A parada foi realmente indigesta. Na Maison Monique Evans, uma escola repleta de modelos novinhas em folha, a professora, modelo e atriz Monique, disse que só se abria com a gente caso demonstrássemos algum talento.

Engrenamos uma primeira e entramos com tudo neste glamoroso mundo das passarelas. Vale a pena descolar uma vaga neste estacionamento de aviões. Estamos até pensando em mudar de carreira…


C&P – Agora você, a Xuxa, a Mara, um bando de mulher gostosa tá fazendo teatro infantil. Isso não vai perturbar a cabeça da nova geração?

MONIQUE – Não, eu coloco uma roupa toda gordinha, fico parecendo um bichinho de pelúcia. Só no final – a pedido dos pais – eu coloco um body e solto meus cabelos um pouco, pra lembrar aquela Monique…

C&P – A Gata de Botas não usa chicote e espartilho?

MONIQUE – Não, fica toda rosinha e cheia de pelúcia.

C&P – Mas por que você enveredou pelo teatro infantil? Foi o advento da AIDS?

MONIQUE – Não, apareceu um maluco aqui com um texto louquíssimo pra criança. Achei a peça inteligente, pirei, e resolvi fazer.

C&P – Daí pra você substituir a Xuxa é um pulo, né?

MONIQUE – Não, não. Não tenho tempo pra isso.

C&P – Você se dá muito bem com travestis e o gênero. Já pensou em trocar de sexo?

MONIQUE – Não. Imagina!

C&P – Graças a Deus! – (Em coro)

MONIQUE – Se eu nascesse homem, ia ser gay com certeza. Sou uma viada, ne. Não me sinto mulher. Sou um viado que nasceu num corpo de mulher.

C&P – É viado que deu certo.

MONIQUE – Não precisei pagar uma grana pra me operar. E sou assumido. Imagina eu homem? Não tem jeito.

C&P – Qual é a graça de ser viado?

MONIQUE – Não sei se tem graça, mas é uma coisa mais livre, menos tolhida. As mulheres não têm graça nenhuma. Quer dizer, vocês acham, mas eu não!

C&P – Você foi muito cantada por mulher?

MONIQUE – Milhões de vezes! Todas minhas amigas são sapatões! Não me dou com mulheres, são muito perigosas.

C&P – E sapatão não oferece perigo?

MONIQUE – Depois que viram amigas, não.

C&P – Você tem alguma coisa contra o velcro contra velcro?

MONIQUE – Não faz muito meu estilo. Com certeza! Gosto de uma mão enorme, um braço enorme…

C&P – Então: um pé enorme…

MONIQUE – E o batom? – (Cara de nojo)

C&P – Como é a cantada de sapatão?

MONIQUE – E muito lindo. Homem precisa aprender um pouco. Zé – (marido de Monique) – tem um pouco desse negócio. Olha, hoje em dia a grande maioria é bi. Só que aqui no Brasil não assumem. Lá fora, cara, é difícil você achar um homem–homem e uma mulher–mulher. Em Miami, então!

C&P – Miami tem muito é cubano. É diferente.

MONIQUE – O que tem de mulher gay na Flórida é impressionante. Você vai nas boates gays e vê milhões de pessoas, todas gays!

C&P – Puxa vida! Nas boates gays só tem gays! Rola muita inveja pra cima de você?

MONIQUE – Nossa! Não ando no meio das modelos porque é perigoso. Tento não ficar perto de mulheres. Te agridem demais! Tá andando na rua, elas falam, pra você escutar mesmo. É horrível!

C&P – É chato ser gostosa?

MONIQUE – Eu não sou, os outros é que acham. E é chato. Te cobram. Ontem me ligaram dum jornal pra saber quantas horas por dia eu cuida do meu corpo. “Olha, faço uma hora de ginástica por dia. Nem massagem tenho tempo de fazer.”. Aí o cara me agrediu direto, colocou que faço quatro horas por dia. Como se eu só tratasse disso. Uma hora por dia! Vocês não fazem ginástica de vez em quando?

C&P – Claro! Não dá pra ver? – (Flexionando os ralos músculos). Mas quando foi que você percebeu que era bonita? Quando ganhou um elogio?

MONIQUE – Nada! Como todas adolescentes que vem aqui, me achava feia. Era muito magra.

C&P – Aí um dia acordou boazuda?

MONIQUE – Não, comecei a trabalhar num lugar onde me achavam bonita por ser magra e alta.

C&P – E hoje, você se acha bonita? (Monique discorda com a cabeça). Não?! E tesuda? (Diz que não) E gostosuda? É o máximo?

MONIQUE – Eu sei os truques. Se vou fotografar de biquíni, sei que meu bumbum não é grande, então arrebito. Sei que minha barriga não é legal, então encolho. Sei que meu perfil não é legal, então não fico de perfil. São vinte e quatro anos que trabalho como manequim, né!

C&P – Não pode ouvir um click que arrebita a bunda!

MONIQUE – Mas com negócio de atriz a gente começa a se desligar disso. No palco faço milhões de caretas. Em nenhum momento tento ficar bonita.

C&P – Qual a parte do seu corpo que você menos gosta?

MONIQUE – Minha barriga.

C&P – Ah, joga no lixo lá de casa! Você se achava feia? Não tinha namorado?

MONIQUE – Namoradinho. Você acha que os feios não namoram?

C&P – Qual foi o primeiro?

MONIQUE – Vocês sempre querem saber do primeiro. Foi um surfista. Namorei ele durante um ano. Aí fui fazer cirurgia, tirar um cisto do peito, e fiquei “Vou morrer! Ainda por cima, virgem! Mamãe, não posso morrer assim”. Ela me deu o maior apoio.

C&P – As meninas que não quiserem ficar virgens é só arrumar um cisto no peito?

MONIQUE – Mas eu nem pensava no assunto. Eu tinha 18 e a mamãe é que já estava preocupada. Coitado do rapaz, eu já tava um ano com ele! Mas acho que ele devia ter outras namoradas… saia com outras pessoas sim, né, não ia aguentar um ano assim. Eu era histérica, gritava “Tira a mão!”.

C&P – Aí um belo dia gritou “Põe a mão!”. (risos)

MONIQUE – Foi, mas só porque eu achava que ia morrer, e todas minhas amigas não eram virgens. Eram muito loucas, muito mais do que essa juventude de agora, que é super saudável. Era época de píer, muita doideira, Mandrix, muita droga. Eu era careta, então ficava segurando minhas amigas que ficavam caindo no chão. Carregava pra casa e entregava.

C&P – Carrocinha de drogado.

MONIQUE – Eu era muito paz e amor. No final da Guerra do Vietnã fiquei toda de branco, entregando margaridas. Sabe aquela coisa de Hare Krishna? Eu e meu pai, a gente ia pra Santa Teresa, ficava meditando no templo. Imagina: meu pai, fiscal de rendas em Caxias, cantando Hare! Hare! Na porta do metrô…

C&P – Então você era hippie, careta, Hare Krishna e virgem?

MONIQUE – Mas virgem por opção, não porque achasse alguma coisa errada em trepar, porque todas as menininhas, com 13 trepavam há anos… graças a Deus que hoje em dia não é assim.

C&P – Hoje é com 9, 8 anos…

MONIQUE – Não, hoje elas é que escolhem o cara, a hora… antigamente elas transavam por raiva do pai, aquela coisa escondida. Hoje o pai sai e deixa elas sozinhas na casa. Prefiro a juventude de hoje. Por isso peguei o Zé, que tem 24.

C&P – Quando você começou essa fase Woody Allen?

MONIQUE – Ô, que sacanagem! Mas sempre fui assim. Só que com o tempo foi aumentando a diferença de idade. E muitos dos homens da minha vida viraram gays. Tem filhos e tudo, mas são gays. Outros viraram drogados, outros só falam em dinheiro, outros bebem, são horríveis. Os bons estão casados e as mulheres não vão largar eles assim.

C&P – Mas então um dia você chegou pro surfista e falou: “é hoje!”.

MONIQUE – Não, foi aos poucos…

C&P – Aos poucos?! “Hoje vai ser só até aqui”. E no dia que você foi fundo, como foi?

MONIQUE – Horrível! Não aconteceu nada. Odiei o negócio. “Gente, como mulher sofre!”.

C&P – E quando foi bom pela primeira vez? Ontem? – (risos)

MONIQUE – Muitos anos depois. O homem brasileiro não tem muita paciência pra mulher. Talvez por isso estejam virando todas sapatas.

C&P – É que a mulher brasileira é igual a carro: custa a pegar. De manhã, então, quando tá frio… tem que puxar o afogador – (mais risos). Tem que empurrar na ladeira… dar aquele tranco…

MONIQUE – Sabe o que é? O surfista da época era que nem a música do Evandro Mesquita: aquela coisa rápida, que usava as mulheres mesmo. E nunca fui assim. Os jovens hoje são mais românticos. Meu filho tem outra cabeça. As meninas de hoje se satisfazem muito mais.monique-evans_entrevista_casseta_2

C&P – Dizem que esse surfista hoje tá barrigudo e fica andando pela praia contando pra todo mundo que comeu a Monique Evans e ninguém acredita. Quando você posou nua pela primeira vez?

MONIQUE – Foi na PlayBoy, eu usava um shortinho, de costas, peitinho de fora, que nem peito eu tinha – foi antes do silicone – parecia um menininho. Um pouco de óleo e água no corpo. Tava queimada, de short branco, ficou lindo.

C&P – Que loucura! E como você encarou ficar pelada?

MONIQUE – Natural. Sempre fiquei nua dentro de casa. Vou ao banheiro com porta aberta, converso com o Zé, entra o Armando pra pentear o cabelo… tirar a roupa pra mim não é grilo, mas tem que ser de uma maneira bonita.

C&P – Não sacaneiam o Armando – (filho de Monique) – na escola?

MONIQUE – Não. Ele fala: “É bonita, né? Gostosona mesmo! Sua mãe não deve ser.”. Quando ele era pequenininho, a primeira vez que foi a praia e me viu de topless perguntou: “mamãe, você tá sem sutiã?”. Deitou e pôs o bracinho em cima do meu peito pra disfarçar.

C&P – Você sabe que foi responsável pela cegueira e mão cabeluda de muito adolescente?

MONIQUE – (fica vermelha e põe a mão sobre o peito) – Para! Para! Não inventa!

C&P – Você nunca fez filme nua?

MONIQUE – Fiz o “Eu”, mas tinha uma história. Mesmo assim fiquei atrapalhada de ficar nua na frente do Tarcísio Meira. Mandei sair todo mundo, só ficamos nós, o câmera e o diretor.

C&P – E Tarcísio Meira?

MONIQUE – Tava de cueca – (risos).

C&P – Como é que você dorme? Nuazona?

MONIQUE – De camisa velha, bem grandona. Sem calcinha – (frisson geral). Não consigo dormir toda nua.

C&P – Mas então… você tem uma camiseta escrita assim “hoje não!” ou dorme virada pra parede?

MONIQUE – O Zé me mata! Nem adianta camiseta – (gargalhada) – É da idade… ele é animado.

C&P – Animado como? Ele toca corneta e grita “vaaaaascooooo”?

MONIQUE – (rindo, embaraçada) – É animado e pronto! Chega! Pronto!

C&P – E você, tá ficando desanimada?

MONIQUE – Sempre fui! Trabalho muito, cara! Sou muito romântica, pra me animar preciso de carinho, uma lareira, e aí não dá tempo, a gente tem que acordar de madrugada com filho berrando…

C&P – Por que não investe? Deixa a lareira e o carinho pra depois?

MONIQUE – Não dá, não sou assim. Sou o oposto do símbolo sexual. Sempre preferi o namorado que fica a noite inteira beijando na boca do que o “vamos–ver”..

C&P – Coitadinho! Devia voltar pra casa na maior neura! E com a boca desse tamanho! Luísa Brunet também é assim?

MONIQUE – Não sei, não conheço ela.monique-evans_entrevista_casseta_3

C&P – (insistindo em saber quem é animada…)

MONIQUE – Ah! A Andreia Guerra! Essa é animada! – (percebe que não deveria ter falado). Ai que saco vocês – (dá um tapinha num entrevistador). Mas os homens gostavam de mim assim. Mesmo quando eu já tava querendo abandonar alguém, o cara entrava numa de ser pai dos meus filhos. Tinha que fazer até macumba pro homem sumir.

C&P – Ensina uma macumba aí!

MONIQUE – (reticente) – Mas isso naquela época… – (eles insistem). Tinha uma assim: você coloca o nome da pessoa e o teu por cima, cruzado. Aí você dobra e coloca num piresinho de mel. Coloca duas velas e acende. Pode ser feito também dentro da maçã: o mel, nos nomes, põe tudo dentro. E enterra. Fica complicado pro cara se libertar desse traste.

