O MAR da BARRA é BARRA!

 Sempre achei perigoso nadar na Barra. Quando pequeno, até a areia era uma ameaça. O  carro do meu pai invariavelmente atolava na areia fininha quando estacionávamos na avenida Sernambetiba. Ficava apreensivo – não tinha certeza se conseguiríamos desenterrar as quatro rodas, e não dava para voltar a pé pra Vila da Penha.

Toda vez que olhava as ilhas lá fora, pra mim eram como territórios avançados da costa africana. Nunca pensei em conhecê-las de perto, só em caso de um naufrágio ou acidente aéreo. E não é que acabei indo lá por livre e espontânea vontade?

Era um domingo ensolarado, o mar estava tranquilo,  a  temperatura da água agradável, condições perfeitas para encarar os dois quilômetros que separam as Tijuquinhas da costa brasileira. Talvez a África não fosse tão longe assim…

O grande barato da natação em águas abertas é que você se torna seu próprio meio de transporte. A corrida também tem essa característica, a diferença é que quando se tem um oceano pela frente, só correndo sobre as águas, coisa que até hoje apenas um cara conseguiu – mesmo assim, há controvérsias.

A organização da prova foi um tanto caótica. Ninguém sabia direito qual o percurso, ainda por cima tínhamos que passar por um cânion que não víamos da praia, era preciso se aproximar das ilhas para descobrir que não são duas e sim várias! Dois mil metros não é uma distância assustadora para quem está habituado a treinar no mar. Porém, uma coisa é nadar paralelo à costa, outra é se enfiar mar afora, qual um descobridor ibérico, sem caravela. Você tem certeza disso quando vê os barcos passarem e, pelo estado de conservação de alguns deles, dá pra imaginar um marinheiro com o leme numa das mãos e uma garrafa de pinga na outra.

Esses devaneios me distraíram e quando já não esperava, cheguei ao tão falado cânion, entre a ilha Alfavaca e as Tijucas. Fiquei aliviado. Até lembrar que tinha que voltar. Contornei a pequena ilha e fiquei de frente para a costa. E agora, pra onde nadar? O tempo estava mudando, uma vento forte soprava, nuvens esconderam o sol, o mar agora estava mexido. O edifício que tinha marcado como referência parecia um tatuí enterrado na areia. Procurei por um apoio, algum salva-vidas e nada. Eles tinham motivo pra não ficar por ali, era muito perigoso!

Nadava sem saber se ia parar no Recreio dos Bandeirantes ou na praia de Ipanema. Não vi mais nenhum nadador, tinha a impressão de que todos os outros resolveram ia ficar nas ilhas.

Teoricamente a travessia, ida e volta, tinha uns quatro mil metros, na prática, quase 5 quilômetros! Estava a ponto de desistir e deixar a vida me levar. Até que lembrei que não podia faltar às gravações do Casseta nem morto! Foi o que me deu forças pra beber mais água e enfim ser empurrado pelas ondas até a areia.

Ufa! Missão comprida (*)!

(*) Alô, revisor, é comprida mesmo! Vai lá conferir!

4 Comentários

  1. Susana Ericson   •  

    ADORO…Rs !

  2. josé Francisco Teixeira   •  

    o peña fala sério que tu não bate bem já se sabe apesar dessa loucura inteligente mas nadar em alto mar não é sábio te cuida deixe a africa lá perto das tijuquinhas ou vai de bote prancha e, ainda por cima vai que algum tubarão anti cairoca que não gosta de jacarezinho e se empenha e não sobra nem peña desse cassetinha é do casseta

  3. Ricardo Costa   •  

    Michael Phelps, Cesar Cielo… Nenhum desses. Meu nadador favorito é o Helio!

  4. Edson Vianna   •  

    Bem colocado, participei dessa prova também, e na volta senti a mesma impressão, de que estava só, para onde foram os nadadores? onde esta a chegada? mas emfim….assim vamos conhecendo as belas praias do Rio de Janeiro por um outro angulo.

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