Biografia


Bussunda, apelido de infância de Cláudio Besserman Viana, foi protagonista de uma vida surpreendente, sendo definido pelos próprios pais como “caso perdido” pelo desinteresse nos estudos até alcançar o sucesso como um dos maiores ídolos do humor brasileiro.

O estilo bonachão, sacana e irreverente de Bussunda nas telinhas, dava espaço ao homem tímido, dono de uma inteligência aguda e fator de equilíbrio nas decisões do grupo Casseta & Planeta. Junto com os outros cassetas, Bussunda mudou a história do humor desse país na década de 80, quando foram contratados pela Rede Globo para escrever o programa TV Pirata e Doris para Maiores, até chegar no formato do Casseta & Planeta, Urgente!, quando os redatores se tornaram também os atores.

Bussunda fez papeis antológicos, como o Marrentinho Carioca e seu bordão “Fala Sério”, as imitações impagáveis de Lula e Ronaldo Fenômeno, além de papeis femininos como a inesquecível Vera Fisher das novelas parodiadas. Outra passagem marcante de Bussunda foi quando ele deu a voz ao ogro gordo e verde da animação Shrek, num trabalho de dublagem de sintonia perfeita.

“No Brasil, a televisão sofre preconceito. Mas a produção de TV aqui é a melhor. Na Espanha e na Itália, por exemplo, as TVs parecem um enorme SBT.” Ao Globo, em 2004.

“A gente não aceita porque o negócio do Tabajara é ser o pior time do mundo e, se a gente jogar contra o Brasil, corre o risco de vencer.” Ao Globo, em 2002, ironizando as dificuldades enfrentadas pela seleção na época.

“Barcelona antes das Olimpíadas parecia governada pelo Cesar Maia. Hoje é uma das cidades mais lindas do mundo. Olimpíada é bom demais.” Ao Jornal do Brasil, em 1996.

“Tim Maia ficou irritado comigo por causa da imitação que fiz dele e disse que ia me dar porrada. Mas no dia em que ele marcar a briga não vou ficar preocupado, porque sei que ele vai furar.” À Veja, em 1994.

“Somos o grupo de humoristas mais politicamente correto do Brasil debochamos de todas as minorias sem nenhuma distinção de sexo, credo ou raça. E temos amparo para isso porque há no grupo dois judeus, dois negros e até uma bicha, que não posso dizer quem é.” À Veja, em 1994.

“O lugar mais estranho onde fiz amor? São Paulo.” Ao ‘Perfil do Consumidor’ do Jornal do Brasil, em 1992.

“Vamos fazer um concurso de lombo, porque não podemos falar bunda.” Na TV Globo, durante a cobertura do Carnaval de 1990, após ser proibido pela Globo de falar a palavra bunda no ar.

“Me apelidaram de Besserman Sujismundo e depois de Bessermundo, até virar Bussunda. Mas a versão oficial é que o apelido é a mistura das duas coisas que mais gosto.” Ao Jornal do Brasil, em 1994.

“Vamos ocupar as terras improdutivas das grandes cidades, como o Rio, a começar pelo círculo central do Maracanã, onde não se produz nada.”

“Arrastão é uma espécie de free shop de pobre.” À Veja, em 1996.

“A ‘Casseta’ me deu tudo. A minha e a popular.” À Tribuna da Imprensa, em 1988.

“Quanto pior o governo, mais fácil a piada.”

“O homem é o único animal que consegue estabelecer uma relação amigável com as vítimas que ele pretende comer.”

“Esse ano tem eleições. Os candidatos farão todas as piadas para a gente.”

“Na faculdade pública meus pais não podiam reclamar que pagavam mensalidade e a faculdade ajudava no meu projeto de vida de não fazer nada. Não me formei, mas foram ótimos anos”- entrevista a Luís Edmundo Araújo; IstoeGente, edição 225 de 24/11/2003

Bussunda, carioca da gema, foi um rubro-negro fervoroso, figurinha carimbada do Maracanã e com crônicas apaixonantes e divertidas da sua ótica sobre o futebol e seu time de coração.E foi justamente na cobertura do maior evento desse esporte, na Copa do Mundo da Alemanha de 2006, que Bussunda veio a falecer prematuramente, deixando o mundo órfão de uma figura cativante e desconcertante, um gênio na arte de viver.