazendo com essa situação toda. Não tem havido falta de boas piadas, ainda que seja um caso de o que dá para rir dá para chorar. O Claudio faz falta pela genialidade, mas principalmente pela presença de espírito, pelo seu jeito de viver com um tipo de sabedoria que é a fortaleza do nosso povo para enfrentar crises e dificuldades como as de agora.

Bussunda foi forjado na cultura sincrética do Brasil. Mãe judia, militante comunista e malandra da Praça da Bandeira. Pai capixaba, formação sólida e “Caxias”, filho do marxismo positivista da esquerda brasileira. Tudo junto e misturado e, ainda por cima, invertido.

Mas, para ele, como para mim e para o Marcos, tudo era permitido, menos uma coisa: não estar lendo algum ou alguns livros. Esse era o único pecado. Se bem que o bicho pegou quando ele conseguiu emprestar e perder… um piano.

Qualquer que fosse sua posição política, que certamente teria de forma aprofundada, estaria zombando dos radicalizados que babam de um lado ou do outro e sugerindo discutir a substância das coisas e ouvir o outro. Com certeza, gostaria da piada do louco subindo o poste e todos dizendo: “Desce, desce”. E o louco: “Não, vou comer goiaba”. “Desce, desce, isso não é goiabeira, é poste!”. E o louco: “A goiaba tá no bolso, eu como onde quiser”.

Bussunda era o Zen, que faz falta por sua leveza. Pelo humor inteligente e com sacana sabedoria, de origens bem cariocas e judias, trincheira da resiliência e desconstruidor de falsas verdades. Faz falta por seu imenso e frágil coração. Viveu apenas 43 anos, de forma muito intensa e, simultânea e contraditoriamente, contemplativa. No céu, conforta nossos pais, dizendo, do mesmo poema de Salvador Espriu: “Eu olhei para essa vida, prestei atenção nessa vida”.

1.6mil
ao todo.

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