PONHA AS CRIANÇAS NA MALA!

Como não se aporrinhar numa viagem com os filhos
– Vamos fazer uma viagem diferente desta vez. Vamos ao México!
– México? É perto de Orlando? – pergunta o caçula.
– Mais ou menos… é caminho. – responde o pai, já inseguro com a decisão. – O México é  um país vizinho dos Estados Unidos.

O menino, familiarizado com o Google Maps, começa a estudar uma maneira de chegar a Tihuana, onde pretende cruzar a fronteira como clandestino.
Calma, suas férias não precisam ser este pesadelo!  Mas para isso você terá que tomar algumas precauções. E não é porque você decidiu ter filhos que você será obrigado a passar todas as férias na Disney até que eles se casem.

EVITANDO EMBARCAR NUMA ROUBADA

O  primeiro momento perigoso de uma viagem com crianças é o aeroporto. Não por motivos de segurança ou por risco de um sequestro – o que pode até existir em certas capitais, mas vamos considerar esta uma hipótese distante. O problema está nas longas esperas. Não é nenhuma novidade para quem acompanha o noticiário. Mas seu filho não sabe disso. Tenha sempre à mão umas revistinhas da mônica ou do seu (dele) herói preferido. Elas podem adiar a impaciência infantil.

Outro santo remédio é o gameboy. Esse joguinhos eletrônicos certamente foram inventados por um sujeito que tinha ficado preso num aeroporto com seu filho. Claro, você também pode recorrer a brincadeiras como a Dedanha. Mas escolha um tema que a criança conheça. E que você também domine para não passar vergonha na frente dos outros passageiros.

CAMINHANDO E CHORANDO

Pai aventureiro sempre acredita que seu filho nasceu com uma resistência de um mariner. Carrega o moleque de quatro anos para caminhadas de oito horas com uma mochila de doze quilos nas costas. O resultado: em três minutos está com o moleque no colo.

Você não precisa restringir seus passeios com seu guri nos corredores de um shopping, mas também não precisa transformar a aventura numa prova do reality show Survivors. Antes de agendar a trilha, dê uma olhada no tamanho das pernas do seu filho. Combine um passeio compatível com seu tamanho, digo, com o tamanho dele! Ah sim, boné, protetor solar e água são itens importantes e não umas frescurebas que sua mulher insiste que você carregue na mochila.

COME, MOLEQUE!

A hora da refeição é outro momento tenso numa viagem. A maioria das crianças é avessa a salada, legumes ou verduras. Quando o destino é um país de culinária exótica ou picante, as restrições costumam se multiplicar. Se você é daqueles que conseguiu educar seus filhos a comer de tudo, parabéns. Depois me passa teu endereço para eu despachar os meus pra sua casa. Os moleques são um inferno, só querem saber de bife com fritas, cachorro quente e pizza.

Se este é o seu caso, temos que aprender uma coisa. Uma viagem não é o lugar ideal para se operar uma reeducação alimentar. Isso só gera estresse e choradeira. Minha dica: se o casal está viajando com seu pimpolho ruim de boca, cabe ao pai reforçar o discurso de que faz parte de uma viagem conhecer a comida local. Ele deve fazer um esforço para que a criança ao menos prove os pratos diferentes. Se for o caso, vale aplicar um certo terror light, dizer que, se não comer a gororoba, vai passar fome. A mãe deve concordar com o discurso do pai. E, claro, levar um pacotinho de biscoito escondido na sua bolsa.

UMA TARDE NO MUSEU: FILME DE TERROR

– Filho, amanhã vamos ao museu.

Quando o pai anuncia em tom solene o programa do dia seguinte, a criança mal consegue pegar no sono. Imagina desesperada o tédio que vai lhe atacar enquanto estiver percorrendo as infinitas galerias do Louvre ou de um similar local. A ida ao museu não pode ser um pesadelo. Para isso, cabe aos pais se informarem um pouco sobre as obras que vão encontrar, tentar descobrir peças que aticem a curosidade dos pequenos.

Se optar por um guia, procure ver se há algum que fale português – não é imposível. Ou, pelo menos que fale um espanhol, peça que fale devagar. Caso contrário, traduza você mesmo, não deixe a criança com cara de bunda, enquanto os marmanjos se deliciam com as curiosidades. Mas lembre-se, seja sucinto, ainda falta muito para que seu filho venha a usar este conhecimento numa prova do Enem.

Mesmo a visita a um sítio arqueológico pode ser divertida para a molecadinha. A história dos astecas e dos maias, por exemplo, é recheada de detalhes macabros, como os sacrifícios humanos, não há quem não se interesse. Os progressos dos povos antigos impressionam. Fatos como o surgimento da escrita prendem a atenção de crianças e adultos. Sem falar na própria denominação dos povos que por si só serve como distração. No México, depois de ouvir falar em maias, astecas, olmecas, toltecas, meu garoto de sete anos soltou esta pérola: “Papai, se os maias são feras assim, imagina os olmecas!” Concordei sem ter a menor ideia do que ele queria dizer.

HORA DAS COMPRAS. QUE SACO!

Só uma pessoa com dinheiro na mão pode gostar da hora das compras. E criança não é exceção nesta regra. Se a criança tiver algum discernimento, certamente vai curtir fazer suas comprinhas. Estabeleça um orçamento bem enxuto, uma merrequinha, na verdade. E dê liberdade para que o pequeno escolha um brinquedinho ou uma lembrança. Ele nunca mais vai reclamar quando a mamãe quiser se perder na feirinha ou no shopping.

VOLTANDO PRA CASA

Ok, você venceu. Arriscou levar seu filho pra um lugar que não era a Disney e ele gostou! Aprendeu a fazer companhia aos pais, viu que não é só ele, todo mundo quer se divetir numa viagem. E ainda vai tirar a maior onda quando encontrar os amiguinhos. E se puder deixar na mão do guri uma máquina fotográfica barata, ele fará seus registros e vai contar direitinho como foi sua viagem. Se bobear, as fotos dele ainda ficam melhores que as do papai e as da mamãe.

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