EVERYBODY MACACADA

O muriqui é um macaco gente boa. Também conhecido como mono carvoeiro, é o “maior primata das Américas” e, pelo que andei sabendo, está pela “bola 7”. O pouco que sei dele, soube por gente que sabe muito e que cuida de um projeto pra salvar o bicho, lá no Parque Estadual de Ibitipoca (MG), um lugar que, se eu fosse você, assim que desse, ia correndo conhecer.

Nosso amigo “mono” é tão bacana que, pra início de conversa, entre eles, as fêmeas são “socializadas”, ou seja todas transam com todos, eliminando assim o velho papo de obter poder através da prole, perpetuação de DNA, cornitude, solidão, etc. Além disso, esses macacos são tão bonzinhos, que toda vez que são ameaçados por algum predador, a única “estratégia de defesa” que conhecem é, simplesmente, se abraçarem. Por essas e outras é que o muriqui ganhou o apelido de “macaco hippie” e se tornou a famosa “presa fácil”.

Pulando de continente, em paisagens africanas, temos os também ameaçados bonobos, os chamados chimpanzés pigmeus. Enfim, esses chimpanzézinhos são marromeno do mesmo porte dos nossos macacões acima citados e também compartilham dos mesmos hábitos.

Os bonobos são os únicos dos grandes primatas (Além dele, nessa categoria estão os chipanzés, gorilas e orangotangos. O nosso “muriqui” não conseguiu “classificação”), que não praticam violência extrema. É famosa a frase de um especialista no tema, que diz: “os grandes primatas resolvem sua questão de sexo com guerra. Os bonobos resolvem suas questões de guerra com sexo”. O problema é que na hora que o pau come (no mau sentido), a “galera do prazer” é muito ruim de briga.

Sobreviver no dia a dia de qualquer selva, mesmo as metafóricas, ce n’est pas mole non. A luta diária é árdua, sanguinolenta, ininterrupta. Pra qualquer um, seja macaco ou não. Mesmo para nossa espécie de primata, que, em sua maioria (ou a maioria dos que leem revistas), está acostumada a ver tudo mais “domesticado”, “civilizado”, “higienizado” e “seguro”.  Nos sentimos mais “confortáveis” e cheios de aspas, porque não estamos em tempos de escassez. Ao contrário, sobra tudo: de consumo a lixo.

Mas na hora que o bicho pega, todo mundo vira bicho. Nesse caso, nos tais momentos críticos, duas coisas meio malditas fazem uma falta danada: excesso de testosterona e saber lidar com estresse. Os bonobos e muriquis (não) sabem a falta que isso faz.

Na natureza e na vida, ser bonzinho só é bom quando está tudo bem. Ninguém sobrevive à luta sem “gostar” de lutar. Ninguém ganha guerra nenhuma sem botar “muita hora nessa calma”.

Ninguém vai a lugar nenhum ficando parado no mesmo lugar.

Texto originalmente publicado na Revista Alfa.

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