NA ABA DOS MOLEQUES

Fim de semana desses fiz uma viagem diferente. Meu filho João, 11, foi convidado a dar uma palestra no evento Aves de Paraty. O moleque é um ornitólogo mirim e os organizadores queriam que ele falasse de sua paixão por pássaros. E lá fomos nós – pai, mãe, irmão, todos na aba do garoto. Instalados numa pousada na base do 0800, curtimos passeios pela cidade, arredores e, claro, as atividades do evento. Será que posso ser processado por exploração de menor? Na dúvida, melhor consultar um advogado.

Sempre achei caô esse papo de que você aprende com os filhos. Mas meus moleques me ensinaram que eu tava errado. Enquanto o mais velho me dá dicas de edição de vídeos e mostra o que rola no mundo do hip hop, os pequenos me levam pro mato pra mostrar que existe muita coisa maneira na Natureza.

Aos sete anos João começou a se interessar por aves. Levei-o a um passeio no Jardim Botânico guiado por um ornitólogo. O garoto se encantou pelo assunto, devorou os guias, mergulhou em sites especializados como o wikiaves, pediu câmeras, gravador, binóculos e mudou o fuso horário da casa. Passei a madrugar nos fins de semana pra levá-lo aos parques, bosques, praias pra ver os pássaros. João arrastou todo mundo pra essa onda. A mãe e eu temos o papel de transportar e dar furos – nunca acertamos que bichinho é aquele voando no meio das folhagens.

Seu irmão mais novo, porém, passou a se interessar por fotografia –  inicialmente registrava aves. Em seguida, passou a prestar atenção em pequenos insetos, em sapos minúsculos, enfim, em criaturas que mal víamos enquanto o moleque captava com uma lente macro – por sorte, a mãe é fotógrafa, o que facilita o acesso aos brinquedinhos.

Voltando ao Aves de Paraty, João teve que passar por cima do nervosismo – dele e nosso – pra contar pra uma plateia de mais de cem pessoas como é essa historia de observar aves – onde costuma ir, que viagens já fez, que pássaros mais curte…falou dos pássaros raros que conheceu, como o chororó cinzento, um bichinho pequeno, cinzento, de canto safado, enfim, muito sem graça para os leigos, mas impressionante para quem é do ramo.

Aos poucos o garoto foi se soltando, informando e divertindo a plateia. Quando lhe perguntaram se, ao observar os pássaros, se sentia observado por eles, disse que sim: “O bem-te-vi, sempre que me vê, canta “bem-te-vi…”. Também explicou como faz pra atrair seus amigos para ver pássaros. Conta-lhes que o falcão peregrino atinge a velocidade de um carro de fórmula 1. Se isso não surtir efeito, fala que a foto de um tietê-de-coroa pode valer R$ 40 mil! E não revela que o bicho está sumido há 50 anos…

Os dois pequenos, de 11 e 9 anos, se entendem bem e já têm planos para o futuro. Um diz querer ser pesquisador da natureza, o outro, cinegrafista. Assim podem formar uma dupla e trabalhar nos documentários da National Geographic.

Se der certo, acho que vou conhecer muitos lugares pelo mundo sem gastar um tostão, só na aba dos moleques!

(clique aqui para mais detalhes sobre a apresentação do João no Festival Aves de Paraty)

5 Comentários

  1. Fernando Pirex   •  

    Admirável, meu caro! Que família feliz! Um ótimo futuro p/ os garotos!

    Acreditas em destino? Quem sabe destino etimológico?
    Brincando um pouco: com o sobrenome “De La Peña” tinha que sair alguém que gostasse de nossos amigos emplumados, não é mesmo?!?

  2. M   •  

    A apresentação do João & família foi maravilhosa. Obrigada a todos vocês!

  3. Bernardo Lacombe   •  

    Maravilha parceiro. Beijos e abraços em todos…. Distribua como achar melhor.

  4. Edvaldo   •  

    Muito feliz pelos seus filhos e pelo seu exemplo de pai.

    Abraços de uma pessoa também apaixonada pelas aves.

  5. Pingback: POL - Birdwatching em Paraty: Balanço do Festival Aves de Paraty 2013 mostra sucesso do evento e trouxe uma pequena surpresa | Associação Cairuçu | Paraty: Eventos, Notícias, Informação, Pousadas

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