ANÃO UNIDO, JAMAIS SERÁ CRESCIDO!

anoes de jardim
Há quase 40 anos atrás, quando namorei minha “primeira judia”, o pai dela muito contrariado com o envolvimento “multicultural” (e racial) da filhinha, mandou-a me perguntar se, no caso hipotético de uma guerra Brasil e Israel, de que lado eu ficaria. Na época, respondi imediatamente que o “meu lado” seria o “de fora”, já que a única razão que eu conseguia imaginar para tal conflito seria pelo controle da H.Stern, o que não era muito prioritário na minha geo-política própria. De lá pra cá, sempre que pude, me abstive de opinar sobre as infindáveis quizumbas naquelas distantes latitudes e estranhei um tanto o fato dos conflitos diários mais próximos (por exemplo, em Manguinhos, onde temos nossa própria “Faixa de Gaza”), não causarem a mesma paixão. Mas agora, diante de tantas “escolhas” da diplomacia brazuca (entregar boxeadores cubanos, sacanear senador boliviano, apoiar facínora iraniano, babar ovo de ex-tirano líbio, adorar os zelayas, os bolivarianos e batistinis da vida, etc), acho que a declaração do tal diplomata/ministro israelense foi, realmente, muito ofensiva aos anões.
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Outros Dezembros virão

cassetas0091

Dezembro é sempre época de balanço, de pensar num ano que finda e em outros diversos clichês tão abundantes no mês natalino. Mas não vou falar desse dezembro e sim de um outro, que aconteceu há exatos 25 anos.

Era uma quarta-feira, sei disso não por contar com uma excelente memória (já foi boa, mas hoje, assim como os cabelos e joelhos, não é mais como outrora), mas pela certeza que era dia de pelada. Jogávamos um “salãozinho”(atualmente conhecido pelo nome meio afrescalhado de “futsal”) nas noites deste dia da semana, durante décadas.
Eu estava subindo as escadarias do clube onde travávamos nossas aguerridas batalhas contra a bola, quando meu parceiro Beto Silva, já acompanhado do também parceiro Bussunda, veio contar a notícia bomba que ia mudar nossas vidas.
Claudio Paiva, que era um dos fundadores do “Planeta Diário” (junto com o Hubert e o Reinaldo), tinha ligado. Ele já havia largado o mundo 100% desmonetarizado do “humorismo alternativo” das publicações udigrudis e estava trabalhando na Globo. Melhor ainda: o Jô Soares tinha ido pro SBT, uma vaga (das grandes) havia surgido na “grade” da programação e ele (Claudio Paiva) junto com o Guel Arraes, estavam precisando de redatores para um novo humorístico (que veio a ser o TV Pirata).
Claro que ainda tínhamos que ser aprovados. Precisávamos mostrar que o escracho e a irresponsabilidade total que imperava na nossa revista (o Almanaque Casseta Popular) possuía uma “versão televisiva”.
Nos trancamos (eu, Beto, Bussunda e Hélio de laPeña) pra produzir dezenas de páginas de roteiros pra esquetes, paródias(de músicas, comerciais, filmes, programas de TV, etc), seriados originais, personagens… tudo !
Passamos no “vestibular” (e melhor ainda, quase 100% do que escrevemos para esse teste foi produzido e exibido) e fomos, finalmente, contratados.
Durante 3 anos fomos os quase famosos roteiristas-criadores do famosíssimo programa que estava “revolucionando” o humor na TV quando… veio o “Pantanal” (sucessaço da extinta TV Manchete) e afundou toda a programação da emissora líder.
A ordem veio de cima. Era necessário mudar, apresentar novos projetos. Fizemos (7 caras: eu, Beto, Bussunda, Hélio, Marcelo Madureira, Hubert e Reinaldo) um piloto de um programa que misturava jornalismo com humor onde nós mesmos éramos os repórteres. Chamava “Casseta& Planeta Urgente” e só não foi aprovado porque nós não éramos conhecidos.
O ano era 1991, a solução encontrada foi colocar um rosto famoso para nos dar suporte (a lindíssima DorisGiesse) e passamos a integrar o elenco de “Doris para Maiores”, programa mensal que durou só uma temporada.
Em 92, finalmente, “deixaram” a gente entrar com “marca” e tudo e nasceu o primeiro de uma série de quase 600 “C&P Urgente”.
Paramos em 2010, depois de 18 anos no ar (e liderando), pra dar um tempo, refrescar, repensar, recompor. Afinal, estávamos há um tempão na batida, direto, sem tirar, “superando” até a perda donosso bandleader, nosso irmão.
Voltamos esse ano com o “Casseta& Planeta Vai Fundo”, foram 20 episódios. Foi divertido pacas fazer. Mas não voltaremos mais.
Foram tantas histórias. Fizemos história também. Sem nenhuma modéstia, sem nenhuma arrogância.
Soubemos, ou tentamos sempre, cutucar, sacudir, fazer sempre rir. Conseguimos inúmeras vezes, outras tantas, não. Mas nunca paramos de estar atentos, querendo, brincando de ousar.
A vida mudou, o tempo passou, a TV e o Brasil são outros. Vamos continuar na lida, claro. Mas de maneiras diversas, participando e produzindo de outras formas.
O importante é manter sempre teso (tomara!) o arco da promessa. Volveremos ! Quando ? Não sabemos. Juntos ? Quem sabe ? O futuro a Deus pertence, até para nós que somos ateus.
Vinte e cinco dezembros depois vai ao ar nosso último programa. Vai ser dia 21, data prevista para o “apocalipse”, mas não vai ser nenhum fim do mundo.
É só o fim de um ciclo, o início de novas coisas (avisei que esse era o mês dos clichês).
É vida que segue. E segue boa.

Texto originalmente publicado na Revista Alfa.

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