MOMENTO HISTÓRICO

    de pé: NILSON DIAS, leo russo, zeca marques, eu, JAIR FURACÃO. sentados: AMARILDO,PC CAJU, ZAGALLO, ROBERTO MIRANDA

de pé: NILSON DIAS, leo russo, zeca marques, eu, JAIR FURACÃO. sentados: AMARILDO,PC CAJU, ZAGALLO, ROBERTO MIRANDA

Era pra ser um encontro de torcedores pra ver a volta do Fogão à Liberta. Cá entre nós, nem isso era. Estamos ainda na pré-Libertadores e o Deportivo de Quito é o nosso Enem. Mas quando temos pouco o que comemorar, tudo é motivo. Ao invés de roer minhas unhas no sofá de casa, aceitei o convite pra acompanhar o jogo numa churrascaria. Logo pensei: boa! Assim posso encher a cara e ficar tão alto quanto a cidade de Quito. Porque careta não ia dar pra pra encarar.

Ao chegar ao bat local, a coisa mudou de figura. Um salão à parte reunia vários coroas partilhando chopes, picanhas e a paixão pelo Bota. Mas não eram quaisquer coroas. Alguns conhecia bem: Furacão, por conta de sua Fábrica de Talentos, em Manguinhos, que fiz questão de visitar. PC Caju já esteve na minha casa contando causos do seus áureos tempos. Zagallo tinha o mesmo alfaiate que o meu pai. E tive a alegria de jogar uma pelada ao lado do Nilson Dias, numa preliminar do Engenhão. A outros fui apresentado ali. Amarildo, Roberto Miranda, Nei Conceição… Não acreditei que estava cercado de ídolos que acompanhei garoto das arquibancadas – Amarildo, só no Canal 100.

Estávamos numa grande mesa em formato de U, junto com figuraças como Stepan Nercessian, o sambista Leo Russo (quem me pôs nessa fita) e o radialista Zeca Marques. A bola rolava quadrada na tela da tevê. Enfrentávamos uma equipe fraca em que o adversário mais perigoso era altitude. Perdemos o holandês Seedorf, mas temos agora um treinador Húngaro, uma troca desigual. Este, preocupado com o poder ofensivo dos equatorianos, armou um esquema com três cabeças de área e apenas um atacante – um Tanque que deu pouquíssimos tiros.

O time sem padrão de jogo – tenho fé que vai melhorar – nada fazia pra atrair nossa atenção. Não consegui tirar os olhos da plateia. À minha frente estavam PC Caju, Roberto Miranda e Jairzinho – o ataque do meu time de botão! Ali estavam alguns dos nomes que fizeram o Brasil conquistar a fama de melhor futebol do mundo. Os históricos Amarildo e Zagallo fizeram parte da geração que, segundo Nelson Rodrigues, acabou com o complexo de vira-latas do brasileiro. O citado ataque foi a glória dos nosso anos 60 e ainda trouxeram o tri de Guadalajara. Nei e Nilson foram o alívio dos torcedores em períodos difíceis.

No final, vi de relance que perdemos o jogo. Minha vontade era descolar uma máquina do tempo pra botar aquela turma em campo de novo. Até a próxima quarta não vou achar uma. Tudo bem. No Maraca podemos ir à forra, mesmo sem esses mitos. Mas não foi isso que me veio à cabeça quando cheguei em casa. Pela primeira vez assistir a uma derrota do meu time não tinha por que me aborrecer. Aqueles imortais fizeram a minha noite.

São esses ídolos, entre tantos outros, que me fazem ter orgulho de torcer pelo Botafogo. E ninguém cala…

 

9 Comentários

  1. Iracy Saraiva   •  

    Adorei a comparação do time do Quito com o nosso ENEM!!! Demais essa!!!
    Quanto ao nosso idolatrado Botafogo, não tenho dúvidas: quarta-feira a estrela voltará a reluzir. Só precisava de uns ajustes na energia…

  2. Sueli Barroso   •  

    Como sempre vc muito criativo no q escreve, fiquei até com inveja de como vc assistiu o jogo. Quarta Feira vamos ao maraca e é lá q vamos gabaritar a prova do Enem. Gosto de ler seu blog. Saudações Alvinegras. <3

  3. Mário Dias   •  

    Qual outro clube no mundo pode se orgulhar de ostentar em sua memória um número tão grande de ídolos e craques? Somente nosso Botafogo. E isso, ninguém tira, ninguém cala.

  4. Rafael Car*alho   •  

    Apesar de Flamenguista o texto ficou genial, com comparações “desiguais” e sensacionais! Um grande encontro, com certeza!

  5. Leandro Torres   •  

    E ninguém cala! Passaremos, mesmo com Marcelo Mattos e o Tanque!

  6. Wilson Soares Gomes   •  

    O legal do Botafogo é que ele não teve e não tem esse intercambio de jogadores que os outros 3 do Rio sempre fizeram. Todos jogadores famosos que circularam no meio do Fla, Flu e Vasco quase nunca foram ao Bota. Olha só: Renato Gaúcho, Romário, Bebeto, Edmundo e vários outros. E os grandes Botafoguenses quase sempre foram exclusividade nossa! Isso é ser diferente mesmo.

  7. Matheus   •  

    Belo time.. Saudações alvinegras

  8. Enyel Viana Bezerra   •  

    Helinho, você está com saudades de ficar sentado vendo o Seedorf por a bola no seu meio de campo? Você não enjoou desse wisk? Orloff pode sair mais em conta para para os fundos dos torcedores do Foguinho.

  9. Sol Silva   •  

    E a torcida arco-iris vive tentando diminuir a importância do Glorioso na História do futebol brasileiro. Mas contra fatos não há argumentos.

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