CASTIGO PRODUTIVO

Ser pai é ser mala, eu admito. Não sei se enchemos o saco dos filhos pra educa-los e fazê-los crescer ou apenas pra descontar neles o que sofremos na infância. O fato é que não dá pra exercer a paternidade sem de vez em quando pegar no pé da molecada. Semana passada entrei no personagem e resolvi perturbá-los. Como todos garotos da idade, os meus são maníacos por videogames. Nada mal, se  a brincadeira não se torna a única forma de lazer. Daí para o vício é um passo.

A primeira tentativa de manter o controle da situação foi estabelecer uma regra. Negociamos um tempo ao chegar do colégio e outro mais à noitinha, depois de feitos os deveres de casa. O período de jogatina era tranquilo. O intervalo entre eles também. Comecei a perceber o motivo de tanta paz. Eles vegetavam na entressafra, aguardando a hora das porteiras virtuais se abrirem de novo.

Uma maneira de ter paz num fim de semana era liberar geral. Eles estavam loucos pra jogar e eu louco pra me dedicar a ficar de bobeira sem ouvir nhém-nhém-nhém. E dava certo. Não se ouvia um pio na casa. Só tiros, explosões, gargalhadas sinistras e trilha sonora potencializando a adrenalina. O problema era a ressaca. Depois de horas e horas com o controle na mão, tinha que soar o comando de cessar fogo. Era o início de todo tipo de problema.

Meus filhos estavam se comportando como qualquer toxicômano sem sua droga! Os sintomas foram fáceis de reconhecer: mau humor, desobediência, desentendimentos, a cara amarrada quando o computador estava desligado. Notei que permitir que jogassem por mais tempo não trazia leveza para o pouco que sobrava do dia. Eles ficavam na fissura, rondando o computador, atrás de uma rapa de Dragon Ball Z” ou de uma bagana de “Call of Duty”.

Era hora de uma atitude drástica. Não queria levá-los num VA – videogamers anônimos. Tentei uma receita caseira. Apliquei uma abstinência total por sete dias. Avisei-lhes da reação que podia provocar no organismo, caso não buscassem outras formas de se entreter. E a solução veio do mesmo computador. Na impossibilidade das batalhas, retomaram contato com um site que recomendo: o Manual do Mundo. Nele o criador, Iberê Tenório, ensina como fazer uma série de engenhocas e truques, mostrando de forma prática princípios da Física e da Química.

Os dois moleques resolveram montar um robô-guindaste-hidráulico. Claro que tive que me envolver. Listamos todo o material necessário, saímos à cata de compensado de madeira, ganchos, parafusos, seringas descartáveis, tubos plásticos, enfim tudo que íamos utilizar na construção do modelo. Passamos horas acompanhando passo a passo as instruções do site, serrando, cortando, colando, furando. O resultado ficou ótimo e impressionou os amigos – deles e os meus! Foi o castigo mais produtivo que apliquei nos garotos.

Como prêmio, o videogame foi liberado – com moderação. O saldo foi bastante positivo, pois eles retomaram o gosto por outros tipos de brincadeiras que já estavam esquecendo que existiam.Vou entrar em contato com o Iberê Tenório pra saber se ele não aceita ser baby sitter aqui em casa. Não precisa ser todo dia, nem dormir no emprego. Carteira assinada e férias de 30 dias, tudo de acordo com a PEC dos empregados domésticos!

3 Comentários

  1. Marcos Taty Veloz   •  

    Alô, Helio da Peña! Você acaba de ganhar o meu respeito por postar, em seu blog, informações tão importantes para nossa sociedade realmente brasileira. Deus te abençoe juntamente com os teus. Abração virtual e muito obrigado.

  2. Lete   •  

    Nós, pai e mãe, levávamos nosso filho para brincar no parque, praia, ou brincávamos em casa (apto. minúsculo rsrsrs), sessão cinema, cobertor na janela kkkk, O importante mesmo para os filhos são os seus pais brincarem, e estarem ao seu lado.

  3. Alexandra   •  

    Também amo este site, eu e meu filho de 06 anos curtimos muito e sempre fazemos algumas experiencias, usando gelo seco.

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