Dentre todos os povos do mundo, o baiano se destaca. Se destaca e vai até em casa puxar um ronco. Afinal, a Bahia é o pais da preguiça e Salvador é a sua capital. Preguiça e Bahia andam de mãos dadas. É uma tradição, um fenômeno histórico. O baiano é tão lerdo que, ao contrário do resto do Brasil, a independência lá foi dois de julho. Dois anos depois. Pois é, iam deixando… iam deixando…

Mas o H, da Bahia, continua lá. Ninguém teve ainda saco de tirar.

Dizem que o único baiano que trabalha é o Jorge Amado e mesmo assim quando quer trabalhar vai para Paris. Esse campeão baiano de produtividade leva três anos para escrever um livro. Idêntico ao anterior.

Só a preguiça baiana pode explicar o reinado do Antônio Carlos Magalhaes. Ninguém tem paciência para governar aquela coisa. Governar a Bahia??? Impossível. Se não é possível mandar um baiano trabalhar, imagine um montão deles. Lá, na Bahia, em época de eleição, o candidato sobe no palanque, mas antes bota um trio elétrico, senão não vem ninguém, aí se começa a falar que vai fazer isso, que vai fazer aquilo, que vai demolir, que vai construir. A multidão berra lá de baixo “CALMA RAPAIZ!!!” Na Bahia, tradicionalmente se elege o candidato que promete que vai fazer menos coisas.

Sociólogos, antropólogos e arqueólogos tentaram descobrir as origens da indolência do baiano. Chegou-se a conclusão que eles, os baianos, não tem cultura própria. Mandaram vir uma da África. Completinha. Baiano que é baiano não vai buscar. Manda vir.

Mas não é verdade que os baianos não gostam de trabalhar. O calendário é que não deixa. Ano passado, por exemplo, o dia do trabalho coincidiu com o primeiro de maio, que, todo mundo sabe, é feriado. No ano anterior, por sua vez, o dia do trabalho caiu numa segunda-feira, ora, a segunda-feira vem depois do domingo e assim metade chegou depois do almoço e a outra metade faltou mesmo. Mas trouxe atestado médico. Aliás, João Gilberto, como bom baiano, só mata o trabalho com atestado médico. Se Cristo tivesse nascido na Bahia, tinha faltado ao “Sermão da Montanha“ alegando resfriado.

Mas então, o que fazem aqueles baianos o ano inteiro? Pulam o carnaval. É o único jeito de fazer um baiano suar. E olha que o bodum lá é insuportável.

O carnaval baiano dura somente 430 dias, isso fora as micaretas, piruetas, romisetas e picaretas. Aí vem a “quarta-feira de cinzas”, que dura mais ou menos umas três horas. Então começam as Festas de Largo, as Lavagens, as Procissões…

O baiano é muito religioso e espiritualista. Na Bahia, o sincretismo religioso unificou a Igreja Católica à Quimbanda, Umbanda e ao Candomblé e é por isso que o lema dos baianos é: “Porque fazer nesta encarnação o que se pode fazer na outra???” E o animal preferido para as oferendas e despachos é, e só podia ser, o bode.

Mas a preguiça é tanta que as comidas já vêm mastigadas. É sarapatel, caruru, vatapá…

Mas a preguiça é tanta, mas tanta, mas tanta que todos os homossexuais baianos são passivos.

Um dia um grupo de baianos resolveu organizar um safari. Decidiram caçar tartarugas. Pegaram uma. Mas depois ela fugiu.


Publicado originalmente na Revista Casseta Especial, nº 18. De fev/1989.

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ao todo.

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