Por. Paulo C. Barreto (colaborador)


Há muito que a Europa não é mais a mesma. A Praça Vermelha virou pista de pouso de alemão punheteiro, a Dinamarca transformou-se num simples bordel, a Finlândia converteu-se num gigantesco freezer e se Nelson Piquet resolveu dar uma voltinha fora de seu quarto-e-sala em Mônaco, ou invade território francês ou se estabaca no Mediterrâneo. Mas a Lusitânia, aquele apendicezinho ridículo continua sendo o grande ponto de interrogação a intrigar o mundo ocidental civilizado.

A CASSETA POPULAR, 24 horas por dia na crista da onda, traz hoje até vocês, um tostão de esclarecimento sobre a misteriosa terra dos tremoços. Onde o fósforo deveria acender mais de uma vez. Onde a Yamaha e um Scania Vabis em disparada, um contra o outro, ocupam o mesmo Iugar no espaço. Onde milhões se deliciam com a maravilhosa combinação de queijo ralado e goiabada em pó.

Portugal, assim como a abertura do fantástico, já não é mais como era antes. O brasileiro, geralmente, fica surpreso ao notar isso, pois já não reconhece a rainha dos mares de outros tempos e, caso reconheça, fica tão envergonhado que finge que não vê e muda de calçada.

Porém as sacanagens que a imprensa mundial pratica contra o povo lusitano não se coadunam com a realidade: PORTUGUÊS NÃO É BURRO!

Todos sabemos que tudo isso não passa de uma maquinação invejosa das potências europeias, que veem Portugal como uma ameaça primordial. Afinal. que outro país poderia produzir galinhos multicores, sopas Leão Veloso e bolsas de palha de tão boa qualidade? O português domina a tecnologia do corte transversal do bacalhau, da fabricação de pães franceses e a receita de ovos cor de rosa. Recentemente, o centro de pesquisas da Universidade do Porto apresentou à imprensa um computador sofisticadíssimo com capacidade igual a de 50 mil lápis na orelha.

Mas Portugal é, com razão, conhecido como um pais de navegantes. Dizem que todo o esplendor da Coroa Portuguesa começou com a galera do Vasco da Gama. Depois de descobrir o chamado “caminho marítimo mais longo para as Índias”, a galera do Vasco da Gama, puta da vida, arrebentou o Maracanã durante a decisão por pênaltis.

As descobertas portuguesas construíram um patrimônio riquíssimo existente até hoje, dependendo de você encontra-lo sobre toneladas de cinzas e escombros. Invejosos dos incêndios nas matas brasileiras, os portugueses, sem um pingo de originalidade, misturam o tal “modelo brasileiro” com a influência moura de terrorismo urbano.

Os heróis nacionais são cultuados ostensivamente em solo luso podendo o culto ser feito 24 horas por dia e até a crédito, entre 6 e 35 prestações. O grande poeta Bocage, por exemplo, mereceu centenas de estátuas e bustos, Portugal afora, por ser, até hoje, “O único português esperto já nascido”, além de lançar as bases do movimento nacionalista por “uma nova raça de pessoas dignas que não nasçam com a compulsão inconsciente de acreditar, sem qualquer questionamento, que um alfinete de duas cabeças deva ser mais prático”.

A literatura de Camões representa brilhantemente roda a literatura portuguesa. O grande poeta era um deficiente visual que descascava batatas pela metade num porão de uma caravela. Camões era um grande frustrado, pois se ele desse seis numa só noite, só enxergaria três. A história conta que ele veio a falecer num naufrágio, o que é pura invencionice. Nosso herói foi demitido por justa causa no meio de uma viagem quando o comandante descobriu a péssima qualidade dos tubérculos servidos à tripulação. O poeta foi parar nas costas da África. Quer dizer, Camões sentiu fundo o peso da África nas costas, mais o bafo e a unha no calcanhar.

