Seedorf in Rio

Numa semana de final da Libertadores, de cem anos de Fla-Flu, a maior notícia esportiva para os botafoguenses foi produzida em casa.

Ressurgir no noticiário esportivo trazendo para o país um craque europeu, realizando a maior contratação do futebol brasileiro,  é uma espécie de Viagra pra autoestima da torcida alvinegra. Seedorf. Em General Severiano não se fala de outra coisa. As camisas com o nome do homem se esgotaram na lojinha.

Óbvio que o holandês nascido no Suriname não vai fazer milagre. Também não espramos que ele resolva tudo sozinho. As contratações não podem parar por aí. Alguém tem que aparecer pra receber as bolas que vão ser lançadas. A defesa também precisa de reforço. No mínimo temos que ir a uma loja de material de contrução comprar cimento pra tapar os buracos e montar uma muralha.

Muita gente se pergunta como o Seedorf veio parar no Botafogo. O curioso em toda essa historia foi o papel da Luviana. A esposa brasileira do negão foi apontada como a grande responsável pela vinda do jogador para o Rio. Um amigo meu, que estava na casa do casal quando eles discutiam a proposta, me contou como a coisa rolou:

– Você vai jogar no Botafogo e tá acabado. Assina logo, anda! O Rio tá bombando, além disso nós temos um apartamento no Leblon que tá fechado há um tempão.

– É verdade, querida. Lá eu já tenho onde ficar, nem vou gastar com aluguel… A única despesa que vou ter é com as passagens de avião pra vir à Europa.

– E pra que você vai vir à Europa?

– Ué, pra te visitar, né? Vou morrer de saudades de você, meu amor!

– Tá maluco? Eu também vou me mudar pra lá!

– Sério?!

Com essa Seedorf não contava. Ronaldinho Gaúcho, seu grande amigo dos tempos de Milan, quando falava do Rio, só se referia aos bailes funks, às popozudas e às marias chuteiras que aqui dão mais do que jaboticaba. Mas Seedorf teve que trazer marmita pro banquete. Pra se dar bem fora das quatro linhas, vai ter que driblar a dona encrenca…

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