MANUAL DO NOVO VELHO – um guia introdutório à velhice.

manual-do-novo-velho_cmanoel_casseta

Ninguém ensina ninguém a envelhecer. Nem a começar a envelhecer, que é uma coisa parecida com usar peruca: todo mundo nota, menos quem acha que está “disfarçando”.

Em todos os tempos, as civilizações/culturas/agrupamentos se ocuparam da “questão”, desde elegendo alguns poucos velhos para ainda mais raros (ou ficcionais) “conselhos de anciões” (os 3 plurais são válidos/aceitos, tá?) até, simplesmente, relegando todos ao abandono e foda-se. Afinal, a natureza (e seus ciclos) só é fofa na Disney, ou para a “esquerda ambiental”.

Em tempos modernos, várias tentativas, desde farmacológicas a previdenciárias, foram desenvolvidas na intenção de proteger/atenuar (em nossas latitudes não conte muito com isso), os impactos daquela que já foi conhecida como “terceira idade”.

No entanto, preparar, treinar, apresentar o “novo” cotidiano, as “novidades” (com aspas e sem ironia) que a velhice traz, isso ninguém faz.
O certo é que divagando se vai ao lounge… por isso, na vizinhança de completar meus 5.8, resolvi iniciar um projeto, um tipo de guia introdutório, mas nunca um manual de “sobrevivência” (seria propaganda enganosa), algo que poderia ajudar ou amenizar o percurso dos novos velhos, os que estão chegando agora, naquele que será, se tudo der certo, o maior período das nossas vidas.

Pra começar, 3 tópicos/fundamentos: um inevitável (até onde der), outro a se evitar (idem) e o terceiro, uma versão do famoso “enxugar gelo” nesse quesito/tema/assunto.

Tópico 1: um dos primeiros sintomas/sinais de envelhecimento é a  progressiva inadequação à “cena musical”. De repente, mesmo você sendo do tipo que arregaça os limites do ecletismo, não aguenta mais, entrega os pontos e desabafa: “essa porra não é música!”.  Você deve adiar isso ao máximo, de preferência capitulando antes de apelar para “procedimentos” cirúrgicos/cosméticos extremos, mas saiba que esse momento é 100% inevitável.

Tópico 2: uma das maiores características do enraizamento irreversível do “ato de envelhecer” é a predominância (e bota dominância nisso) da “temática”: médicos, exames, palavras terminadas em “ite”, “ose”, “oma”, etc. Um fascínio cada vez mais incontrolável de falar da saúde, da falta dela, ou de como a falta de assunto (algo parecido com o que acontece, em todas as faixas etárias, com a meteorologia: “será que vai chover?”, “esse tempo tá muito maluco”, etc) pode ser preenchida por um insistente e recente (cada vez mais o primeiro e menos o segundo) “interesse médico”.

Tópico 3: pelos. São inadministráveis. Ficam brancos onde não esperávamos, raros ou inexistentes onde não queríamos, surgem onde nem imaginávamos (orelhas, narinas, etc) e todas as tentativas de controlá-los beiram o ridículo, o desespero, ou ambos.

Está é uma obra em progresso, também conhecida em nosso idioma como: “uorquinprogres”. Aceito sugestões. Inclusive as que me aconselhem a desistir desse tema, porque isso é assunto de velho.

68
ao todo.