O ENEM DA COPA

O Brasil passou três anos na maior vadiagem e virou as últimas madrugadas estudando para o teste da Copa. Por isso não deu tempo de se preparar direito. Mesmo assim, não foi tão mal nos primeiros exames. A estreia em Brasilia teve um pouco de tudo. Começou com as já tradicionais manifestações dos estudantes, que a polícia fez questão de dar uma apimentada. Muita gente protestando contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus, o que deixou o povo sem grana pra comprar os ingressos, as cervejas e os salgados da Copa das Confederações.

Nada disso impediu que a festa rolasse dentro do Estádio Mané Garrincha. Garrincha, em homenagem ao craque de Pau Grande e Mané, em deferência ao povo brasileiro que desembolsou 1 bilhão de reais pra reformar o estádio.

O carnavalesco Paulo Barros foi o responsável pela cerimônia de abertura, mas jura que não foi ele quem organizou a vaia à presidente Dilma, o ponto alto da apresentação. Dilma disse que não foi tudo isso que tão dizendo, mas já avisou que tem um compromisso importante no dia da final do torneio. E já nomeou um representante mais carismático, o pastor Marco Feliciano.

Não é fácil encontrar o lugar marcado dentro do estádio. Felizmente contei com a ajuda um funcionário que falava português fluentemente. Ele foi muito atencioso quando perguntei onde ficava o portão J nível 3 bloco 514, fileira H assento 171. Só não soube me dizer onde era o meu lugar porque eu não sabia o cep.

Apesar de o entorno estar em obras, as instalações dentro do estádio impressionam pela beleza. Você se sente numa arena de primeiro mundo. Além das cadeiras numeradas, amplos corredores, restaurantes com vista para o campo, tudo muito bem apresentado. A sensação de estar num país estrangeiro aumenta quando você nota que o preço das comidinhas é em euros. Felizmente acabam rápido, assim ninguém precisa gastar suas economias.

Quando a bola começa a rolar, os problemas desaparecem. Em três minutos Neymar acaba com seu jejum com um golaço. E quem não viu na hora pôde acompanhar o replay no telão. A tecnologia, aliás, deixava todo mundo boquiaberto. Muita gente nem assistiu ao jogo, ficou só vendo a câmera spider passeando sobre o campo, sempre em cima do lance. Pena que a internet não funcionava pra gente postar fotos dessas maravilhas…

O Japão foi o adversário perfeito. Educado e reverente, fez questão de não atrapalhar a festa. Tomou três gols sem perder a linha, só o jogo. Alguns jogadores atuaram com uma câmera no bolso e tiravam fotos cada vez que levavam um drible do Neymar.

Tudo muito certinho, muito arrumadinho, mas é estranho um jogo de futebol sem bandeiras e sem batuques. Também ninguém aguenta mais cantar “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!” Por que não aproveitaram o superfaturamento pra reformar também os gritos de guerra?

Encerramos a primeira rodada na liderança. Itália e Espanha derrotaram seus adversários e mostraram que vieram dispostos a brigar pelo título. Mas eles que se cuidem porque o Taiti quer quebrar a escrita e faturar tanto a Copa das Confederações quanto a Copa do Mundo, se chegar lá.

3 Comentários

  1. Dja   •  

    Nossa… impressionada rsrsrs Tudo isso e muito +++++++++++

  2. Bernardo Lacombe   •  

    Boa Helio. Abraços.

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