Com os negões, a coroa portuguesa faturou muita grana vendendo escravos, mas, por outro lado, os pobres portugueses tiveram que aprender o significado da “cópula anal” da pior maneira possível. O fato deu origem à expressão “veio pra ver ou veio pra fazer?“. Mais tarde, com as africanas, os gajos inventaram a mulata, prova incontestável dos benefícios sociais do sexo indiscriminado.

A língua portuguesa é espantosa: com seu espantoso comprimento, sua flexibilidade e seu sabor de bacalhau, já foi usada em inúmeras pornochanchadas suecas. Esse complicadíssimo idioma foi uma criação do gabinete de Dona Maria, a Louca, que pretendendo substituir o portunhol, antiga língua comum a toda Península Ibérica, criou sozinha um cruzamento de japonês, turco, tupi-guarani, pastor alemão, homem, mosca e meia dúzia de ovos, que, pouco a pouco, começou a ser falado através do império. A memorização de 563 hieróglifos, suas pronúncias e significados fizeram com que o analfabetismo disparasse em Portugal. É meio difícil a comunicação entre brasileiros e portugueses, mas os argentinos costumam se dar bem por lá.

A decadência vertiginosa dos índices de audiência dos pronunciamentos oficiais, a decadência vertiginosa de madeiras em chamas nas cabeças das vítimas do incêndio de Lisboa e a decadência vertiginosa da taxa de farinha de trigo nos pães carecas, fazem a decadência vertiginosa da sociedade portuguesa.

O povo português, por tradição, é esforçado, cordato, feio, pentelho, descobridor e ávido devorador de bacalhau. As diferenças entre os rapazes e as moças são claras: a mulher, esteticamente aceitável, deve ser grossa, peluda e extremamente devota de Nossa Senhora de Fátima. Os pais costumam usar esta última característica para fazê-las ir de joelhos ao santuário da Multiplicação Milagrosa dos Galinhos de Barcelos, levando uma lata de Coca-Cola vazia para encher de água benta.

O homem já nasce com uma tendência inata de virar a mão, curada com uns bons porres de vinho do Porto e uns três anos a estudar Empurramento de Carroça, em Coimbra, quando enfim aos 18 anos, é despachado para a Praça Mauá.

Alguns portugueses já nascem excelentes maratonistas, o que é um fato realmente inexplicável até o momento. Diversos psicanalistas franceses sustentam a hipótese do “impulso atávico de correr atrás das ancas das negrinhas”, ou “Complexo de Sargentelli”, explicado por Freud em sua obra imortal 450 Anedotas de Salão – Volume II.

A alimentação lusitana costuma ser farta quando a empregada estúpida não esquece o caldo verde no forno. A culinária é, via de regra, dividida em duas partes, a saber: uma mesa e um porradão de parentes e amigos.

Até hoje poucos sabem a fórmula secreta do bolinho de bacalhau, pois Castelo de Avelar, grande guru da cozinha portuguesa, sabe bem que aquele que possuir a receita controlará toda a indústria de base do produto, a nível mundial. Esse segredo, se perdido, fatalmente geraria a decadência futura da Bolinhos Corporation, única multinacional de origem lusa.

Agora sim, vamos a parte quente: afinal, você também está a fim de arrumar seu espaço em Portugal, não está? Pois bem. Para algumas categorias nossa pátria-mãe pode ser um verdadeiro Eldorado.

Se você é engenheiro civil, por exemplo, tem boas chances de se dar bem por lá, fazendo grandes empreendimentos. Os apartamentos projetados por brasileiros fazem muito sucesso na terrinha, pois além de cada um vir com uma empregada cearense de brinde, diferem do modelo das incorporadoras portuguesas que insistem no esquema de “piscina parabólica” e “antena térmica”, ocasionando a impossibilidade de se assistir ao último capitulo de Vale Tudo.


Publicado originalmente no Almanaque Casseta Popular, nº 15.

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ao todo.

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