Perdeu, preiboi

20120924_claudio_perdeupreiboi

No iniciozinho de agosto a “casa caiu” e eles começaram a ser presos. Era o fim da “gangue dos playboys”, um grupo composto por dezenas (???!!!) de jovens de “classe média” (hoje em dia quem não é dela?) e que se tornou a mais ativa quadrilha, no ramo do sequestro relâmpago, em São Paulo.

Embora gostando de gastar os ganhos auferidos com o crime em carros, farras e roupas de grife, os meliantes mauricinhos tinham também ocupações menos glamourosas: um era “auxiliar de cozinha”, outro “motoboy” e moravam em bairros como “Jardim Macedônia” e “Capão Redondo”, entre outros endereços “emergentes”.

Ou seja, o “playboy” que sempre foi visto como um bon vivant oriundo das “zélites”, que teve nomes como Jorginho Guinle e Porfirio Rubirosa, na qualidade de representantes máximos do “cargo”, agora apareceu também na “classe C”.

Sinal dos tempos, claro. Afinal, esse tal do brasileiro tá muito mudado. Continuamos na “África” em vários quesitos (saneamento, civilidade, educação, justiça, transporte público, favelização, etc), mas também estamos ficando, de uma certa forma, “melhorzinhos”. Compramos mais, vivemos mais, viajamos e engordamos mais.

Lembra quando Luiz Inácio ficou injuriado dentro das calças, quando o IBGE (bem no início do primeiro mandato), anunciou que o país tinha mais obesos que famintos? Aquela informação além de prejudicar um dos carros-chefes dos programas-propagandas sociais, o Fome Zero (lembra?), desmoralizava o inacreditável (em todos os sentidos) número de 56 milhões de “vítimas da fome” que foi alardeado, durante anos, por todos os especialistas em alardear.

Onde foi parar essa imensa população de famélicos, que era como a esquerda (lembra?) chamava quem não comia? Os gordinhos comeram eles? A verdade é que tanto aqui, quanto nos states, pobre, quando tem mais grana, compra: além de TV de tela fina, muito mais junk food e coca-cola. Quem aplacou a fome do brasileiro foi o Habib’s. Igualzinho a “lá fora”, o problema agora não é mais emplacar o “Fome Zero” e sim, desentupir as coronárias.

Portanto, não é surpresa que até nossa bandidagem esteja mais “primeiro mundo”, mais bem alimentada e mais metrossexual.

Os jogadores de futebol, talvez por ganharem grana há mais tempo, foram os primeiros a trocar o visual rústico-tosco daqueles que, antigamente, vinham das “camadas mais humildes”, pela estética popstar. Hoje, todos (ou muitos) poderiam ser confundidos com rappers americanos. Todos são depilados, fazem sobrancelha, ostentam jóias, bonés, óculos espelhados e penteados complicadíssimos.

Se você observar alguma foto (vá na web) dos membros da “gang dos playboys” vai ser incapaz de dizer que atividade profissional eles exerciam. Poderiam jogar no seu time, trabalhar na sua obra, ser uma banda de sertanejo universitário, ou axé-pagode-funk de qualquer (ou nenhuma) escolaridade, ser da turma da sua filha e/ou perigosos criminosos, ou várias dessas opções ao mesmo tempo.

Tempos difíceis para os estereótipos: azar o deles. Legal que peões de obra tenham “cabelinho Cristiano Ronaldo”, mesmo que o preço a pagar por tanta mobilidade social seja o de ter que se conviver com bandidos de figurino bastante duvidoso.

28
ao todo.