C&P – Por que homem brasileiro gosta tanto de bunda?

MONIQUE – Porque é o que a mulher brasileira tem mais! A mulher americana tem mais peito. Se americano gostasse de bunda ele ia dançar.

C&P – Por que então as mulheres fazem tanto jogo duro com a bunda? É que nem essas casas de suco onde tem aqueles melões… mas é só pra olhar.

MONIQUE – (rindo) – Pergunta pra elas! E a de vocês, não é só pra olhar? – (mais risos) – imagina, meu amor! Bunda de homem é maravilhosa! Pode ter certeza que a parte que a mulher mais olha no homem é o bumbum.

C&P – E o que a mulher pode fazer com a bunda do homem?

MONIQUE – (rindo mais ainda) – E o que o homem pode fazer com a bunda da mulher?

C&P – (animado) – Você quer saber mesmo? Vem cá que eu vou te mostrar.

MONIQUE – (dando tapinha nele) – Olha que a gente faz a mesma coisa com a bunda dos homens, viu!

C&P – Por falar em bunda, por que você fez tanta propaganda do Leo Jaime?

MONIQUE – Porque foi bom mesmo! – (vaias) – Daqueles todos com quem eu havia namorado, ninguém tinha pensado tanto em mim quanto o Leo. Inclusive indiquei ele pra uma amiga minha que não gosta muito pra ver se ela… Nossa! Ela gostou tanto…

C&P – Você indicou? É igual empregada? Ele dorme no emprego?

MONIQUE – Já falei que gosto muito daquela coisa do romance. Você sair, o cara pegar na tua mão, sabe assim?

C&P – Mas ele te marcava em cima. Quando a gente fez uma fotonovela contigo no Planeta, ele foi lá. Era meio zagueirão.

MONIQUE – A pessoa que mais suou pra eu namorar com ele foi o Leo. Eu tava apaixonada pelo Lobão, tava sofrendo, e como o Leo deu em cima! Nossa, Leo Jaime é animado.

C&P – Você ficou apaixonada pelo Lobão?

MONIQUE – Super! A gente ficou juntos um tempão!

C&P – O Lobão era Lobão mesmo ou era Lobinho?

MONIQUE – (sacode a cabeça e fica pensando. Pela cara de desanimada que ela faz, os entrevistadores riem) – Olha, se eu for falar de todos, esse é bom, esse não é… só falo do Leo e do Zé.

C&P – E o Zé também é zagueirão?

MONIQUE – O Zé tem uma cabeça de velho. Não sabe dançar. Todo mundo é piranha. Eu era maior delas! Nos filmes, quando ele vê uma mulher que traiu o marido: é piranha. Se tem uma mulher que terminou com um cara e sai com outro, mesmo só pra dar um beijo: é piranha. Isso nos filmes!

C&P – Isso é uma propaganda que ele faz pra conscientizar você. Ele é bem–dotado mesmo?

MONIQUE – (protestando) – Não fui eu que falei isso! Colocaram na entrevista!

C&P – Se fosse japonês tu casavas com ele?

MONIQUE – (hesita) – Acho que sim… se fosse um japonês louro de olhos azuis…

C&P – Ele não sabe dançar, acha que mulher não presta… que vantagem Maria leva?

MONIQUE – Ele é super companheiro. Fica comigo dia e noite. Não sai aqui da Maison.

C&P – Ah, mas se eu fosse casado com a Monique Evans, ficava com ela o tempo todo! E se minha mulher trabalhasse em salão, também não saia de lá.

MONIQUE – Ah, mas ele é fiel.

C&P – Mas como é aquela história da menina daqui que dava em cima dele?

MONIQUE – Era uma funcionária, coitada, mas não era isso. Ela não dava em cima dele. As pessoas que achavam, só porque ela não usava calcinha.monique-evans_entrevista_casseta_4

C&P – Ah! Bom! Só porque sentava no colo dele sem calcinha… – (Monique nega, rindo) – Esses concursos que tão tendo agora… essa menina de 14 anos que denunciou que teve que dar pra ganhar…

MONIQUE – Tem umas meninas que fazem PlayBoy e depois viajam pelo Brasil todo, ganham uma grana, tem carro do ano. As vezes não é nem pelo dinheiro, fazem pelo status de dizer que sentou a mesa com fulano de tal…

C&P – Sentou no pé de mesa de quem? – (risos) – Mas mesmo na moda não tem uns caras assim: “eu compro essa mulher…”?

