CRAQUE OU CRACK?

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Um empresário de jogadores de futebol foi preso pela Polícia Federal como suspeito de chefiar o tráfico no porto de Santos. Tive acesso à gravação de uma conversa entre o empresário e um cartola de um grande clube brasileiro.

–       Eu queria comprar um craque.

–       Crack?

–       Isso mesmo. Você tem algum aí?

–       Tenho, claro!

–       É pra botar na linha.

–       Tô sabendo. Bota na linha, mete o canudo e manda pra dentro.

–       É brasileiro?

–       Tem brasileiro, mas eu recomendo o boliviano, é da melhor qualidade.

–       Onde ele tá agora?

–       Tá no porto.

–       No Porto? Então é bom mesmo!

–       É o que eu tô te dizendo. Não vou vender qualquer porcaria, tá ligado?

–       A galera tá cobrando, se eu não tomar uma providência, não vai sobrar pedra sobre pedra.

–       Ah, meu camarada, dos meus produtos nunca sobra uma pedra…Quantos quilos?

–       Ah sei lá, uns 70, 80 quilos, pode ser?

–       Claro que pode! Até uns 120 quilos eu garanto.

–       Peraí, 120 quilos é demais! É gordinho, tipo Walter?  Tudo bem, o importante é ser bom.

–       É do bom, sim. Já te falei que só trabalho com mercadoria de primeira.

–       Então tá fechado.

–       Só vai querer crack? E da purinha? E do preto?

–       Nossa torcida não é racista não. Se for goleador, pode ser preto, não tem problema.

–       Goleador? Como assim?

–       Goleador, artilheiro…tamos precisando de um centroavante!

–       Centroavante? Ih, rapaz, só agora é que eu entendi…

–       Afinal, tem ou não tem craque?

–       Disso aí que tu tá querendo, só tenho uns perna de pau aqui. Vai?

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ao todo.

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