O romance (é)para moças

Post_Claudio_Amor

Quer coisa melhor que passar o dia jogando conversa fora, cercado das melhores companhias e caipirinhas, vendo um mar exibindo uma beleza que parece feita só pra te relembrar que a gente trabalha é pra ter férias?

Pois foi num dia maravilhoso, das minhas vacaciones idem, que surgiu o tema clichezão-basicão: “qual o melhor filme que você já viu?”, coisa e tal, tudo muito comum, tudo muito normal. Os machos escolheram os de sempre, um “Blade Runner”, ou “Clube da Luta” aqui, todos “Godfathers” lá… e as moças escolheram… bem… pois é, por mais que me esforce, não consigo lembrar de nenhum. Só lembro que todos, pra mim, pareciam algo que sempre tinha uma atriz inglesa (ou similar) muito branca, onde se amava muito e se trepava não tanto, ou seja, algum “clássico” do famoso gênero “de Amor”.

Foi então, que entre pensamentos caipirínicos, senti o tilintar da ficha caindo… taí: esse tal de “romance”, é, realmente, para moças.

Vejam bem, não estou aqui, trogloditamente, afirmando que nós, portadores e honradores do cromossomo Y, não podemos investir (ou até charfurdar) numa paixãozona daquelas de descadeirar.

Claro que dor de corno dói e que várias bebedeiras e maluquices sempre serão realizadas “em nome do amor”. E, a não ser que você saia suspirando demais, saia choramingando demais, queira se descabelar demais, pode-se viver todo o espectro das emoções eroto-sentimentais sem que ninguém (muito menos você mesmo) precise duvidar da sua masculinidade.

Ou seja, claro que o “Amor” é legal, mas a filmografia é fraca. Tirando um “Casablanca” (E mesmo assim só porque tem o Humphrey Boggart, que sempre reduz o nível de frescura de qualquer coisa em que ele aparece e a Ingrid Bergman lindamente jovem. Aliás, foi quando a vi nessa inolvidável película que tive, pela primeira vez, bronca da velhice), juntando tudo dá, no máximo, uma boa sessão da tarde.

Mas, falando sério, quem é que ainda necessita de mais uma “comédia romântica” ou de mais um “romance inesquecível” que ninguém vai lembrar? Por que alguém em, sã consciência, ainda sai de casa pra saber (já sabendo) como um bonitão europeu (ou similar) bem pago, sofre/vive/supera para viver/superar/sofrer mais uma “linda história de amor” com alguma lindona americana (ou similar) também extremamente bem paga?

A resposta é simples… o mulherio adora. E como a gente não vive sem elas, a coisa toda não vai parar nunca.

Sei lá o porquê, mas elas, desde menininhas, necessitam do pacote completo: suspiros, lágrimas, beijos com lareiras ou crepúsculos em praias desertas ao fundo, príncipes encantados (hoje em dia, depilados) amores e bonitões impossíveis… É o futebol ou, até mesmo, a “pornografia” (no sentido do tempo e dinheiro despendido) delas.

Enfim,  amores românticos,  com trilha sonora, casting bacana e boa fotografia é coisa de mulherzinha. Amor é que nem cabelo, todo mundo gostaria de ter pelo menos um deles bem bacana… mas mulher fala muito mais sobre ambos.

Texto publicado na Revista Alfa, 21/03/2012.

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ao todo.