MONIQUE – Tem! Fiz um desfile em Rondonópolis, numa boate onde você tinha que passar pelas mesas. Aí um cara falou: “te dou um caminhão de gado se você dormir comigo”. Na hora engoli, mas quando voltei, meti a mão na cara do cara!

C&P – Você recomendaria a profissão de modelo pra sua filha?

MONIQUE – Acho que ela vai querer ser, sabe. É peruérrima. Se tô me maquiando, pede pra passar o pincel nela. Ser modelo é uma coisa sofrida, não dá dinheiro. Tem que ter muita paciência.

C&P – Mas como não dá dinheiro? Não é um universo glamoroso?

MONIQUE – Eu, a Luísa, a Isadora, somos símbolos sexuais sérias. Conseguimos ganhar dinheiro fazendo desfiles no interior. Desfile com roupa! Eu não desfilo nem biquíni. Com isso a gente consegue mais, mas uma capa de revista é quase de graça.

C&P – Como você tá vendo essa onda agora de striptease de homens?

MONIQUE – Isso é uma coisa que existe no mundo inteiro. Fui assistir muito nas minhas viagens. – (ri) – Simplesmente assistia ao show, não agarrava ninguém, gritava quando eles tiravam, ria, era uma curtição. Esse negócio de sair correndo, agarrara, dar beijo na boca, é um pouco de tara. Minha despedida de solteira foi no Leopardos. Mary Malandro deu um beijo na bunda do cara. Estourei a champanhe num. Minha mãe coroou o melhor leopardo. Ai a gente encarnou: “mamãe, hein…”.

C&P – Não é a mamãe! Não é a mamãe! – (risos) – Uma coisa que sempre cismei: quantos sexos existem?

MONIQUE – (ri) – Olha, tem o só homem, o só mulher, o às–vezes–homem, o às–vezes–mulher, o sou–tudo–e–às–vezes–sou–nada. – (agora séria) – Eu sou uma estudiosa dos gays. Existem alguns tipos.monique-evans_entrevista_casseta_5

C&P – Roberta Close ficou melhor sem pau?

MONIQUE – Não sei, não experimentei nem antes e nem depois. – (risos)

C&P – Como foi sua briga com a Roberta Close?

MONIQUE – (com um muxoxo) – Ai que saco! Ela ainda! – (C&P insistem) – Olha… na época, era uma crise como essa de agora, e nenhuma das grandes modelos tava conseguindo trabalho. E ela, que nunca tinha desfilado, na vida, tava lá de noiva! Pensei: “ela é sindicalizada? A gente não luta por um sindicato? Como pode ela, que nem é sindicalizada, tirar trabalhos das grandes manequins?” Mas aí a mulher foi la, se sindicalizou e acabou com a minha.

C&P – Que sindicato é esse, o das Mulheres Boas? Eles entregam em casa? Imagina uma passeata desse sindicato! Existe a pessoa que tá aqui sentindo tesão em você, aí desce lá em baixo e vê seu marido e sente tesão por ele?

MONIQUE – Existe. Quem é, é você? – (risos) – Os bichos são assim, transam com a fêmea e com o macho. Cachorro? Tá lá, ó, na cadela, depois, ó, com outro cachorro. É tara! Por exemplo, você vê no interior cara que transa até com bicho.

C&P – Ah não, não vamos misturar. Transar com vaca é outra coisa. Tem um jumento em Barra Mansa que quando morrer vai ter muito marmanjo chorando.

MONIQUE – (rindo, sem graça) – Que isso, gente! Mas quem transa com bicho pode muito bem transar com outro homem. É questão de cabeça. Ou até de tesão na hora. Pode beber e pintar um lance… apaga a luz e… vai lá e pensa na Monique Evans! – (gargalhadas) – Bom, tem o hormônio também. Você vê mulheres, cara, elas falam assim – (voz grossona) – Não são sapatas, são homens. Muito hormônio.

C&P – E aqueles caras tipo Freddie Mercury, fortão de bigodinho? – (voz grossa) – “Bota que é cu de macho!”

MONIQUE – E dizem que tem que ser muito macho pra aguentar – (para o gravador) – Olha, isso são eles que tão falando, viu Zé? Eles é que falaram bobagem, eu não!


Publicado originalmente na Revista Casseta & Planeta, nº 03. De 1993.

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ao todo.

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