Devido a conturbação acelerada das grandes megalópoles urbanas, pouco a pouco, vão desaparecendo aqueles tipos pitorescos e picaretas que perambulavam pelos logradouros desta cidade outrora maravilhosa. Mas isso foi há muito tempo, ninguém lembra direito, a não ser nós que, naquela época, ainda não tínhamos nascido.

O acendedor de baseado

acendedor de baseado

Quando não havia ainda a luz elétrica nem a delegacia de entorpecentes, o Acendedor de Baseado era uma figura muito popular no Rio de Janeiro, circulando pelas imediações da Rua Larga, da Rua Fina e da Rua Bem Servida.

Eles faziam ponto na Travessa da Palha, e no Largo do Morretão, atual Morro do Borel.

Mal raiava o dia, os acendedores de baseado podiam ser encontrados desberlotando o camarão no cais do porto.


O mugueiromugueiro

No começo do século, o prefeito Pereira Passos baixou uma portaria obrigando os vendedores que iam de porta em porta a ficarem o dia inteiro no mesmo lugar. Esta medida arbitraria provocou a falência dos ambulantes pois os fregueses tinham que levar as suas portas até o centro da cidade para que nelas os vendedores pudessem bater. Desde essa época não se ouviu mais falar no Mugueiro ou vendedor de Mugs. Tempos depois, o Mug e o Simonal foram acusados de dedurar o Topo Gigio para o governo militar.


O amolador de facas

amolador de facaPrecursor dos atuais vendedores de pamonha, o amolador era uma das figuras menos queridas da população. Não era fácil ser um amolador, eram necessários anos de aprendizado como empentelhador. O empentelhador batia de porta em porta, perguntando: “É aqui que reside o Mario?“. Para avisar a vizinhança que estava chegando, o amolador passava pelas ruas sempre às três da manhã, lendo em altos brados os livros do Henry Maksoud ao som dos Salmos do Cid Moreira.


O videomakervideomaker

Alegria da petizada, o videomaker desfilava pela cidade com as suas roupas coloridas, anunciando em voz alta os seus novos projetos. Atrás dele, carregando os equipamentos, vinha um burro-sem-rabo, seu pai, que pagava tudo. A garotada animada seguia atrás do videomaker tacando pedras, paus e latas de cerveja que naquela época ainda eram em garrafas.


O abridor de pregas

abridor de pregasOs abridores de pregas eram, na sua maioria, portugueses rústicos, trabalhadores braçais, que iam de porta em porta oferecendo seus préstimos aos maridos que padeciam da moléstia chamada “fraqueza da próstata” ou “prepúcio caído”. Com o advento da vaselina, os abridores de pregas perderam sua função social. Mas a modinha de Chiquinha Gonzaga nunca será esquecida: “Ô abre as pregas que eu quero entrar…”.


O lavador de camisinhaslavador de camisinha

Depois da epidemia de gripe espanhola, que dizimou metade da população de pederastas do Rio Antigo, o grande sanitarista e avenida Oswaldo Cruz obrigou todo mundo a usar camisinha. Como naquela época ainda não existia borracha, os preservativos eram feitos de tripa de mulata, de filó ou de chitão. E para não sobrecarregar as donas de casa e as maquinas de lavar que, naquela época, eram exploradas pelo homem, surgiu a popular figura do lavador de camisinhas e seu alegre pregão: “Chicabon! Chicabon!”.

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ao todo.

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