O CRIANÇÃO DA CASA

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Quando a criança tem um problema sério de saúde, ela sabe muito bem quem deve procurar: a mãe, é claro. Mas e quando a criança está com saúde, bem alimentada, fralda limpa, ou seja, com tudo em cima, e só quer brincar, a quem ela vai recorrer? Ao papai ou à mamãe? A princípio, tanto faz. A criança só precisa de mais duas mãos pra empurrar os carrinhos na cidade fictícia. Mas ela prefere brincar com o pai.

Para tentar compreender por quê, pesquisadores instalaram câmeras nos quartos de várias crianças para registrar o momento das brincadeiras. E o resultado foi unânime: a brincadeira envolvendo o pai durou em média duas vezes o tempo da mesma brincadeira feita com a mãe.

O que mostraram as câmeras? Nos primeiros trinta segundos, é tudo igual: a criança explica o que está acontecendo e tanto o pai quanto a mãe parecem prestar atenção. Daí para diante, vê-se uma brusca diferença de comportamento. A criança começa a enfileirar os carrinhos, a mãe segura um solitário veículo e, de joelhos sobre a cidadezinha, atrapalhando o fluxo, olha fixo para o filho com um sorriso nos lábios. Que criança linda ela pôs no mundo! – pensa a mãe, orgulhosa. E como está crescida! Quanta criatividade! O pequeno engarrafamento é perfeito, seu filho sabe reproduzir o ronco do motor de cada carro, o buzinaço é igualzinho ao que ela costuma ver nas ruas. Todos os carros do garoto estão envolvidos no trânsito caótico, menos o que está na mão dela, esse continua flutuando fora da cidadezinha. O filho chama a mãe para a real, não adianta, ela está em transe admirando a belezura que é o seu pimpolho. Até que ela não se segura, larga o carrinho, agarra o menino e enche de beijos. Pronto, acabou-se a brincadeira.

Já o pai mergulha de cabeça no passatempo e se comporta como se fosse o motorista de uma das miniaturas. Buzina, acelera, xinga, ajudando a criança a se sentir em plena hora do rush. Ele até disputa a posse dos carrinhos mais maneiros e dos bonecos mais irados com o filho. Mas não faz isso por razões didáticas ou educacionais. É que nós, homens, somos meio infantis mesmo!

Não é preciso muito para regredirmos aos dez, cinco ou três anos de idade. Fica mais fácil para nós porque não atingimos plenamente a fase adulta. Nunca chegamos lá.  Basta ver um grupo de amigos quarentões longe das suas esposas. Logo se tornam uns adolescentes, dão tapas na cabeça uns dos outros, chutes na bunda e se sacaneiam com piadinhas de duplo sentido. O homem, na verdade, não cresce, só finge que é adulto na frente da mulher e do patrão.

E os filhos já perceberam isso. Eles sabem que na falta de um amiguinho da sua idade pra brincar, é só gritar “paiê!”, que logo aparece o crianção.

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ao todo.

8 Comentários

  1. Elisa   •  

    Muito bom, Hélio!

  2. Jean S.   •  

    Excelente texto, ainda não tenho filhos, mais vejo isso com o sobrinho da minha namoradas e com meus primos menores, todos preferem brincar comigo kkkkkkkk

  3. PATRICIA FRANCO da COSTA   •  

    EU ACHEI MUITO LEGAL VEM FALANDO UM POUCO DE VARIOS ASSUNTOS

  4. greice brazil   •  

    Porém, nem todos os pais são assim. Ás vezes são tão turrões, que mais se parecem com um ancião de 90 quando na realidade muitos nem passaram ainda dos 30.

  5. lena alencar de aguiar   •  

    Ok, eu tenho 3 filhos e mesmo babando sobre eles, me envolvo na brincadeira mais do q o pai fazia… ate hoje em dia! É relativo…

    • Helio de La Peña   •     Author

      que legal, lena! tomara que seja uma tendência. agora, esse pai merece tomar uma chamada, pô!

  6. Jonatan Silva   •  

    Ótimo Hélio, tenho um filho cara, e lendo o texto fiquei aqui lembrando a gente brincando de carrinho, video game e “lutinha”…kkkkkkkk realmente eu sou o ” CRIANÇÃO DA CASA.”

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