O PROTESTO FASHION DO LEBLON

Os protestos estão por toda parte. E o bairro do Leblon mostrou que acompanha as tendências da moda, sendo palco de uma das manifestações mais elegantes desta temporada. Nada como uma passeata de frente pro mar! Quando a multidão começou a se aglomerar numa esquina próximo à casa do governador Sérgio Cabral, Manoel Carlos desceu de seu apartamento com um bloquinho para anotar o que estava acontecendo e botar na sua próxima novela, “Esculachos de Polícia”.

Como sempre, o protesto começou pacificamente, com as pessoas gritando palavras de ordem e queimando um boneco que representava o governador. Também como sempre, um grupo de arruaceiros se infiltrou na galera e passou a tocar o terror. Os barderneiros eram facilmente identificáveis. Uma parte deles estava vestida de preto e com o rosto coberto. Outros estavam uniformizados com capacetes, escudos e fortemente armados.

Os moradores não estavam entendendo nada. Dentro de um restaurante luxuoso, um consumidor reclamou que seu prato estava muito condimentado. O chef explicou que aquilo não era o tempero e sim o spray de pimenta que invadia o salão.

Enquanto muitos manifestantes pediam o impeachment do governador que 67% deles colocaram no poder, a bandidagem aproveitava pra quebrar vitrines e fazer um ganho. Flagrado saqueando a loja da Toulon, um sujeito disse que não era ladrão e só fez aquilo porque não tinha roupa para frequentar uma manifestação num bairro tão chique.

Desesperado, o governador acionou o esquema de segurança do estado. Todos os helicópteros que ele não estava usando vararam a madrugada sobrevoando a área mais valorizada da cidade. Segundo especialistas, as aeronaves gastaram na madrugada o equivalente a mais de 150 deslocamentos Rio-Angra. Combustível suficiente para transportar o cachorro Juquinha, as babás, a prancha de surf e uma peça de roupa dos membros da família do governador de cada vez, pra não amassar na viagem.

No dia seguinte, em meio às lojas e bancos depredados, alguns investidores circulavam pelo Leblon fazendo ofertas aos proprietários dos imóveis, que desvalorizaram em uma noite mais do que as ações do grupo Eike Batista. Sentado num café, o novelista Maneco parecia preocupado. Estava com dificuldade para escalar a atriz que fará sua próxima Helena. Nenhuma das que ele convidou topou gravar cenas tomando porrada da polícia. Elas argumentam que as marcas de hematoma ficam muito feias em HD.

 

 

8 Comentários

  1. David   •  

    ..escutei de um outro frequentador do restaurante, que indignado com a desculpa do Chef, declarou irritadíssimo: Pimenta no cuscus do outro é refresco !

  2. Marcos Cavalcante   •  

    Gostei. MasV tá muito soft…

  3. Thais de Mello   •  

    Adorei a matéria!! Show de bola!! 😀

  4. Daniel Silva   •  

    Hélio, a sua matéria é excelente !!! Mas devo alertá-lo para um pequeno lapso textual em seu contexto. A foto publicada é de São Paulo, região central, av. São João, onde provavelmente ocorrera o evento “fashion”… Com isso, infelizmente, a piada não pode ser protagonizada pelo bairro do Leblon, no Rio. Espero que você não repita mais este engano de trocar os cenários, pois poderá por exemplo, fazer as piadas do Papa rezando as missas no deserto do Afeganistão.

    • Helio de La Peña   •     Author

      daniel, a foto foi escolhida de propósito. queria um evento de moda em público, independente de ser ou não no leblon. apenas pra dar mais graça ao texto. obrigado, de qualquer forma. mostrou que fez uma leitura atenta do meu trabalho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *